Mensagem / transcrição
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Hoje nós decidimos falar mais sobre relacionamento, mas eu também quero contar um pouco da minha vida e de como Deus trabalha, de como conheci a Thaís. E quero que você olhe para a sua própria vida enquanto eu falo, porque não quero falar apenas de mim; quero que você também vivencie o que Deus tem para você.
Eu me converti com 18 anos e, assim que me converti, já queria casar, né? Porque, se tem uma coisa que o crente quer fazer, é casar. Ele quer formar uma família, até mesmo porque muitos não aguentam esperar. Na área sexual, a pessoa pensa: “Ah, eu quero fazer certo, quero estar abençoado”. E aí, muitas vezes, dá um tiro no pé: casa pelos motivos errados, somente para estar legalizado, vamos dizer assim, de acordo com a Palavra. E esse não pode ser o motivo principal.
Tem outros que casam porque se sentem seguros com a outra pessoa e, às vezes, nem gostam tanto dela; gostam da segurança que ela traz. Só por ser um homem ou uma mulher de Deus, a pessoa acha que vai ser feliz, porque a outra ora todo dia, acorda, ora e busca a Deus. Isso também não garante felicidade no casamento. Aliás, há muitas pessoas que são muito de Deus, mas acabam sendo um empecilho para Deus fazer uma obra.
Como eu já até citei aqui, muitas vezes as pessoas achavam que eu era bitolado. E realmente, por um tempo, fui: só queria ir à igreja. Todo culto que tinha, eu estava lá. Aí Deus foi me ensinando algo importantíssimo, precioso. Eu até comentei muito com a Janaína; a gente falou bastante sobre isso. A Bíblia diz que Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de amor, de poder e de equilíbrio. Ou seja, o mesmo Deus que nos dá amor e poder também nos dá equilíbrio.
Quando você vai se envolvendo muito com Deus, é normal perder esse equilíbrio, porque está vivendo uma realidade tão importante para você que fica desequilibrado. Você fica só na igreja, só com amigos cristãos, dentro de uma bolha. Isso pode impedir, pode atrapalhar um casamento. Então, eu te aconselho: deixe o Espírito Santo colocar poder em você, dar força, poder e ousadia, mas também dar equilíbrio.
Eu vim de um contexto em que ninguém na minha casa era cristão, ninguém era evangélico. Foi um choque lá em casa, porque, de repente, eu, que gostava só das coisas do mundo, de música rock, tinha uma banda de rock e, agora, só escutava louvores. Minha casa lotava de crentes, porque eu chamava todo mundo para assistir a testemunhos. Na época, nem era DVD; era CD, sei lá, fita cassete. Não lembro. Foi em 2002.
Eu tinha tanta certeza de que era aquilo que queria que desrespeitava meus pais quando eles não queriam. Eles falavam: “Juninho, não faz culto aqui hoje, não. Vamos fazer outra coisa, vamos sair, vamos a uma pizzaria”. E eu: “Não, eu quero só Bíblia”, sabe? Então, tive que aprender com o Espírito Santo que ele é um Deus de equilíbrio.
Quanto mais eu fui cedendo ao Espírito Santo e deixando que ele trabalhasse na minha vida e por meio de mim, mais fui vendo transformações dentro da minha família. Vi que minha mãe, minha irmã, meu irmão e meu pai ficaram mais abertos a me ouvir. Eles não queriam saber de jeito nenhum da mensagem do evangelho que eu tinha para levar.
Uma vez, minha mãe estava tomando sol com a minha irmã perto da piscina, e eu pensei: “Eu preciso pregar. Jesus falou para pregar o evangelho a todo mundo. Tenho que pregar para elas. O que estou fazendo aqui? Estou perdendo tempo”. Fui até a Bíblia, anotei um monte de versículos contra o espiritismo, dizendo que a vida é uma só, que Jesus... Irmãos, elas estavam lá tomando sol, descansando. Abri a Bíblia e comecei a falar: “Olha aqui o que a Bíblia diz contra o espiritismo”. E fui citando os versículos. Irmãos do céu, minha mãe ficou doida: “Você está doido? Agora só fica andando com aquele pastor lá da igreja. Para com isso! Respeita a nossa religião”.
Voltei para o quarto decepcionado. Não teve efeito; só frustração. Causou ainda mais divisão, porque já estavam achando que eu era chato demais. Voltei para o quarto e comecei a falar: “Deus, mas o Senhor falou para pregar a todo mundo”. Deus tocou no meu coração ali: “A partir de hoje, boca fechada. Não fala mais nada. Deixa que eu vou trabalhar, deixa eu fazer”. Às vezes, é isso que falta.
Falando sobre relacionamento, em 1 Pedro, capítulo 3, o apóstolo Pedro ensina que a mulher que tem um marido descrente pode ganhá-lo sem palavras, por meio do seu bom procedimento. Irmãos, vou falar uma coisa, principalmente para as mulheres aqui: se tem uma coisa de que o homem não gosta é mulher falando na cabeça dele. Pelo amor de Deus! Olha, a Bíblia diz que a mulher rixosa é como uma casa com goteira. Ninguém suporta.
Então, se você quer aproximar as pessoas de Deus, tenha equilíbrio. Saiba ser espiritual nas coisas naturais. Vai lá lavar uma louça, faz alguma coisa — sabe, algo que não tem nada de espiritual. Aquilo pode mudar a outra pessoa. Amém?
Eu era adolescente, tinha 16 anos e nunca tinha beijado. Era BV, né? O pessoal me chamava de BV, boca virgem. Aquilo, para o mundo, é a maior caretice que tem. O tempo passou, surgiu a internet e, naquela época, veio uma vontade de orar. Aí eu falei: “Ô, Deus, abençoa para eu encontrar uma namorada”. Irmão, só sei que entrei numa sala de São Paulo — eu morava no interior de Minas — e encontrei uma moça lá da minha cidade. Pensei: “É resposta, é resposta de Deus”. Fui à casa dela, criei coragem e começamos a namorar. Só que tinha um porém.
A família dela inteira era da Umbanda, do candomblé. Me envolvi de cabeça, mergulhei naquilo. Eu já era espírita. Minha família também, e até ela ficou assustada. Mas foi nesse mundo que a gente entrou.
Era um relacionamento que não agradava a Deus em nada. Extremamente pegajoso, não tinha confiança nenhuma e eu não sabia, mas era carente na alma. Um dia, falei para um amigo meu: “Olha, eu quero fazer o seguinte: quero que você ligue para ela e dê em cima dela. Eu quero ouvir, no orelhão.” Ele estava lá no orelhão, e eu ouvindo. “Ai, ai, ai! Vamos ver se ela vai cair na dele.” Olha a prisão na alma! Eu sei que muitos aqui são aprisionados na alma, não conseguem vencer o ciúme, não conseguem confiar. Graças a Deus, acho que eu não iria suportar se ela tivesse aceitado sair com ele. E ela falou assim: “Não, eu tenho um namorado, graças a Deus.”
Não tinha como dar certo. Nossos planos eram casar um dia, mas não tinha como dar certo porque, como expliquei nas pregações, a gente fazia tudo errado. Não tem como dar certo.
Um dia, fomos a um terreiro. Ali, o pai de santo recebeu a entidade, que começou a falar com a gente. Eu era muito curioso com as coisas espirituais e achei fantástico aquilo. Vi aquilo se materializando na minha frente. A entidade, o espírito maligno, veio falar com a gente, bebendo pinga e fumando. Vi muitas crianças fumando. Achei estranho e falei: “Gente, criança fumando, de 9, 10 anos!” E eles falavam: “Não, fica em paz. Tudo que acontece aqui é o espírito que suga, que bebe, que fuma; não é a pessoa, é o espírito.”
A entidade falou assim: “Olha, vocês formam um casal tão bonito.” Só falava coisas boas: “Casal tão bonito, né? Tantos casais lá fora se divorciando...” E aí rachava o bico de rir e bebia a pinga. Eu achava aquilo estranho, mas ele dizia: “Fiquem juntos, vocês formam um casal tão bonito.” Ele nos deu o nome dele e disse que, quando estivéssemos passando por apuros, era para chamá-lo, que resolveria qualquer parada, não importava onde estivéssemos.
Irmãos, aquilo, para mim, foi a melhor coisa. Pensei: “Agora tenho um parceiro, estou resolvido.” A semana seguinte foi a pior semana da minha vida. Eu tinha pensamentos de morte o tempo todo. Parecia que havia uma nuvem preta e escura em cima da minha cabeça, e eu não via uma saída, uma solução. Não sabia de onde aquilo estava vindo. Fiz uma carta de despedida para minha família e falei: “Chegou a minha hora.” Não sei explicar. Só sei que alguma coisa vai acontecer comigo. Estou me despedindo. Pedi muito perdão ao meu pai na carta, porque não consegui ser o filho que ele queria.
Só sei que realmente vi um livramento. Um caminhão quase me pegou naquela semana. Foi um livramento mesmo. Quando foi chegando o fim de semana, pensei: “Vou chamar aquela entidade”, porque ela se disponibilizou a me ajudar. Fui para o quarto lá de casa. Na hora em que fui me ajoelhar, uma voz falou comigo: “Não faça isso, não é de Deus.” Não entendi. Simplesmente não orei.
Aquela moça, minha primeira namorada, tinha chamado a entidade. Como sei disso? Muitos anos depois que me converti, ela foi morar na minha cidade, Franca, em São Paulo. Senti o dever de falar para ela o que aconteceu comigo, a transformação que Deus fez. Perguntei: “Você chamou aquela entidade?” Ela falou: “Chamei.”
Naquele dia em que ela chamou, ligou lá para casa chorando e falou: “Vem cá, nós precisamos conversar.” Não entendi nada. Quando cheguei lá, ela falou: “Olha, estou com uma dor de cabeça tão forte que não passa, já tomei remédio. E outra coisa: minha mãe, que faleceu há cinco anos, está aparecendo aqui em casa o tempo todo. Eu a vi no corredor agora mesmo. Vi ela lá no quarto. Não sei o que está acontecendo, só sei que nós dois não damos certo. Vamos terminar.”
Terminamos do nada, sem explicação. Fui embora chorando e rezei o Pai-Nosso, a única oração que eu sabia fazer. Lembrei daquela oração em que pedi uma namorada. Então agradeci a Deus: “Obrigado. Foi bom enquanto durou, né?”
Naquela hora em que agradeci, irmãos, vocês podem acreditar ou não, mas foi uma experiência que nunca tive. Uma voz falou comigo com muita clareza. O que posso dizer dessa voz é que era poderosíssima e, ao mesmo tempo, a voz mais doce que já ouvi na vida. Ele falou assim: “Meu filho, você tem muito valor para mim e ainda vai ver a grande obra que vou fazer na sua vida.”
Eu não sabia, mas minha avó, mãe do meu pai, estava intercedendo pela minha vida. Ela tinha acabado de se converter e estava orando por mim. Nem sabia se a oração estava tendo efeito ou não. Por isso eu falo: você ora pelas pessoas, mas não imagina o que acontece no mundo espiritual.
Geralmente, a outra pessoa não dá o braço a torcer. Não vem falar para você: “Olha, estou indo pelos caminhos de Deus.” Não, irmãos, o ser humano é egoísta, é mau por natureza. Para mudar de verdade, só com o Espírito Santo, só Deus mesmo. Mas você tem que crer que Deus está trabalhando nos bastidores, como diz Isaías 64:4: desde a antiguidade nunca se ouviu falar de um Deus semelhante ao nosso, que trabalha em favor daqueles que nele esperam. Amém. E ela estava orando, esperando em Deus, e Deus começou a trabalhar.
Foi então que me converti, uns dois meses depois, de forma sobrenatural, numa vigília. Quando me converti, pensei: “Agora tenho que fazer a vontade de Deus.”
Porque eu aprendi o seguinte: nem todos os filhos estão interessados nas coisas do pai, nem todos estão buscando os interesses do pai. Mas eu pensei: “Eu quero fazer a vontade do meu Pai agora. Agora eu já não vivo mais para mim; é Jesus que vive na minha vida”.
E eu pensei: e nessa área de relacionamento, como é que vai ser? A gente que é do mundo está acostumado assim: quer ficar, fica. Não tem impedimento. Você quer ser feliz com a pessoa, vai ser. Você não tem que orar, ficar esperando. E foi então que eu percebi que não é tão simples. Eu tive que esperar em Deus.
Aí eu fui para a igreja e pensava: “Vai acontecer, Deus vai colocar alguém”. E ficava nessa expectativa, só que Deus me deixou de molho por um tempo. Meus amigos começaram a namorar; os que iam comigo à igreja começaram a namorar também. Logo, eles já estavam todos namorando, e eu fui ficando para trás. Aí eu virei o taxista deles. Era eu todo dia: “Gente, vamos lá, aonde vocês querem ir hoje?”. E eu os levava. Era aquela luta.
Hoje eu vejo que a maior bênção que Deus me deu foi me tornar solteiro. Inclusive, uma vez eu vi um pregador lançando o livro dele, A bênção de ser solteiro. Pensei: “Misericórdia, gente, nem sabia que tinha bênção nisso. Como pode ter bênção em ser solteiro?”. Mas foi o que eu experimentei: um tempo de solteiro.
A Bíblia diz que o solteiro deve buscar as coisas do Senhor. E Paulo diz que o homem que se casa acaba cuidando das coisas do mundo para agradar à esposa. Então, o solteiro tem uma bênção: ele tem mais tempo. Quer ir a uma vigília? Vai. Depois que você casa, e hoje eu já mudei, tem filho, profissão, responsabilidades; é uma luta.
Já conversei com muitos casais e perguntei: “Como era sua vida de solteiro?”. “Ah, era uma luta, mas, ao mesmo tempo, eu era cheio de Deus. Agora, casado...” “Vixe, realmente deu uma esfriada, hein? É difícil manter.” Poucos conseguem, porque você tem que administrar um monte de coisas. Quando você é solteiro, não: você tem tempo, chora, vai orar na casa dos irmãos.
E o que aconteceu? Tive alguns relacionamentos depois que me converti, só que a minha vontade era não ter que sofrer nessa área. O tempo foi passando, e eu começava os relacionamentos; ou eu deixava de gostar, ou a menina deixava de gostar. Era sempre assim, e eu já ficava esperando isso. Começava a namorar e, em uma ou duas semanas, não conseguia esperar muito tempo; então, era só frustração. Eu pensava: “Tem alguma coisa errada comigo, não é possível”.
Eu perguntava aos casais que se casaram bem: “Como foi? Vocês se conheceram...?”. Todos falavam a mesma coisa: “Olha, quando chega a pessoa, você sabe. Você sabe porque sabe. Vem uma paz, uma certeza de que é aquela pessoa”. Então, eu ficava guardando isso. “Nossa, será que é por isso que ainda não chegou? Porque eu não senti aquela paz?”
Tive uns cinco relacionamentos antes de conhecer a Thaís. Todos duraram duas semanas; não chegaram a durar nem um mês. Muitas pessoas da igreja falavam: “Nossa, vocês foram um casal tão bonito, têm tudo para dar certo. Agora vocês casam”. Mas não dava certo, irmãos.
Às vezes, na nossa igreja, não tinha opção. Então eu recebia muitas cartas das mocinhas de lá, só que tinha que chegar para elas e falar: “Infelizmente, eu não sinto nada”. E a moça falava: “Não, mas Deus falou para mim”. Então eu respondia: “Manda Ele falar comigo, porque eu não sinto nada”.
As pessoas confundem muito. Tomem cuidado, irmãos, com esse negócio de “Deus falou para mim”, “Deus usou a pessoa e falou que eu vou casar este ano”. Tomem cuidado com essas profecias, porque Deus pode fazer, mas é difícil, é raro. Embora não seja raro, porque aconteceu comigo, mas eu vou explicar.
Era essa luta, e eu pensava: “Gente, será que um dia eu vou entender tudo o que tem acontecido comigo? Porque hoje eu não entendo nada”. Começava a dar errado. Começava a dar errado.
Foi então que Deus me levou para Belo Horizonte. Fui fazer o seminário de teologia e, enquanto estava lá, conheci uma moça que foi a última, graças a Deus, até encontrar a Thaís. Eu pensei: “Está tudo voltado para Belo Horizonte, a seis horas de distância da minha família e da minha igreja”. Mas eu achava que estava tudo certo. Só que tinha um porém, uma coisa que eu não enxergava e que muita gente não enxerga: aquela moça era totalmente diferente de mim.
Mas, como eu já estava cansado de ficar esperando, pensei: “Ah, vou fazer dar certo”. Você anula todos os defeitos, anula tudo, porque agora quer que dê certo. Você ora, já tem fé, não quer ouvir o “não” de Deus.
A viagem da minha casa até a casa dela, que ficava fora de Belo Horizonte, durava quase uma hora. Era um tempo em que eu ia orando, conversando com Deus. Aí teve uma noite em que pensei: “Não está certo, para falar a verdade. Ainda não é. Não combina, não tem nada a ver”.
Meus pais foram lá em Belo Horizonte, e a menina não abriu a boca. Está certo, era muito tímida, mas eu pensei: “Não é o que eu quero para mim. Eu quero uma mulher para me apoiar”. Ela também não era muito firme, muito espiritual; tinha vontade de ser a moça. Não tinha nada a ver comigo. Eu pensava: “Gente, essa mulher vai ficar só no ar, voando. Como é que vai ser? E o meu ministério?”.
Teve uma outra, uma ex que eu tive, que falou: “Eu odeio essa ideia de pastor. Espero que você nunca seja pastor”, porque o pai dela é pastor e ela dizia: “Ah, eu não quero que seja igual ao meu pai”. Então, assim, se você quiser o pastorado, o ministério, não vai dar certo.
Então, nunca dava certo, mas daquela vez eu estava querendo que desse, estava querendo que Deus fizesse. Foi então que meu coração fechou. Eu pensei: “Não dá certo, eu não estou feliz, ainda não é”. E é difícil, porque você já sofreu muito, já passou por outros relacionamentos e pensa: “Ah, vou ter que começar tudo de novo”.
Aí eu fiz uma oração de entrega, a oração mais corajosa que um ser humano pode fazer: a oração que Jesus fez: “Pai, que seja feita a tua vontade, e não a minha”. Eu entreguei nas mãos de Deus. “Se não for para ser, eu não me importo de terminar esse relacionamento de novo, eu não me importo.”
Mas aí Deus falou comigo. Senti o Espírito Santo falando comigo naquela noite, depois de tanto que eu orei. Ele falou: “Volta para a cidade dos teus pais, porque o que eu tenho para você está lá, não está aqui”. Irmãos, aquilo me deu uma alegria. No outro dia, chamei a moça e falei: “Olha como Deus é bom, né? Ele falou para eu voltar. Pensa comigo: estou ganhando R$ 600. Como é que nós vamos casar um dia? Não tem jeito, R$ 600 não dá para nada. E lá eu vou poder trabalhar com meu pai, vou poder ganhar dinheiro”. Essa era a minha ideia, irmãos.
Quando cheguei à cidade dos meus pais — na verdade, meus pais foram me buscar —, não demorou nem um dia, e a moça me ligou, falando: “Olha, não vai dar certo. Namorar à distância, eu estou muito nova, tenho outros planos, a gente é muito diferente”. E terminou comigo.
Eu não sabia o que era sofrer de amor do jeito que sofri. Sei que essa é uma área que a gente leva muito na brincadeira, né? Geralmente, quem está solteiro tem que ficar dando satisfação para todo mundo, falando por que está solteiro, por que não encontrou alguém. Mas é uma área que pega pesado. Muitas vezes, eu questionei: “Deus, por que o Senhor cuida de todas as áreas e não mexe nessa? O Senhor não faz dar certo essa área sentimental?”.
Quando voltei e ela terminou comigo, fui para o fundo do poço. Eu não aguentei mais, porque até então eu estava com fé: “Não vai dar certo? Se não deu com ela, vai dar certo”. Irmãos, fiquei seis meses sem querer orar, sem querer ler a Bíblia. Mesmo sabendo que Deus tinha um chamado para mim como pastor, perdi o pique. Não aguentei. Pensei: “Por que toda vez dá errado?”.
Foi numa época em que minha irmã estava se convertendo, e ela ficava pegando no meu pé. Era uma irmã recém-convertida, queria ir a toda vigília, a todo culto, e eu não queria. Ela falava assim: “Cadê aquele Juninho de quem todo mundo falava, que chamava os outros para a vigília, incentivava todo mundo a orar? Cadê?”. Eu falei: “Olha, esse Juninho não existe por enquanto, mas um dia Deus vai me levantar, porque esse Deus é fiel, e eu creio que Ele é. Ele tem uma promessa. Um dia, Ele vai me levantar”.
Passou o tempo. Quando já tinham se passado uns seis meses, alguns amigos meus me ligaram: “Juninho, está chegando um acampamento de Carnaval. Você tem que estar aqui com a gente”. Eu falei: “Cara, não vai dar”. Eles insistiram comigo, e nós fomos para lá. Cheguei ao acampamento, e me colocaram para cantar um louvor. Eu, que estava totalmente frio na fé, desanimado, sem querer nem orar, fui cantar.
Eu cantava e ministrava o louvor, mas não tinha vida dentro de mim, não tinha mais esperança. Então, simplesmente narrava: “Ó, irmãos, agora nós vamos cantar uma música, por exemplo, ‘Zaqueu’. Fala assim, assim, assim”. Não tinha vida, não tinha emoção. Eu não vivia mais aquilo.
Chegou o momento da tarde, que era um momento de descanso, e pensei: “Vou lá orar”. Deixei meus amigos com a turma e fui orar. Era um lugar maravilhoso, um sítio da nossa igreja. Abri meu coração e falei: “Deus, desse jeito não dá mais. Eu não posso viver desse jeito. Isso aqui está acabando comigo. Não tenho mais vontade nenhuma de orar. Perdi meus sonhos, minha esperança. O Senhor está vendo? Já faz seis meses que estou nisso, não saio desse deserto”.
Comecei a abrir meu coração. Falei: “Deus, se o Senhor não tiver ninguém para mim, então pelo menos me fale. Tire esse desejo”. Porque tem muita gente que me pergunta: “Pastor, como saber se Deus quer que eu me case, se Ele tem alguém para mim ou se eu tenho aquele dom do celibato, sabendo que não vou me casar com ninguém?”. Aí eu pergunto: “Você tem vontade de casar?”. “Tenho.” Então, esse dom você não tem. Você tem vontade de casar? É porque você não tem esse chamado que o apóstolo Paulo teve, como tantos outros, né? O próprio Jesus não se envolveu nessa área sentimental.
Aí começou o louvor. Irmãos, eu fui ministrando do mesmo jeito que estava antes: morrendo de vergonha, tímido, sem querer estar ali, até que a luz apagou, caiu a energia, mas as lâmpadas e o som continuaram. Eu continuei, continuamos cantando e, na hora, não sei explicar, mas o Espírito Santo me tocou. Pensei: “Agora eu vou romper em fé, vou dar um passo de fé”.
Comecei a ministrar, irmãos. Comecei a usar de ousadia na oração. “Você que teve os seus sonhos destruídos...” Tudo o que eu estava vivendo, fui lançando ali, irmãos. Quando a luz acendeu de novo, o fogo já tinha entrado, já tinha vindo sobre o povo. Pessoas que estavam mornas, frias na fé, começaram a orar. Vi um mover tão forte que, a partir daquele momento, Deus fez alguma coisa ali.
Os jovens que estavam naquele acampamento estavam todos frios na fé. Ninguém queria saber; estava uma bagunça lá. Ninguém orava. Os meninos quebravam tudo; quebraram a vidraça. Era uma bagunça aquele acampamento. Só que, de repente, os jovens começaram a falar: “Nossa, aconteceu alguma coisa aqui”. Inclusive, o líder do acampamento estava frio na fé. Ele me agarrou e falou: “Rapaz, Deus te usou hoje”.
Eu pensei: “Gente, mas justo agora vem o assunto de começar a vigília. Não vai ter vigília, não? Não vamos dormir, não?” Olha o que Deus fez hoje no louvor. Foi tremendo.
Entramos e fomos para a vigília. Havia uns 70 jovens, assim, em um círculo. Aí perguntaram quem começaria a vigília e começaram comigo.
“Pastor...” Não, eu ainda não era pastor. “Juninho, vai lá, fala, faz, fala alguma coisa.”
Eu não tinha o que falar. Eu é que estava precisando ouvir uma palavra. Falei: “Irmãos, vamos dar as mãos aqui e orar. Deus vai falar. Eu não sei o que Ele tem para a vida de vocês, nem para a minha, mas vamos orar”.
A oração começou, irmãos. Até que veio um moço na minha direção, o Pedrinho. A gente o chama de Pedrinho. Ele é tremendo, usado por Deus. Veio, começou a me abraçar e a orar em línguas. Pensei: “Nossa, faz tanto tempo que não escuto essa voz, essa oração em línguas desse jeito. Será que Deus quer falar comigo? Será que ainda pode fazer alguma coisa na minha vida?”
Irmãos, esse homem veio, começou a orar em línguas e a interpretar. Falou no meu ouvido: “Meu filho, fui eu quem te trouxe de lá”.
Na hora em que ele falou isso, passou um filme na minha cabeça. Veio uma unção, uma glória de Deus, e comecei a orar em línguas, coisa que eu não fazia havia muito tempo. E ele falou: “Eu te trouxe de lá porque tenho uma obra para você nesta cidade e, a partir de agora, começo a restaurar cada área da sua vida”.
Irmãos, olha o nosso Deus! E é interessante que, uns três dias antes, eu tinha saído para tomar sorvete com um amigo meu, o Renato, que estava com a Maria Angélica, a namorada dele. Eu os vi tomando sorvete, e aquilo gerou em mim um desejo, sabe? “Nossa, eu sei que já matei esse sonho dentro de mim, mas quem sabe dê certo encontrar alguém assim, para cuidar de mim ou para eu cuidar dela?”
Aí me lembrei de uma passagem da Bíblia sobre Sansão. O poder dele estava nos cabelos, e Deus o usava poderosamente. Mas, um dia, ele se deixou levar pelo pecado, e os inimigos cortaram seu cabelo. Ele perdeu a força. Só que há um simples versículo que diz que, de repente, o cabelo de Sansão voltou a crescer.
Irmãos, naquela hora veio à minha mente esse versículo. Eu já estava meditando sobre a história de Sansão e pensei: “Será que Deus pode fazer brotar de novo a esperança e a força na minha vida?” Três dias depois, eu estava naquele culto, naquela vigília, e Ele falou: “A partir de hoje, começo a restaurar sua vida. Você não vai acreditar”.
A Thaís já estava lá na vigília, né, amor?
“Tava.”
Fiquei sabendo que um monte de gente saiu correndo na hora em que comecei a orar em línguas. Os jovens saíram correndo porque não estavam acostumados. E eu dei cada berro lá, porque Deus tinha falado comigo depois de tanto tempo, de tantos questionamentos.
No outro dia, teve um jantar de gala, uma programação que a gente sempre fazia lá. E me colocaram para jantar com uma amiga da Thaís, só que, de repente, parece que meus olhos brilharam ao ver a Thaís. Mas eu tinha uma coisa dentro de mim: não queria namorar uma moça mais nova. Na minha cabeça, eu não queria mais me envolver; tinha cansado. Só que não sei explicar. Olhei para a Thaís e pensei: “Nossa, ela é diferente das amigas dela. Quantos anos será que ela tem? Uns 16, 17? Mas é muito diferente, é madura”.
Fui observando as atitudes dela. Não sei, encantei-me com a beleza e também com o coração dela. Não sei explicar. Foi Deus que me mostrou.
Terminou o acampamento e não aconteceu nada ali. Ela nem sonhava, né, amor?
“Nem sonhava.”
A Thaís nem imaginava, mas eu não desgrudava os olhos dela. Terminou o acampamento, e pensei: “A fé sem obras é morta. Tenho que fazer alguma coisa. Se eu não fizer, não vai adiantar nada. Ela nem sabe que estou gostando dela, que gostei do jeito dela”.
Irmãos, naquela época, o Orkut era uma peleja, uma luta, porque você mandava uma mensagem e, às vezes, a pessoa demorava um século para responder, se é que respondia. Você não sabia se ela tinha visto ou não. Mas mandei uma mensagem, indo pelas beiradas, né? Mineiro vai comendo pelas beiradas. Falei: “Nossa, gostei de você. Vamos fazer amizade?”
Ela falou: “Vamos, sim”.
Só que aí continuei a conversa, e você nem percebeu, né, amor?
“Não, porque minha amiga estava interessada nele, então aquilo, para mim, era só amizade. Nem pensei nisso, irmãos. Eu não estava nem aí para a amiga dela. Eu queria era ela, mas ela nem olhava para mim. Só que percebi uma coisa: ele era crente de verdade, porque, toda vez que eu conversava com ele, depois de um minuto, ele falava: ‘Vou dormir, porque preciso orar. Tenho meu momento de oração agora à noite’. ‘Não repara, não.’ Poxa, eu ficava esperando o dia inteiro para conversar com ele. Pensei: ‘Gente, essa mulher vive no céu, porque ora demais e fica me cortando’. Estratégia.”
Eu pensei: “Gente, essa é crente”.
“E aí, o que aconteceu?”
“Aí você vai contar, amor. Essa aí você vai contar.”
“Ah, como minha amiga estava interessada nele, meu coração nem tinha considerado aquela possibilidade. Fazia um ano que eu tinha terminado com o filho do pastor da minha igreja. Então falei: ‘Não, não quero me envolver com ninguém agora’. Eu tinha começado a faculdade de Psicologia e pensei: ‘Não, não quero me envolver com ninguém; vou focar nos estudos’. Aí ele apareceu, e começamos a conversar. Ele pegava no meu pé, mandava mensagem — era SMS na época —, conversava pelo MSN e ficava pegando no meu pé.”
Até que a minha prima falou assim: “Taís, ele está interessado. Não sei, você não está vendo que ele está interessado?” Aí eu falei: “Uai, eu nem posso me envolver com ele, porque acho que a minha amiga tem interesse nele.” Minha prima respondeu: “Então, conversa com ela, porque ele está interessado em você.” Depois, ela disse: “Faz um teste: fala para ele que você vai tirar o bolo do forno. Se ele perguntar do bolo, pode saber que está interessado.”
Aí não deu outra, né? Falei que ia tirar o bolo do forno. Ele perguntou: “Ah, que bolo é?” Nossa, a minha irmã faz um brigadeirão que é bom demais! E o assunto rendeu por causa do bolo. Aí vi que ele estava interessado mesmo. Então, minha amiga entendeu que ele não tinha interesse por ela, e a gente começou a conversar. Mas meu coração ainda estava muito fechado.
Aí o amigo dele, o Renato, que é um grande amigo dele, foi ao apartamento dessa menina. Na época, ele morava em Ribeirão, onde eu fazia faculdade. Ele falou: “Não, Juninha, eu vou lá no apartamento dessa menina. Ela tem que dar uma oportunidade para você. Ué, que que é isso?” Ele é gago e, quando chegou lá, nem sabia o número do apartamento em que eu morava. Só sei que conseguiu encontrar o prédio e apertou todos os interfones até descobrir onde eu morava.
Nisso, o síndico, que era policial, desceu e começou a brigar com ele: “O que está acontecendo aí? Que bagunça é essa, apertando os interfones?” Renato começou a gaguejar e não conseguia falar nada. Até inventou uma mentira: disse que era filho do delegado. Ficou com tanto medo do policial que acabou se atrapalhando todo.
Por fim, minha prima, que estava na janela do quarto, de frente para a rua, ouviu o barulho lá embaixo e saiu na sacada. Ela reconheceu a voz do Renato, que era conhecido nosso, e falou: “Não, pode deixar ele subir. A gente conhece ele.”
Ele subiu, conversou comigo e falou assim: “E o que você está esperando? Está esperando descer um anjo do céu e falar que ele é de Deus para você? Dá uma oportunidade. A gente tem que ver o que Deus tem para nós. Não pode ficar só esperando Deus falar que é. A gente tem que dar o primeiro passo.” Então foi ali que abri um pouco mais meu coração, que estava fechado, e a gente começou a conversar, né, amor?
É. Então, voltando ao bolo: na hora em que ela falou do bolo, pensei: “Gente, por essa aí eu faço jejum! Que mulher prendada! Nunca ouvi falar de uma menina da idade dela fazendo bolo e orando toda noite. Meu Deus, pago o preço que for.” E aí realmente me interessei, né? Só que eu não estava aguentando mais, irmãos, porque estava acostumado a fazer tudo do meu jeito. O tempo foi passando, e ela ainda não tinha aberto o coração. Aquilo, para mim, era a maior luta que você possa imaginar.
Aí fui aprendendo a ser guiado pelo Espírito Santo, e não pela minha carne, pela minha vontade. Fui entendendo que o Espírito Santo é a melhor pessoa em quem você pode confiar para ajudar a conquistar alguém e ter um relacionamento abençoado.
O tempo foi passando, e ela não me dava chance de nada. Um dia, saindo da igreja, pensei: “Deus, eu tenho que saber se é ela ou se não é, porque não é possível, estou gostando demais dela.” Aí falei: “Deus, quando eu sair do culto e passar pela porta da igreja, se ela der uma olhadinha, vou ter a confirmação: é ela.” Na hora em que eu estava saindo, ela deu uma olhadinha, e pensei: “Vou persistir.” Mas era uma luta.
É porque Deus queria trabalhar em você, né? Sempre foi muito fácil para você, né, namorar?
Isso aí.
Então, é um conselho para as mulheres solteiras: sejam um pouquinho difíceis. Não tanto a ponto de fechar o coração, mas também não sejam fáceis demais.
E aí, por SMS, né? Era muito seco. Eram só uns textinhos, sem emoção, sem emoticon, sem nada. Eu mandava uns três SMS — ficava caro na época mandar três SMS — e ela só respondia: “Tá bom, um abraço.” Não mandava nem beijo, não mandava nada. Eu pensava: “Gente, olha, muitos detalhes.”
Resumindo, nesse meio-tempo, fui ficando amigo da família dela. Comecei a me aproximar da família pelas beiradas, como eu disse, porque ela não queria. Ela morava em Ribeirão Preto, e eu estava em São Sebastião do Paraíso, cidade onde nasci. Eu pregava lá, na igreja, orava, cantava e participava. E quem ia? A família dela. Fui ficando amigo de todo mundo.
Fiquei sabendo que o irmão dela era extremamente ciumento. Pensei: “Preciso conquistar ele”, e fiz amizade com ele. Ele gostou de mim. A gente saía para comer lanche, tomar sorvete e conversava muito. Também conversava com a mãe dela, que ficava muito preocupada porque a minha vida antes de Jesus era totalmente torta: eu era roqueiro, punk rock, queria ser hippie, usava drogas, bebia e vivia na farra. Ela falava assim: “Ó, Juninho, mas não tem chance nenhuma de você voltar a ser quem era, né?” Eu falei: “Não, nasci de novo. Não quero saber mais daquilo.”
Nossa, porque realmente você teve uma vida, né?
[Risadas.] E fui fazendo amizade com todo mundo. Um dia, eles me chamaram até para ir à fazenda deles. Pensei: “Gente, já estou me envolvendo demais com essa família, nem sei se vai dar certo. E o principal não está colaborando, não está dando certo.”
Cheguei lá na fazenda, e a avó dela, dona Chiquinha, uma mulher fervorosa na oração, nunca tinha me visto. Na hora em que me viu, falou: “Vem cá, moço.” Sentei, e ela disse: “Olha, Deus me mostrou, na hora em que te vi, que você vai ser pastor. E outra coisa: Deus vai te usar muito.”
Você vai chegar a um lugar, vai pregar para tanta gente e vai olhar para si mesmo, pensando: “Nossa, olha de onde Deus me tirou, olha o que Deus está fazendo”. Foi tremendo aquele momento. E ela falou assim: “Você poderia pregar lá na minha igreja semana que vem?” Eu falei: “Posso, irmãos?”
A semana inteira fiquei pensando e orando: “Deus, o que eu vou falar? O que eu vou pregar?” E não veio nada. Cheguei à igreja, uma igrejinha pequenininha, com poucas pessoas, e pensei: “O que eu vou falar? O maior pavor do pregador é esse: não saber o que vai falar”. Pensei: “Vou contar meu testemunho, a única coisa que eu sei de cor, decorada”.
Na hora que comecei a contar o testemunho, lembrei: “Tem um salmo que fala assim: ‘Quem é o homem para que o Senhor se lembre dele? Quem é o homem para que o Senhor o visite?’” Aí citei esse versículo e falei: “Gente, eu sou esse aqui. Quem sou eu para que Deus faça alguma coisa comigo?” E comecei a contar meu testemunho.
O pastor daquela igreja, que eu nem sabia que era pastor, estava aqui atrás de mim. Ele se levantou e foi andando pelo culto. Pensei: “Gente, esse cara está estranho”. Ele foi até uma mulher e ficou em pé. Pensei: “Gente, que falta de respeito! Será que não está vendo que eu estou pregando aqui?” Só sei que ele foi lá e, para melhorar, aliás, parou na minha frente. Pensei: “Acabou, vou apanhar. Fiz alguma coisa errada aqui”, porque eu não estava de camisa, não estava de terno, estava de camiseta.
Ele falou: “Moço, abra a sua mão”. Pensei: “Gente, eu estou pregando”. “Abra a sua mão, moço.” Aí abri a mão. Ele disse: “Não, abra a outra”. Irmãos, deixei o microfone e abri as duas mãos. Ele pegou a aliança dele e a aliança que tinha buscado com a esposa e colocou na minha mão. Falou: “Olha, eu estava no monte orando. Nem sabia que você viria pregar na minha igreja. Deus me mostrou quem você era antes de se converter e me falou que você tem o sonho de se casar”. Depois, falou: “Feche a mão”. Fechei, e ele disse: “Pode anotar: em breve você vai estar no altar”.
Irmãos, fiquei assim, como quem sonha. Não tinha mais cabeça para pregar. Minha vontade era deixar o microfone ali. Não sei o que falei, se contei direito meu testemunho. Só sei que me ajoelhei três vezes. Não estava nem aí para o povo. Ajoelhei e falei: “Deus, quem sou eu, Senhor, para que o Senhor me visite? Quem sou eu para que o Senhor se lembre de mim?” Eu estava sentindo tanta presença de Deus, irmãos.
Na hora que o culto acabou, esse pastor chegou para a avó da Thaís e falou: “Olha, eu não pude contar para aquele jovem, mas Deus me mostrou que ele vai se casar com a sua neta”. Amém. Esse é o nosso Deus, irmãos. Glória a Deus. Aleluia.
Fomos embora e fomos comer pizza na casa da dona Chiquinha. A mãe da Thaís estava com o olho arregalado: “O que aconteceu? Nossa, como assim você vai casar?” Ela já imaginou. Eu falei: “É, Deus falou que vai casar”. Irmãos, ali eu já tinha certeza: era a filha dela. Veio uma paz, uma certeza.
Ela falou: “Não, mas, ainda que Deus tenha falado que vai casar, o tempo de Deus é diferente do nosso, né? Pode ser que demore muitos anos”. “Não, Deus falou que é logo. Deus tem pressa.” E ficou assim.
O tempo foi passando e eu não estava aguentando mais. Um dia, liguei para o Renato, um amigo meu, e falei: “Cara, agora chega, acabou, não aguento mais”. Ele falou: “Não, calma aí”. Voltando a um episódio do meu amigo: ele foi lá e conversou com a Thaís. Resumindo, irmãos, depois daquele dia, quando ele foi lá, a chave virou. A gente começou a conversar e foi vendo que se parecia muito, sabe? O tempo foi passando e tomamos a decisão: “Vamos começar o namoro”.
Já tinham se passado quatro meses desde que começamos a conversar até o momento em que decidimos namorar. Aquele era um dia que ia entrar para a história. Estou brincando. Era o dia em que a gente ia conversar com os pais dela e eu ia pedir ela em namoro. Pensei: “Vamos fazer certo”. Ela falava para mim: “Vamos fazer certo que vai dar certo”. Fui lá pedir para namorar com ela, e chegou o dia de darmos o primeiro beijo.
Irmãos, a gente marcou o dia certinho: “Vai ser dia tal, nós vamos lá na praça”. Eu estava tão desacostumado com relacionamento que não pegava na mão dela. Um dia, ela falou: “Moço, pelo amor de Deus, pega na minha mão!” A gente já estava conversando havia tanto tempo, e eu nem pegava na mão dela. Não sabia mais como fazer. Pensei: “Espírito Santo, você precisa me ajudar a conquistá-la. Eu não sei mais”.
Então, marcamos o dia de dar o primeiro beijo. Fomos à praça, mas teve um porém: meu cunhado — já era cunhado, né? — e todos os amigos dele quiseram sair com a gente para comer cachorro-quente. Oh, meu Deus do céu! Pensei: “Vamos comer esse cachorro-quente rapidinho e nos despedir deles”. Mas não teve jeito. Eles queriam ir embora junto com a gente. Terminamos e fomos embora.
Na hora, pensei: “Sabe quando você não quer sofrer mais? Você cria um monte de barreiras, um monte de coisas assim no seu coração, né? Pensei: ‘Eu não preciso disso. Eu não preciso disso. Sou um homem maduro, um homem, né? Oito anos mais velho. Olha a que ponto cheguei, né? Quero dar só um beijinho’”. E não teve jeito.
Irmãos, na hora que fui embora para casa, com raiva daqueles meninos, o Espírito Santo tocou no meu coração: “Calma, vai dar certo, vai dar certo. Não fica bravo com ela, não. Não foi culpa dela”.
Até que chegou o dia, irmãos. Quando chegou, fomos à praça. Não sei explicar: parecia que a igreja inteira passou na nossa frente. “Ô, fulano, beleza?” Todo mundo. Teve até uma irmãzinha lá que parece que deu um sorrisinho, né? Até que deu certo, irmãos. A gente começou a namorar. Nossa, mas foi uma bênção. Só que tinha um porém.
A Thaí ainda estava fazendo faculdade e falava: “Não, casamento, assim, só depois que eu me formar.” Vixe, eu não aguentava ouvir aquilo. Pensava: “Não, eu já estou velho. Tenho que casar. Vamos casar.” Então, minhas primeiras cartas eram só sobre casamento: “Nós vamos casar e vamos ser muito felizes.” E Deus... Recebi muitas cartinhas, muitas mesmo. Ele escrevia detalhadamente o que pedia a Deus, né, amor? Tudo bem detalhado.
É. E eu falei: “Deus, quero escrever mais cartinhas.” Nossa, agora, com WhatsApp, gente, não tem mais cartinha. Era bom receber as cartas. Verdade. O bom de falar disso em público é que dá para dar umas indiretas. Eu sei que tem muita mulher que fica assim: “Fala, Deus, fala com o meu marido!” É a chance, né? Então, é bom trazer isso à tona.
O tempo foi passando e, nas cartinhas, eu falava que pedia a Deus uma moça morena, um pouquinho mais baixa do que eu, para poder abraçar, e que tivesse um cabelo bom, para não embaraçar com o meu, porque já não bastava o meu. Agora melhorou, porque antes eu usava boné e acabei com o meu cabelo.
Resumindo, irmãos, Deus foi usando ela para me curar e foi me usando para curar ela. Como diz a Bíblia: assim como o ferro afia o ferro, um companheiro afia o outro. O casamento é isso.
Então, estou aqui para te dizer o seguinte: quando Deus te dá algo, é como se fosse um presente embrulhado. A cada camada que você vai tirando, Deus vai te ajudando. Não vai vir do jeito que você está imaginando. A gente cria uma expectativa muito grande.
A minha irmã, por exemplo, se converteu com uns 30 anos, mais ou menos. Na hora, pensou: “Fiquei para titia, não tem mais jeito, ninguém vai me querer. Desperdicei minha vida inteira lá no mundo.” E ela tinha o sonho de casar com um homem com o cabelinho assim, jogadinho, sabe? Boa pinta, malhadinho e tal. E não veio do jeito que ela pensou, entendeu? Meio carequinha. Ele é bonito, gente boa demais, mas não foi nada do jeito que ela pensou.
Irmãos, a gente idealiza tanta coisa e acha que com a gente tem que ser assim. Muitas vezes, é uma visão contaminada, uma visão mundana que a gente tem e quer levar para o casamento. A gente idealiza tanta coisa... E eu descobri uma coisa: Deus não dá o que a gente quer; Ele dá o que a gente precisa. Depois, você vai vendo que era aquilo que você queria mesmo. “Nossa, realmente, né?”
O tempo foi passando e, muitas vezes, eu pensava: “Nossa, na área do ministério, eu sou diferente dela.” E aí Deus usou uma moça para falar: “Olha, vocês dois vão se completar. Imagina se vocês dois fossem iguais?” Então, um completa o outro, sabe?
E aí aprendi que, no casamento, você tem a oportunidade de ligar o modo turbo 2.0. Sabe o que acontece? Hoje tem muito casal em que cada um conta só consigo mesmo, não conta com a ajuda do cônjuge. É como se caminhasse sozinho, sabe? Então, está usando metade da sua capacidade.
Eu tomei a decisão, junto com a Thaí, de unir nossas forças. Para você ter noção, falei para ela no começo: “Olha, não tenho condições; tenho R$ 100 na poupança.” Não que ela ligasse para isso, mas eu não juntei dinheiro no meu tempo de solteiro, não usei a sabedoria. Aí a gente fez uma conta conjunta e foi juntando dinheiro.
Irmãos, é impressionante o milagre do casamento. Quando os dois estão no mesmo propósito, prosperam de um jeito que você não consegue imaginar. É milagre atrás de milagre. Nunca faltou nada para nós. Ganhávamos muito pouquinho, mas tínhamos para emprestar aos outros, não para pedir emprestado. Milagre de Deus, bênção de Deus. Porque a Bíblia diz: A bênção do Senhor enriquece e não acrescenta dores.
Teve discussões no começo? Teve. Ao mesmo tempo, eu pensava: “Acho que Deus está permitindo esses atritos, porque a gente está se afiando um ao outro, para depois ficar uma beleza.” Então, vamos resolver logo os problemas. E fui descobrindo: quanto mais cedo você resolver os problemas, mais tempo vocês vão ter para ser felizes.
Então, não gaste com besteira, sabe? Às vezes, a gente ficava discutindo por uma coisa tão pequena e pensava: “Pera aí, nós estamos brigando por uma coisa que é menor do que nós. Vamos focar em nós dois.”
A Thaí sempre falou uma coisa interessante, e é verdade: no final das contas, da nossa vida, vão ficar o marido e a mulher, porque os filhos vão embora. Então, a gente sempre focou em nós dois, porque, estando nós dois fortes, conseguimos educar bem os nossos filhos.
E assim, é só bênção, né? Não é perfeito. O povo acha que é perfeito, né? Mas não é. A gente aprendeu uma coisa: o casamento perfeito é feito de duas pessoas imperfeitas que se recusam a desistir uma da outra. Eu tomei a decisão: não vou desistir dela, e ela não vai desistir de mim. Amém. Glória a Deus.