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Você provavelmente já ouviu falar que um fenômeno climático está se formando no Oceano Pacífico e pode afetar várias partes do mundo, inclusive o Brasil. O fenômeno se chama El Niño, só que este pode ser diferente dos anteriores. A própria ONU alertou que ele pode estar entre os mais fortes já registrados desde que começamos a acompanhar o clima de forma sistemática. Especialistas dizem que a intensidade prevista é algo que a maioria das pessoas vivas hoje nunca presenciou.
Junto com essa preocupação, começaram a surgir interpretações ligando o El Niño às profecias sobre o fim dos tempos. Há quem veja nesse fenômeno a primeira trombeta do Apocalipse. Outros dizem que o mundo já teria entrado em um dos selos. Mas o que a Bíblia realmente diz sobre isso? A ciência consegue explicar tudo o que está acontecendo? Ou existe alguma dimensão espiritual à qual também precisamos dar atenção? Será que esse El Niño pode ser o começo dos julgamentos descritos no livro de Apocalipse? Existe um detalhe no próprio texto da primeira trombeta, quase despercebido, que pode responder a essa pergunta.
O El Niño é um fenômeno que acontece no Oceano Pacífico e altera o padrão de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo. Quando os ventos que normalmente empurram a água quente pelo oceano enfraquecem, essa água começa a se espalhar em outra direção, e a chuva vai junto. Regiões que normalmente recebem muita água podem enfrentar secas, enquanto outras passam a sofrer com chuvas e enchentes.
Foi daí que surgiu o nome El Niño. Séculos atrás, pescadores do Peru perceberam que essa água quente costumava aparecer perto do Natal e passaram a chamá-la de “o menino”, em referência ao menino Jesus.
O problema é quando esse fenômeno fica forte demais. Existe um exemplo na história que mostra o tamanho da destruição que isso pode causar. Em 1877, um El Niño muito intenso alterou o clima em várias partes do mundo. Índia, China e Austrália enfrentaram secas severas, enquanto outras regiões sofreram com enchentes. A fome e as doenças se espalharam, e milhões de pessoas morreram.
O Brasil também sofreu. No Nordeste, uma seca devastadora fez milhares de pessoas abandonarem o sertão em busca de comida e água. A cidade de Fortaleza ficou tomada por retirantes. A fome e as doenças se espalharam, e depois veio a varíola.
É por isso que uma previsão de três ou quatro graus acima do normal chama tanta atenção. Um El Niño com essa intensidade estaria entrando em uma faixa que a história já mostrou ser capaz de produzir consequências muito graves. E é por isso que algumas pessoas começam a relacionar esses acontecimentos com o capítulo 8 do Apocalipse.
Quando o primeiro anjo toca a trombeta, João descreve granizo e fogo misturados com sangue caindo sobre a terra. Em seguida, diz que uma terça parte das árvores foi queimada, junto com toda a erva verde (Apocalipse 8:7).
Enquanto isso, no Sul do Brasil, frentes frias estacionadas têm provocado fortes tempestades de granizo. Do outro lado do mundo, na Indonésia, o El Niño contribuiu para deixar as florestas mais secas, favorecendo grandes incêndios. A fumaça chegou a atravessar o mar e, no começo deste mês, uma cidade da Malásia amanheceu com uma das piores qualidades do ar do planeta. De um lado, o granizo; do outro, o fogo. E, no meio disso, árvores sendo destruídas e vegetação desaparecendo.
Outros sinais aparecem no capítulo 6, durante o terceiro selo. Ali surge um cavalo preto, e uma voz anuncia que um dia inteiro de trabalho seria suficiente para comprar apenas a comida de uma pessoa por um dia. A imagem é de fome e escassez, e os sinais de escassez também aparecem no mundo real.
Recentemente, duas das maiores agências de alimentos da ONU pediram juntas centenas de milhões de dólares para proteger milhões de pessoas em dezenas de países dos efeitos do El Niño. Nas Filipinas, no Vietnã e na Tailândia, o plantio do arroz já estava atrasado por falta de chuva. E esses países estão entre os grandes fornecedores de arroz da Ásia.
Existe ainda uma passagem que fala sobre o sol. Ela não está entre os selos, mas no capítulo 16: um anjo derrama uma taça sobre o sol, e o sol recebe poder para queimar as pessoas com fogo (Apocalipse 16:8). Enquanto isso, a temperatura da superfície dos oceanos do planeta continua quebrando recordes, chegando, em agosto, ao maior nível já registrado e matando pessoas na Europa.
O profeta Jeremias, no capítulo 30, versículo 7, falou de um dia tão grande que não haveria outro igual e chamou esse período de angústia de Jacó. Quando os cientistas dizem que esse El Niño pode ser mais forte do que qualquer outro já registrado e que ninguém vivo viu algo parecido, a descrição acaba lembrando as palavras do profeta. Mas será que esse El Niño já é o começo da angústia de Jacó?
O livro de Apocalipse apresenta uma ordem que precisa ser levada em conta. No capítulo 5, João vê um livro com sete selos na mão de Deus. Ninguém no céu ou na terra consegue abri-lo, a não ser o Cordeiro, que é Jesus. Os julgamentos começam quando esses selos são abertos, no capítulo 6. As trombetas só aparecem depois da abertura do sétimo selo, e as taças, incluindo a que afeta o sol, aparecem ainda depois, no capítulo 16.
Isso significa que, para a primeira trombeta tocar, os sete selos já precisam ter sido abertos. E, antes mesmo do primeiro selo, a Bíblia coloca outros acontecimentos. Paulo fala, em 2 Tessalonicenses, versículo 2, sobre a revelação do homem do pecado, que muitos chamam de anticristo. Daniel também fala, no capítulo 9, de uma aliança de sete anos. E, nessa interpretação, o arrebatamento da igreja acontece antes de tudo isso.
Então, nenhuma dessas coisas aconteceu ainda. E há algumas diferenças importantes entre as profecias e esse fenômeno. A profecia fala da terça parte das árvores e de toda a erva verde sendo queimada ao mesmo tempo em toda a terra. O El Niño não funciona assim.
Ele acontece em lugares isolados, de formas diferentes. Além disso, o El Niño de 1877 esteve ligado a uma crise que matou milhões de pessoas em várias partes do mundo. Mas o quarto selo fala de poder sobre uma quarta parte da Terra para matar pela espada, pela fome, pelas doenças e pelas feras. É uma escala muito maior, e isso ainda vai estar acontecendo durante os selos. As trombetas vêm depois disso.
Já a angústia de Jacó, anunciada pelo profeta Jeremias, também aponta para um período muito mais longo e extremo. A profecia fala da grande tribulação, um período de grande aflição para Israel e para o mundo, associado ao governo do anticristo. Jesus falou sobre esse mesmo período em Mateus 24 e disse que, se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria.
Um El Niño, por mais forte que seja, tem duração limitada. Depois, as chuvas voltam, a terra pode ser plantada novamente e a vida continua. Mas isso não significa que a Bíblia não tenha nada a dizer sobre o que está acontecendo. Quando Adão pecou, Deus disse que a Terra seria amaldiçoada por causa dele e que ela passaria a produzir espinhos. Então, a criação também foi atingida pelo pecado humano.
Séculos depois, o apóstolo Paulo explica o que aconteceu com ela desde então. Veja o que está escrito: Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.
Foi exatamente assim que Jesus falou em Mateus 24, quando descreveu fomes, terremotos e outros acontecimentos que atingiriam diferentes lugares. Ele disse que essas coisas seriam o princípio das dores. Quem já teve um filho sabe como funciona: a contração vem, passa e depois volta mais forte e em menos tempo. O super El Niño seria como uma dessas contrações.
A verdade é que sempre vai existir alguém dizendo que tudo isso tem uma explicação natural — e tem mesmo. Mas o Apocalipse também descreve um momento em que o sol vai queimar os homens com fogo e, mesmo diante disso, eles vão saber que aquilo vem de Deus. Ainda assim, vão blasfemar contra ele e se recusar a se arrepender. O problema não será mais entender o que está acontecendo. Será um coração que não quer se voltar para Deus.
Apocalipse 16 descreve as últimas sete taças da ira de Deus. Nesse momento, um anjo declara que Deus é justo em seu julgamento. Depois das taças, Jesus volta. O mal é derrotado, e João vê um novo céu e uma nova terra. Então, ouve Deus dizer que fará novas todas as coisas.
Por isso, mais importante do que descobrir em qual trombeta o mundo estaria é saber o que a Bíblia diz sobre quem estará diante de Deus quando tudo isso acontecer. A mesma Bíblia que fala sobre o juízo também mostra a salvação. Jesus levou sobre si o juízo que era nosso, e aqueles que estão nele não estão destinados à ira, mas à salvação.
E, antes dessa nova terra, a Bíblia fala de um período de mil anos em que Jesus vai reinar aqui na Terra. O profeta Isaías diz que, nesse tempo, o deserto vai florescer e águas vão brotar em lugares secos. A mesma terra que hoje pode ficar rachada pela seca, como aconteceu no Ceará em 1877, será transformada.