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Recentemente, líderes de algumas das maiores potências do mundo se reuniram em Nova Délhi, na Índia, para discutir um novo rumo para o sistema internacional. Vladimir Putin e Xi Jinping estavam entre eles, junto com representantes de países que normalmente estão em lados opostos em várias questões. Naquela reunião, porém, todos estavam reunidos em torno de um mesmo objetivo.
Mas o que poucas pessoas sabem é que a Bíblia já descrevia uma cena parecida. Ela fala de dez líderes que se uniriam em torno de um mesmo propósito e, depois deles, surgiria o anticristo. E existe outro detalhe: o que foi discutido naquela reunião já tem uma data prevista para começar a ser colocado em prática: 2027.
O que aconteceu lá, qual é essa profecia e se estamos realmente próximos da revelação do anticristo são os assuntos que vou mostrar. O que aconteceu agora na Índia tem uma história que começa muito antes daquela reunião.
Mais de 2.600 anos atrás, o profeta Daniel estava na Babilônia quando recebeu uma visão durante a noite. Ele viu quatro animais surgindo do mar, um depois do outro. O quarto era diferente de todos os anteriores: era assustador, muito forte, tinha grandes dentes de ferro e dez chifres na cabeça.
Na linguagem da Bíblia, o chifre representa poder e autoridade. O próprio anjo explicou a Daniel que aqueles dez chifres representavam dez reis que surgiriam daquele reino. Só que Daniel continuou olhando e, enquanto observava os dez chifres, viu surgir entre eles outro chifre menor, e três dos primeiros foram arrancados diante dele. Esse novo chifre tinha olhos como os de um homem e uma boca que falava com arrogância contra o Altíssimo.
O anjo então explicou que, depois dos dez reis, surgiria outro, diferente dos primeiros, e que ele derrubaria três deles. Isso indica uma sequência específica: os dez reis precisam estar no poder ao mesmo tempo, e o pequeno chifre surge enquanto os outros ainda estão governando.
Na interpretação futurista, seguida por muitos estudiosos das profecias do fim dos tempos, esse pequeno chifre representa o anticristo, o último governante da Terra. Segundo essa interpretação, ele vai perseguir os santos durante o período que Daniel chama de “um tempo, tempos e metade de um tempo”, que corresponde a três anos e meio.
A ordem da visão de Daniel também chama a atenção. Primeiro, ele viu os dez chifres; só depois viu o pequeno chifre surgir no meio deles, dentro de uma estrutura de poder que já estava formada. Então, o anticristo não seria quem cria o sistema que vai governar o mundo. Ele surgiria dentro de uma estrutura que os dez já teriam organizado antes dele.
Isso também aparece no sonho que o rei Nabucodonosor teve em Daniel 2. Ele viu uma estátua enorme, cujos pés eram feitos de ferro misturado com barro e terminavam em dez dedos. Daniel explicou que aquela parte da estátua representava um reino dividido, com uma parte forte e outra frágil, formado por povos que até se misturariam, mas não conseguiriam permanecer unidos. E é justamente nos dias desses reis que, segundo a profecia, o Deus do céu levantaria um reino que jamais seria destruído.
Mais de 600 anos depois, Deus mostrou ao apóstolo João uma cena muito parecida. Mas, dessa vez, havia um detalhe que mudaria a forma de enxergar essa profecia. Em Apocalipse 13, João vê uma besta subindo do mar com dez chifres e dez coroas. A Bíblia diz que o dragão, que é Satanás, entrega a essa besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade.
Quatro capítulos depois, um anjo leva João para mostrar o significado daquela visão e explica exatamente quem são os dez chifres. Olha o que está escrito em Apocalipse 17:
“Os dez chifres que você viu são dez reis que ainda não receberam reino, mas que por uma hora receberão autoridade como reis juntamente com a besta. Eles têm um único propósito e darão seu poder e sua autoridade à besta.” (Apocalipse 17:12-13)
Olha isso, irmãos. Esses reis não são derrotados pela besta, não são invadidos nem são obrigados a entregar o poder. Eles têm autoridade própria e escolhem entregar essa autoridade juntos, com um único propósito.
Na época de João, esses reis ainda não tinham recebido seus reinos. Por isso, o anjo disse que ainda não tinham reino. E existe outro detalhe importante: eles recebem autoridade junto com a besta. Isso significa que governam ao mesmo tempo que ela. O poder deles dura pouco, apenas uma hora, o suficiente para cumprir uma única missão: entregar sua autoridade ao homem que vai governar o mundo no fim.
Para que dez governos entreguem sua autoridade a um único homem, antes precisa existir um mundo acostumado a governar em conjunto, tomar decisões em bloco e aceitar que uma autoridade acima das nações possa falar em nome de várias delas. E isso já acontece em diferentes partes do mundo.
Na Europa, vários países abriram mão da própria moeda e passaram a compartilhar uma moeda administrada por um único banco central em Frankfurt. Alianças militares tomam decisões que envolvem vários países ao mesmo tempo, e tratados internacionais podem criar compromissos que passam a valer dentro das nações que os assinaram.
Foi nesse cenário que aconteceu a reunião de Nova Délhi. A 18ª cúpula do BRICS reuniu governos de vários países. Estavam presentes Vladimir Putin, Xi Jinping, Narendra Modi e líderes de países da África, da Ásia e do Oriente Médio. Juntos, esses governos representam quase metade da população do mundo.
Modi falou claramente que não dá mais para administrar um mundo que está mudando usando instituições antigas. Ele disse que esses países precisam deixar de apenas seguir as regras e começar a criar as regras. Foi por isso que propôs que o bloco elaborasse dez propostas para mudar a forma como o mundo é governado.
Ou seja, o que estava sendo discutido ali não era só comércio ou economia: era quem vai decidir o rumo do mundo daqui para a frente. E tem um detalhe que pouca gente percebeu.
A declaração final foi assinada por países que são rivais. Índia e China já entraram em guerra e ainda disputam a mesma fronteira. Irã e Emirados Árabes também têm posições diferentes sobre questões do Oriente Médio. Mesmo assim, todos colocaram seus nomes no mesmo documento.
Isso é bem parecido com o que Daniel viu na estátua. Os pés dela eram feitos de ferro misturado com barro: uma mistura de povos que não conseguiriam permanecer unidos de verdade. Séculos depois, João viu dez reis reunidos em torno de um mesmo propósito. Eles não precisam ser aliados em tudo; basta que tenham um objetivo em comum. E, segundo a profecia, é exatamente isso que os dez reis farão.
Isso não significa que os BRICS sejam os dez chifres do Apocalipse. Mas a cena descrita nessa profecia já não parece tão difícil de imaginar. Hoje existem fotos oficiais, declarações assinadas e discursos de líderes mundiais mostrando países discutindo juntos como o sistema internacional deve funcionar.
Mas isso não é apenas uma questão política. Em Apocalipse 13, o dragão é quem entrega seu trono à besta, mostrando que, por trás do poder desses reis, existe também uma dimensão espiritual. E a profecia mostra onde esse caminho termina: esses mesmos reis vão guerrear contra o Cordeiro. Só que eles serão derrotados, porque o Cordeiro é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis, e os que estão com ele são chamados, escolhidos e fiéis.
João também escreveu que Deus colocou no coração desses reis o desejo de entregar o poder à besta, até que se cumprissem as palavras de Deus. Ou seja, até essa entrega acontece dentro daquilo que Deus já havia determinado.
Nós ainda não podemos afirmar quem são esses dez reis, mas a Bíblia diz que eles vão existir e que estarão presentes antes do surgimento do pequeno chifre. Por isso, em vez de tentar descobrir apenas quem será o anticristo, a própria profecia também nos faz olhar para os dez que vão entregar o poder a ele. Quando esses dez estiverem juntos, o pequeno chifre surgirá no meio deles. Amém.
Eu sou o pastor Antônio Júnior. Um grande abraço. Fique na paz do Senhor.