Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

ELE TENTOU TOCAR NAS CRENTES, MAS NÃO SABIA COM QUEM ESTAVA MEXENDO...

Autor: Admin

Publicado: 2026-10-25

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Mensagem / transcrição

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Meus irmãos, eu acabei de assistir a um testemunho e preciso compartilhar com vocês. Comecei a assistir achando que seria só mais um testemunho, até que vi o relato dele: desde quando era criança, quando se envolveu com o ocultismo, até o momento em que Jesus libertou a vida desse homem. Você fica impressionado, primeiro, ao ver o quanto o mundo espiritual é real e, segundo, ao ver o quanto Jesus é infinitamente mais poderoso do que qualquer poder das trevas. Inclusive, a Bíblia diz que Jesus se manifestou para desfazer as obras do maligno.

Se você está passando por algum tipo de batalha espiritual, se sente cansado, pesado, ou parece que a sua oração não flui, esse testemunho vai despertar você. O testemunho serve para isso: para você relembrar o que Deus já fez na sua vida e o quanto Ele é muito mais poderoso do que qualquer problema que você está enfrentando hoje. Falo isso porque, à medida que caminhamos com Deus, muitas vezes os problemas parecem tão grandes que achamos que Deus já não está na nossa vida, que já não está agindo como antigamente. E não é verdade. Somos nós que estamos perdendo a fé.

Irmãos, até me lembrei de que, quando eu orava pela minha irmã, ela psicografava. Era espírita e não queria saber do Evangelho de jeito nenhum, mas eu orava por ela. Então, um dia, Deus colocou no meu coração que eu ligasse para ela para fazer orações. Irmãos, era impressionante: quando eu ligava para ela, o computador desligava e a luz apagava. Aí ela começou a perceber que, se aquilo tudo estava acontecendo exatamente no momento da oração, era porque alguma coisa estava errada com ela e, na verdade, ela estava sendo enganada. Ela não estava na luz, porque, senão, não haveria tanta resistência.

Hoje, graças a Deus, minha irmã nasceu de novo. Entregou a vida para Jesus. Hoje, está envolvida com missões e tem um coração missionário. Creio que Deus pode fazer isso na sua vida também. Você pode orar pela sua família, crendo que Deus quer salvar todos. É claro que existe um tempo, existe a soberania de Deus; Deus está no controle. Não importa o quanto a pessoa esteja longe de Deus, nas trevas, neste mundo: Deus pode ir até onde ela está e alcançá-la. Amém?

Não vou falar muito, porque quero que você conheça esse testemunho. Abra o seu coração, porque Deus vai falar com você. E todos os dias quero estar aqui orando pela sua vida, na oração da manhã e na oração da noite, e trazendo mensagens edificantes para que você cresça espiritualmente.

Glória a Deus. A minha história começa mais ou menos assim. Eu nasci em um lar evangélico. Minha mãe era presidente do círculo de oração da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Várzea Grande, município de Cuiabá. Meu pai era maestro fundador da banda de música dessa mesma igreja. Hoje, o círculo de oração que minha mãe fundou é chamado de Heroínas da Fé. Tem dez mil pessoas no grande templo, e a banda de música tem instrumentos. Meu pai, que é o fundador, hoje é o terceiro maestro e está vivo. Minha mãe faleceu.

Quando completei seis anos de idade, minha mãe foi acometida por uma enfermidade terrível chamada leucemia, câncer no sangue. Seis meses após essa enfermidade, minha mãe desceu à sepultura.

Vinte e quatro horas após a morte da minha mãe, comecei a ter visões no meu quarto: animais peludos, homens nus e ensanguentados andando dentro de casa. Eu saía correndo desesperadamente pelo corredor. Meu pai me trancava dentro do quarto. Pensava que eu estava ficando doido e amordaçava minha boca.

Até que, um dia, quando me deitei para dormir, apareceu um moço alto, magro, vestido como soldado do Exército, e disse: “O meu nome é Keivor, eu sou o rei das caveiras e o senhor dos pesadelos. De hoje em diante, todas as vezes que você tiver medo, você me chama. Eu vou aparecer, e o medo vai embora”.

Naquele dia em diante, todas as noites, quando me deitava para dormir, eu o chamava. Ele aparecia e, quando aparecia, eu dormia. Começou então a acontecer um fenômeno na minha vida: ele me pegava pela mão direita, atravessava os aparelhos do meu quarto em uma velocidade incrível e me levava a muitos lugares que eu não conhecia.

Pela manhã, eu contava para o meu pai: “Papai, estou indo a alguns lugares, estou vendo uns pratos de barro cheios de sangue, umas velas coloridas”. Meu pai dizia: “Isso é coisa da tua cabeça. Eu estava ficando fraco da cabeça”.

Eu usava um aparelho na perna para consertá-la e uma sandália ortopédica no pé para formar a curva do pé. Até hoje, minha perna direita não é muito boa. Uma manhã, meu pai entrou no meu quarto para me chamar para ir ao colégio. Quando entrou, viu que a sandália que eu estava usando estava atravessada dentro da parede, como se tivesse nascido ali. Aquilo assustou meu pai.

Meu pai chamou umas irmãs do grupo de oração para fazer uma campanha de oração de dez dias na minha casa. Elas oraram naquela noite e, quando foram embora, o medo era dez vezes maior. Eu não via bicho nenhum, não tinha mais visão nenhuma, mas sentia muito medo.

Chamei Keivor. Por volta das duas horas da manhã, ele chegou suado, cansado, como se estivesse correndo de alguma coisa. Olhou para mim e disse: “Quase eu não posso entrar na tua casa. Teu pai começou a falar com aquele homem lá de cima, e, se aquele homem lá de cima der uma ordem, eu não posso voltar mais na tua casa. Faz o seguinte: ao amanhecer, você vai sair da casa do seu pai e vai para a casa da sua tia. Lá na casa da sua tia, a gente vai ficar à vontade para conversar”.

Amanheceu, e eu fui para a casa da minha tia.

Caminhei bastante; eu tinha 6 anos de idade. Quando cheguei à casa da minha tia, ela ligou para o meu pai. Meu pai tomava conta de uma rede de postos de gasolina chamada DMAP, no estado de Mato Grosso. Quatro meses antes de minha mãe falecer, meu pai foi transferido para tomar conta da mesma rede de postos em Porto Velho, Rondônia. Por causa da enfermidade da minha mãe, ele ainda não tinha viajado. Naquela semana, o dono da empresa tinha dado um ultimato ao meu pai: ou ele ia para Porto Velho, ou saía da empresa.

Quando a minha tia ligou para o meu pai, disse: “Olha, seu filho acabou de chegar aqui.” Meu pai respondeu: “Estou feliz. Estou viajando agora, ao meio-dia, para Rondônia, para assumir a empresa. Quando eu chegar lá e tiver arrumado a casa, venho buscá-lo. Você o leva para mim. Vou organizar moradia, casa e mudança.” E assim aconteceu.

O que meu pai não sabia era que, a partir daquele momento, aconteceriam duas coisas. A primeira: chegando lá, meu pai se apaixonaria por uma moça de 15 anos, e eu só veria meu pai 20 anos depois. A segunda: minha tia frequentava um dos maiores terreiros de macumba daquela região.

Lembra quando cheguei à casa dela? Tinha um lugar alto, que nós chamamos de peji. Havia vários bonecos com velas acesas. Perguntei à minha tia: “Tia, que bonecos são esses?” Ela deu um tapa na minha mão e disse: “Não são bonecos, não. São santos.” Mas eu havia nascido num lar evangélico e nunca tinha visto uma imagem de escultura. E quem nunca viu uma não sabe o que é. Debaixo daquelas imagens havia outras, de formatos diferentes, e as velas eram coloridas. Lembrei daquelas visões das velas coloridas e perguntei à minha tia: “Quem são esses outros?”

Ela disse: “Ah, meu filho, esse é o sincretismo entre o clero e a Umbanda. Um dia tu vai entender.” E começou a me dizer: “Aparecida é Iemanjá, Bárbara é Iansã, Luzia é Oxum, Benedito é [inaudível], Lázaro é Omolu, Jorge é Ogum, Sebastião é Oxóssi.” E foi dizendo os nomes do sincretismo entre o clero e a Umbanda.

Não sei se tem alguém aí que já frequentou algum terreiro de macumba. Se tem, há de concordar comigo que todas as imagens de escultura que estão nos altares do clero de Roma também estão nos pejis dos terreiros de macumba. A diferença é que lá no clero recebem missa e rezam novena; lá no peji de macumba recebem charuto e cachaça com mel. Tem até um tal de Santo Antônio: amarram uma fita amarela no pescoço do coitado e o enterram de cabeça para baixo na areia para fazer o povo casar. Ou casa, ou fica enterrado.

Existe um santo que não está nem nos terreiros de macumba, nem nos pejis, nem nos altares do clero de Roma. O nome desse santo é Jesus Cristo de Nazaré. Ele mudou a minha vida; está aqui. Se você deixar, ele vai mudar a tua vida esta noite, em nome de Jesus.

Minha tia disse assim: “Vou te levar a um lugar muito especial esta noite.” Anoiteceu, caminhamos bastante e chegamos a um quarteirão todo murado, com um muro de uns três metros de altura. Ela bateu no portão. Saiu um moço nu da cintura para cima, com muitas miçangas penduradas no pescoço. Ele olhou para ela e perguntou: “Esse é o menino?” Ela disse: “É.” “Menino, entra.”

Quando entramos, havia uma pintura numa parede bem alta. Era até bonita: uma senhora com as mãos postas. Minha tia falou que aquela mulher era a mãe de Jesus. Então pensei que devia ser um bom lugar; afinal de contas, a mãe de Jesus não ia ficar no inferno.

Minha tia entrou e começou a trocar de roupa, colocando um monte de roupas brancas. Foi chegando gente, e eu saí correndo, brincando naquele quintal. O quintal era todo cimentado, num quarteirão grande, e criança é muito curiosa. Havia uns pingos de sangue, como se alguém tivesse cortado um dedo e saído caminhando. Segui aqueles rastros de sangue e cheguei a uma porta vermelha e preta, entreaberta. Entrei.

Quando entrei, não eram mais visões; agora era de verdade. Havia alguidares de vários tamanhos naquela sala, fechados com argila e cravejados de búzios. De cima deles saíam tridentes de três pontas, quadrados e ovais. Também havia vasos enormes, com tridentes enormes. Em alguns tridentes havia cabeças de bodes; em outros, cabeças de galos. Na boca dos bodes havia charutos acesos, e nos bicos dos galos também. Eram só as cabeças dos bodes: puxavam a fumaça do charuto, piscavam os olhos e berravam. Os galos, também só cabeças, puxavam a fumaça do charuto, piscavam os olhos e gargarejavam.

Quando entrei, todos eles abriram os olhos e olharam para mim. Fiquei estático, parado. Minha tia entrou, pegou-me pela orelha e disse: “Você não pode entrar aqui. Aqui é a casa do diabo.” Ela me levou para dentro do barracão. Sentei no último banco, e começaram a bater os tambores. A minha tia mudou de voz, e o rosto dela ficou totalmente desfigurado. Foi para um canto e voltou de lá com uma roupa verde e um penacho de índio que ia até o chão. Logo se formou uma fila de gente para falar com a minha tia.

Depois fui entender o que aquilo significava. São demônios, espíritos mistificadores, que incorporam nos terreiros de macumba, dizendo que eram índios que viviam na Amazônia e que agora incorporam para fazer curas por meio de ervas medicinais, para alcançar uma vida melhor e uma próxima reencarnação. Mas eu não sabia de nada disso. Eu tinha 6 anos de idade.

De repente, entrou uma mulher forte, com o cabelo jogado para a frente. Ela entrou de costas no barracão, apontou o dedo para trás e disse: “Você aí, menino, vem cá.” Tinha um moço na minha frente. Fui me escondendo atrás dele, e ele disse: “É você, está chamando você.” Saí todo trêmulo, com medo. Cheguei perto dela, e ela disse: “Tire a camisa.” Eu tirei. “Tire o sapato.” Comecei a tirar o sapato. Ela começou a me xingar. Vocês não sei se vão lembrar, mas antigamente tinha um sapato... Não sei se era sapato aquilo, se era tênis.

É um negócio chamado Kichute, irmão. Quem nunca flutuou, calça o Kichute. Isso vai flutuar, vai ficar levinho assim, ó. Mas o problema do Kichute é o cadarço, meu amigo. Eu não sei para que eu exagero. O cadarço daquele negócio vem até aqui no joelho. E criança não sabe dar laço, não. Criança dá nó. E eu saía tentando desamarrar o nó, e ela me xingando. Quando terminei, perguntei para ela: “Por que a senhora me odeia?” Ela olhou para mim e disse: “Eu não sou senhora, não sou senhor. Eu me chamo Cabo com Sete Montanhas. É um demônio perigoso, conhecido como Sete Flechas, Sete Capas, Seteilada e muitos outros ‘setes’ que o diabo inventou aí. Está lá fora, amarrado, acorrentado debaixo do pé do anjo de Jesus Cristo, para ser desmoralizado aqui esta noite, em nome de Jesus.”

Ela me disse assim: “Eu vim aqui te desenvolver porque você tem uma grande estrela para ser babalorixá”. A palavra “babalorixá” tem sua origem Ketu, que é “babalá ianissá”. Em Efala, “orixá”. Em Angola, “zelador de orixá”. Em português, “pai de santo”. Lá na sua origem, significa filho de Satanás, discípulo de Satanás, que vai morar no inferno.

Eu quero abrir um parêntese aqui no meu testemunho e dizer a todos os demônios do inferno, onde quer que estejam me ouvindo: eu não tenho estrela para ser babalorixá. Fui chamado desde o ventre da minha mãe para ser um sacerdote, um pastor, um ministro de Deus debaixo do sangue de Jesus Cristo.

Fizeram um círculo em minha volta e começaram a dançar. Eu não sei se foi o barulho dos atabaques, se foi a fumaça dos charutos. Eu sei que, de repente, meus olhos se fecharam e tudo sumiu. Quando você fecha os olhos, pode ouvir com os olhos fechados; você sente a claridade com os olhos fechados. É como se alguém me desligasse da tomada. Eu tinha 6 anos de idade, era bem pequenininho. Como se alguém me desligasse da tomada.

Isso era mais ou menos umas 10 horas da noite. Eu fui voltando; eram quase 4 horas da manhã. Ouvi alguém chegar e dizer assim: “Ó, veio uma ordem lá de cima, e disseram que a gente não pode matar esse menino”. Alguém disse assim: “Mas ele não vai suportar os ferimentos”. Alguém disse: “A ordem é superior, dos superiores. Não pode matar ele, não pode tirar a vida dele”.

Quando disseram isso, senti que alguém me pegou pelo cabelo, me colocou nas costas e começou a rodar comigo com muita velocidade. Quando aquela pessoa parou de rodar, eu saí das costas dela e bati com muita força na parede. Quando bati na parede, rolei até o chão. Quando bati no chão, abri os olhos. Meu corpo doía muito, eu sentia muita dor. Quando abri os olhos, olhei e vi um banquinho de madeira, daqueles redondos. Puxei o banquinho e, com muita dificuldade, fiquei em pé. Quando fiquei em pé, olhei para o chão: tinha muito sangue em minha volta.

Olhei para os dedos dos pés. Os dez dedos estavam cortados até a primeira junta, abertos e sangrando. Da ponta do tornozelo até a linha do tórax, eu estava profundamente queimado com charutos, e o sangue minava. Olhei para os pulsos: os dois estavam cortados e sangrando. Quando tentei abrir a boca para falar, meu sangue jorrava. Minha língua estava cortada no meio, de ponta a ponta, aberta e furada, como se fura um bife para bater.

E a minha língua é assim até hoje, porque língua sara, mas não cicatriza. Pela medicina, eu não poderia falar, porque nós temos um nervo de sustentação no meio da língua, um só. O meu foi cortado de ponta a ponta quando eu tinha 6 anos; minha língua abriu no meio, e furaram a minha língua todinha. E a minha língua é assim até hoje, porque língua sara, mas não cicatriza.

Quando abri a boca, meu sangue jorrava. Olhei para minha tia. Ela olhou para mim com muito ódio, e eu, com muita dificuldade, perguntei para ela: “O que aconteceu comigo?” Ela olhou para mim e disse assim: “Você não vai morrer”.

Alguns anos depois, conversando com o demônio, ele me disse que minha tia tinha feito um suposto pacto com Satanás para ganhar numa loteria federal, ou numa suposta loteria. Satanás pediu a ela que levasse alguém que tivesse o sangue dela e tivesse menos de 7 anos de idade para ser oferecido em sacrifício. Como havia vários demônios incorporados, eles cortaram meus pés para tirar o sangue deles. O sangue dos dois pulsos, que estava sendo aparado em alguidares diferentes, seria oferecido a Satanás. Eles queimavam meu corpo para ver se havia reação de vida.

Eles iam cortar minha boca até o canto do maxilar, deslocar meu maxilar e arrancar pela boca o coração e o pulmão, junto com a língua. Tinha que sair vivo e batendo para ser feito um ritual no cemitério para um demônio chamado Omolu. Então, eles cortaram minha língua para segurá-la, para a língua não enrolar. Quando iam cortar minha boca até o canto, arrebentar meu maxilar e arrancar, foi quando chegou essa ordem.

Meu corpo seria cortado em pedaços, frito no dendê, e os demônios incorporados iriam comer a minha carne. Os ossos, depois de fritos, seriam socados num pilão, e se faria um pozinho branco chamado “zorra”, que se vende em qualquer casa de magia negra. É assim que são feitos os trabalhos de magia negra com criança nos terreiros de magia negra.

Essa era a vontade do diabo: tomar todo o meu sangue e fazer pó dos meus ossos. Mas a vontade de Deus era que eu estivesse aqui hoje, dando glórias ao seu nome. A vontade de Deus foi maior na minha vida.

Isso era uma sexta-feira. Fui para a casa da minha tia carregado, dormi sexta, sábado e domingo. Não acordei, não bebi água, não fui ao banheiro, como se estivesse em coma. Na segunda-feira, de domingo para segunda, umas 5 horas da manhã, um barulho ensurdecedor vai entrando dentro do quarto. Quando abro os olhos, vem entrando uma sombra de aproximadamente 3 metros de altura, uma sombra bem grande.

A cabeça parecia um bujão de gás, os dois olhos como uma brasa quando está amortecendo, e os braços compridos arrastavam até o chão. Na ponta da mão, ele tinha três dedos, com unhas grandes, como se fossem de ferro. Ele arrastava aquela unha com muita força pelo piso da casa, fazendo um barulho fino, horrível, ensurdecedor.

Não sei se alguns de vocês já tiveram essa sensação: você está acordado, grita, mas ninguém ouve. Você faz força, mas parece que tem água na mão. Ele se aproximou de mim, colocou a mão aqui, na caixa do meu tórax, e me arrastou da cama. Literalmente, me trouxe a um palmo do nariz dele. Quando abriu a boca, era como uma mistura de enxofre com uma fornalha aberta. Ele me disse assim: “Eu não preciso mais me disfarçar para você como ser humano. Eu odeio o ser humano. Os macumbeiros por aí me chamam de Xangô.”

Ele me disse: “O meu nome também não é Keivo. Os macumbeiros por aí me chamam de Xangô, mas o meu nome é Mayanum de um Zambe. Sou demônio-chefe de uma legião de 12 mil demônios. Eu sou o dono da sua cabeça, sou o senhor do seu destino. De hoje em diante, tu não senta à mesa, tu não pega em vidro, tu não pega em alumínio, tu não pega em louça, tu não dorme na cama, tu não senta no alto. Tu vai sentar no chão, vai comer no chão, vai dormir no chão, tu vai tomar banho quando eu mandar, vai cortar a unha quando eu mandar, vai cortar o cabelo quando eu mandar, porque eu sou o dono da sua cabeça e o senhor do seu destino.”

Errou de novo: o dono da minha cabeça é Jesus Cristo de Nazaré, e o senhor do meu destino é o Espírito Santo de Deus. Eu entreguei a minha vida nas mãos deles e, literalmente, disse assim: “Vamos tomar o café da manhã”. E ele saiu me arrastando, porque as minhas pernas não tinham movimento.

A porta do quarto da minha tia estava entreaberta. Eu olhei para ela e vi que ela me viu. Quis chorar, quis gritar, mas não tinha força. Ela olhou para mim, fez um ar de riso e virou o rosto para o outro lado.

No fundo da casa da minha tia, tinha um lugar cercado onde ela criava animais para fazer ritual de magia negra. Lá dentro tinha bode, galinha, tudo quanto é animal para matar. Ele parou na porta, estendeu a mão, e as aves começaram a descer do poleiro. Um galo grande, vermelho, enorme, voou e bateu com os dois pés no meu peito. Eu quase caí. Ele pôs a mão no peito do galo, segurou a cabeça dele com essa mão, arrebentou-a, pôs a mão na minha nuca e enfiou o pescoço do galo dentro da minha boca. Fez com que eu bebesse todo o sangue daquela ave e disse: “Esse é o teu café da manhã. De hoje em diante, todos os dias eu venho tomar café da manhã com você”.

Daquele dia em diante, passei a fazer parte de um ritual chamado leri. Aquela carne que era morta era colocada num alguidar, coberta com dendê. A comunheira da casa da minha tia era de algum... Ela oferecia aquilo a algum... Meia-noite, ela descia a obrigação. Não sei se você sabe que o azeite protege a carne. Aquela carne apodrecia das cinco da manhã à meia-noite. A minha tia descia aquela carne podre, cheia de bichos, uns bichos brancos grandes. E eu tinha que comer toda aquela carne podre. De manhã, me alimentava de sangue; à meia-noite, de carne podre.

Começava assim a minha história como vodunce na nação de Angola. As pessoas vinham de vários lugares do Brasil para conhecer o menino de seis, sete, oito anos, que incorporava com todo tipo de demônio, caboclo, erê, preto-velho.

Com nove anos, deitei pela primeira vez no Roncó de Angola. Fiquei 21 dias dentro de um quarto fechado, dando meu sangue a demônios, me alimentando de vísceras de animais. Nesses 21 dias, foi feito na minha cabeça o bori de Mavembe. Bori de Mavembe significa nascer do ventre da magia negra, do ventre de Satanás, para a magia negra. Foi morto na minha cabeça um boi; para cada pé do boi, um bode; e, para cada pé do bode, um galo. Tudo o que se faz no candomblé é calçado. Usa-se muito sangue no candomblé.

Tem alguém aqui que já foi do candomblé, que já foi de santo? Levante a mão bem alto para eu ver quem já foi do candomblé, lá atrás. Quem mais aqui? Quem mais? Qual era a nação? Angola. E lá atrás, qual era a nação? Ketu. Tem mais alguém? Já foi de Angola, de Ketu ou de Jeje-Fon? É bom ter duas pessoas aqui. O testemunho de duas pessoas já é verdadeiro. Amém, irmãos.

Porque, um dia desses, eu estava escutando o testemunho de um camarada que dizia que foi feiticeiro, pai de santo e não sei o quê. Aí ele estava dizendo que o pai de santo fazia cocô e xixi no abô. Eu disse: “Camarada, esse nunca entrou no Roncó de Candomblé. Não sabe nem o que está falando, não sabe nem o que é a boa na vida, né?”

Então, nesses 21 dias, foi feito na minha cabeça o bori de Mavembe. O bori é feito com... Agora vou falar com mais detalhe: o bori é feito com tudo que o ser humano come. Existem muitos testemunhos mentirosos por aí. Existe muita gente fantasiando o diabo. Eu vim aqui para te dizer que Jesus tem poder para transformar o homem mais perdido e fazer dele um homem transformado para a glória de Deus. Estou aqui para te dizer uma grande verdade hoje. Então, segura aí.

No bori de Mavembe, foram colocadas na minha cabeça três pedras: uma de prata, uma de bronze e uma de ouro. Prata: incorporação, para Satanás poder entrar e sair da minha vida na hora que quisesse. Bronze: localização. Ouro: Satanás saber o que se passava dentro da minha mente. Demônio nenhum sabe o que o homem pensa. Depois desse ritual, ele passa a saber o que está dentro da mente do homem.

Eu tenho as curas no peito, nas costas, na cabeça, nos pés, na perna, na língua e na boca. Eu ia fazer uma praça que uma vez Jesus me deixou, e foi bom, porque as marcas do candomblé só o candomblé faz; só quem passou pelos rituais fica com as marcas. O meu contra-egum, usei por 14 anos. Para arrancá-lo da carne, tive que rasgar a carne.

Então, os dois braços são marcados, terrivelmente rasgados. É uma escravização terrível. Quer ver, pastores? Essa moça, essa senhora... Como é que é o teu nome?

— Salete.

— Tu usou contra-egum? Quanto tempo?

— Dois anos.

É uma escravização. Amarra os braços. Não é essas coisas simples que vocês já viram por aí. Não, irmãos. Não é uma galinha e um sapo, não. Não é, não. Amarra algo aqui nos dois braços da pessoa, que é chamado de contra-egum. Eu não vou ter tempo de explicar a vocês o que é egum, mas aquilo vai entrando dentro da carne com os anos. Aquilo fica dentro, para arrancar. Ele chega sem dó, pega aquilo e rasga a carne da pessoa. É horrível a magia negra. É horrível o candomblé.

Hoje eu tenho só as marcas, só as marcas. Jesus não deixou fazer a prática, e foi bom. Lá na África, eu tive que tirar a camisa; os babalorixás viram as marcas e deixaram eu contar meu testemunho, e mais de três almas aceitaram Jesus como Salvador. Mas, assim como eu tenho as marcas no braço, nos pulsos, na língua, no corpo, só tenho as marcas. Assim mesmo. Eu tenho as marcas das três pedras na cabeça, mas só as marcas. Porque, no dia em que eu entreguei a minha vida para Jesus, Ele arrancou as três pedras da minha cabeça, meteu goela abaixo da boca de Satanás e selou a minha mente. A minha mente é propriedade exclusiva de Jesus Cristo, só de Jesus.

E talvez... No Borid Mavem, deixa eu continuar falando sobre o Borid Mav. Depois que a pessoa está raspada e catulada, arrancam-se as pernas das aves, tudinho, e a pessoa fica toda lavada de sangue. Aquilo gruda na pessoa: as aves, o cabelo, as pernas, a cabeça, até os pés. Aí arrancam o couro do boi e enrolam a pessoa dos pés à cabeça. Fica igual àquele casulo de mariposa, deitada numa posição chamada... Eu já falei várias vezes isso no meu testemunho, não já? Você já ouviu essa palavra outras vezes?

— Não.

— Como é que é o nome da posição em que deita na esteira?

— Hum...

— Não, como é que é o nome da posição em que deita na esteira?

— Muzenza.

Deita numa posição chamada muzenza e não pode se mover. Na casa de Angola, tem um ritual de um demônio chamado Tenabé Vessan ou Angurô. É um ritual chamado rumbê. Só no roncó de Angola tem rumbê, né? O que é rumbê? Quem nunca entrou no roncó não sabe o que é rumbê. Rumbê é feito a esses demônios. Dentro tem uma cobra, uma serpente. A serpente que tinha lá era uma cascavel. Uma cascavel de um ano. Uma cascavel de um metro. Uma cascavel de um metro. É uma cascavel grande.

O iaô está deitado numa posição só. Meia-noite, Satanás entra na cobra e vem andando. Coloca a cabeça da cobra, da serpente, no queixo do iaô e conversa da meia-noite às cinco da manhã. E o iaô pode fazer duas coisas com a cabeça: isso aqui, ó, que concorda, ou que não concorda. Se eu tivesse feito assim, eu estaria morto. Não estaria aqui falando para você.

E Satanás conta a história da terra segundo a visão dele. O diabo acredita que vai vencer o ser humano. O diabo acredita que vai ter mais pessoas no inferno do que no céu. O diabo acredita que vai vencer Jesus. O diabo acredita que vai vencer a igreja. O diabo acredita que toda mulher é uma prostituta e que todo homem é um desgraçado sem Deus. O diabo acredita que todo ser humano já nasceu derrotado.

No Borid Mavem, fiz o taquim, pacto de morte. E talvez você tenha algo que marcou a sua infância; eu também tenho algo que marcou a minha.

No dia do meu aniversário de dez anos de idade, cheguei para minha tia e disse: “Tia, hoje estou fazendo dez anos de idade.” Ela disse: “Eu sei.” “A senhora vai fazer uma festa para mim?” “Inesquecível.” Eu passei o dia; não vi ninguém enchendo balão, não vi ninguém fazendo bolo. Na casa da minha tia tinha um tambor; quando ela ia fazer festa, enchia de gelo e refrigerante. Eu fui lá, olhei umas três vezes. Não tinha nada dentro. “Não tem nada, minha tia não vai fazer nada, não.”

Quando deu mais ou menos umas dez horas da noite, comecei a ver as pessoas do candomblé passando para dentro do barracão com ritual de magia negra. Eu pensei: “A minha tia pegou algum trabalho de magia negra muito forte e não quer me contar, não quer nem que eu veja.”

Quando foi umas onze e meia, minha tia foi lá dentro e disse: “Olom, vai lá para o barracão, que vai começar a tua festa de aniversário.” Falei: “Festa surpresa?” Surpresa! Fiquei muito feliz. Qual criança não gosta de festa surpresa?

Quando cheguei no barracão, ele estava tomado de ritual de magia negra. Não tinha um metro que não tivesse magia negra. Eu fiquei olhando: no meio tinha uma bacia de alumínio e tinha muita matança. Até jabuti ela matou. Bode, galinha, galo, até jabuti, sapo, aranha. E, no meio, tinha uma bacia.

Aí disse: “Tira a roupa.” Fiquei nu como no dia em que nasci. Ela me botou dentro daquela bacia, derramou sete litros de pinga na minha cabeça, me tirou daquela bacia e tacou fogo na pinga. Disse: “Espera aí, eu vou lá para casa. Daqui a pouquinho vai chegar o teu presente.”

Fiquei lá parado. Dez minutos depois que ela foi embora, no máximo, do lado de fora, foi se materializando uma sombra magra, alta, com uma capa preta, o rosto vermelho, os dentes todos para fora, orelha comprida. Aquela sombra vinha andando, mas não mexia os pés; vinha falando, mas não mexia a boca. E vinha batendo a mão bem devagar e dizendo: “Parabéns, parabéns, parabéns.”

Quando ele entrou no barracão, veio aquela sensação de novo: querer gritar e não conseguir, querer mexer e não conseguir. Eu fiquei como uma estátua, estático. Ele se aproximou de mim, deu três voltas ao meu redor, sentou aqui no chão do meu lado, mostrou todos os dentes para mim e disse assim: “Eu vim fazer contigo o pacto de morte. Os macumbeiros por aí me chamam de Trancaua, mas o meu nome é Sultangriel. Sou demônio chefe de uma legião de 26 mil demônios, que atuam na força do meu braço na terra para matar vidas e destruir pessoas. Sou a terceira pessoa de Satanás no inferno. E essas são as sete palavras da magia negra que abrem o portal da morte.”

Quando você disser essas sete palavras, poderá matar alguém. Quando abrir o portal, terá que derramar sangue. Essas são as sete palavras do taquim e da magia negra: “Daqui a tantos anos, meses, dias e horas, eu venho te buscar”. Esse é o pacto de morte.

Graças a Deus, esses dias, meses e anos já passaram faz muito tempo. Jesus quebrou o pacto de morte e fez comigo um pacto de vida eterna.

Ele disse: “Satanás te mandou um presente do inferno”. Botou a mão atrás das costas, tirou um punhal de trás da capa. O punhal cortava dos dois lados. O cabo era desse tamanho e dessa grossura. O cabo do punhal era feito de crânios de pessoas, de crianças. Mas não era uma cabeça só, não: eram vários crânios do tamanho da cabeça do meu dedão aqui, ó. Cabecinhas de criança coladas, fundidas assim, osso com osso, por dentro e por fora, formando um cabo grosso.

Ele disse assim para mim: “Existem sete punhais como esse na Terra. Este é o oitavo punhal e é o maior símbolo da magia negra no mundo. O amor mais próximo ao amor do homem lá de cima é o amor de uma mãe. E, se uma mãe é capaz de matar um filho e jogar fora, é sinal de que o mal está vencendo o bem”. Essas eram crianças que foram abortadas. Na cabeça da criança estava escrito o nome completo da mãe, e no maxilar estava escrito “assassina”.

Eu disse: “Um dia nós vamos apresentar esse punhal a alguém e vamos provar que o mal está vencendo o bem”. Ele disse: “Quando você morrer, eu venho te buscar. Quando vier te buscar, vou buscar você e o punhal, e você e o punhal vão comigo para o inferno novamente”. Ele falou assim, sorriu e disse: “Este é o presente do seu aniversário”.

Passou o punhal na boca, virou-o e introduziu na minha perna esquerda, até tocar nos meus ossos. Quando bateu nos meus ossos, senti um choque aqui, ó, do fio do cabelo até o pé. Do jeito que eu estava, caí para a frente de uma vez. Quando bati a boca no chão, os dentes estouraram. Esta marca nos meus lábios, na frente, é dos meus dentes, que entraram na minha carne.

Ele puxou o punhal, e meu sangue jorrava como torneira. Ele bebia o meu sangue, mordia a minha carne e dizia para mim: “Este é o teu presente de aniversário. Todos os anos, no dia do teu aniversário, eu venho comemorar com você. O teu sangue é a minha bebida, e a tua carne é a minha comida”.

Todos os anos, no dia do meu aniversário, não importava onde eu estivesse nem o tamanho da festa: quando dava dez para a meia-noite, eu tinha que sair, entrar no mato grande, encontrar uma árvore alta, tirar a roupa, ficar nu como nasci, acender uma vela, colocá-la na mão e esperar que ele chegasse. Ele chegava, sentava, sorria, colocava o punhal sempre no mesmo lugar, bebia o meu sangue e mordia a minha carne para me fazer sangrar. Depois, dizia: “Até o ano que vem”.

Foi assim todos os anos da minha vida, até o dia em que Jesus entrou na minha vida, até o dia em que Jesus estendeu as mãos, deu uma ordem ao inferno e pôs fim a essa história de dor na minha vida.

Eu não sei o que Jesus significa para você. Não sei o que o cristianismo significa para você. Não sei o que ser evangélico significa para você. Para mim, Jesus é o ar que eu respiro. Jesus é a minha vida. Jesus é o único motivo pelo qual estou vivo. Tenho plena convicção de que sou fruto da misericórdia de Deus.

E vou dizer uma coisa para você: essas lágrimas no meu rosto não são de tristeza, nem de felicidade, porque não tenho palavras para agradecer a Jesus pelo que ele fez na minha vida. Hoje, dia 24 de setembro, daqui a poucos dias vai ser meu aniversário de novo. Mas, nesses aniversários, a igreja está orando, eu estou cantando e Jesus está presente na festa.

Daí para a frente, tudo o que você pensar sobre magia negra, eu vivi. Com 15 anos, me tornei o pautum da magia negra, tor príncipe da magia negra. Ia para o cemitério, violava túmulos de pessoas para praticar voduns. Fazia bonecos com vísceras, crânios, cérebros e corações de pessoas, para colocar espinhos e agulhas no corpo delas.

Não sei se alguém de vocês já viu no jornal pessoas com centenas de agulhas no braço e na perna. Alguém já viu? Quem já viu, levante a mão. Isso é vodu: destruir a vida das pessoas por meio da magia negra.

Eu não tinha paz, não tinha amor, não tinha consciência. Tinha 1,80 m de altura, 53 kg, era viciado em cocaína, estava tomado por demônios até o fio da cabeça. Não conhecia misericórdia nem piedade. Tudo o que você pensar sobre a podridão da magia negra, eu vivi, até que um dia aconteceu algo que mudou a história da minha vida.

Abri o meu 23º terreiro de candomblé na Rua do Quilombo, número 220, no bairro Santa Helena, em Cuiabá, Mato Grosso, um bairro nobre. Seis casas acima da minha morava um homem chamado Rubens, pastor Rubens.

Existe um ritual feito no portão de segurança da casa de candomblé chamado Amalebani. O ritual era feito uma vez por semana na minha casa. Eu me levantava pela manhã e, quando jogava búzios para o barracão, os demônios diziam que a segurança da casa tinha sido quebrada. Eu tinha que refazer tudo de novo. Eu perguntava a eles: “Por quê?”. “Tem uma demanda muito forte vindo contra você.”

Todo dia, às seis horas da tarde, o pastor Rubens saía para a igreja ou para a faculdade. Ele parava a caminhonete na esquina, subia em cima dela, levantava as duas mãos na direção do meu terreiro de candomblé e dizia: “Jesus, fecha esta casa de macumba, tira essa macumba do meu bairro, salva este macumbeiro e faz dele um pregador da tua palavra”. Quando ele orava, quebrava toda a força da casa de candomblé.

Um dia, aconteceu algo que marcou a minha história. Eu jogava búzios na Bandeirante e respondia no ar por telefone. Um dia, cheguei em casa e tinha um moço me esperando para jogar búzios. A minha casa de candomblé tinha muita gente.

Eu cheguei, sentei, ele sentou comigo, olhou para mim e contou a história dele. A história era assim. Ele disse: “Olha, moço, eu morava em São Paulo, mudei para Cuiabá, meu telefone voltou para Telestre, vendi a minha casa e emprestei quase 300 mil para uma família de japoneses que está trabalhando no Japão.”

Alguém chegou lá e me deu esse bilhete da minha mãe. No bilhete que ela mandou para mim estava escrito assim: “Me liga, eu já tenho quase todo o dinheiro para te pagar.”

Ele disse: “Eu liguei para esse número. O rapaz não está mais nessa empresa; está numa mineração de gás, numa ilha em Tóquio. Para eu falar com ele lá, ele tem que autorizar de lá para cá. Como eu não consigo falar lá, ele não autoriza de lá para cá. A possibilidade de isso acontecer, de ele me ligar e o telefone dele aparecer para mim...”

Falei: “Me dá o nome dele.” Ele me deu o nome. Joguei búzios, perguntei para os demônios, e os demônios me disseram: “Faça o seguinte: faça um ritual desta forma, faça um ebó dessa natureza, e a gente vai lá. Vão sair daqui dois demônios, vamos entrar dentro dele lá no Japão, vamos incorporar nele. Vamos fazer com que ele pegue um telefone e ligue para você no celular dele. Vai aparecer o número, e a gente sai dele lá; ele fica com o número gravado. Depois, ele liga.”

Chamei ele e combinei o preço. Para um ritual dessa natureza, eu necessitaria de 12 bodes e, para cada pé do bode, um galo. Tudo se faz no galombré, é calçado. A palavra chama-se ebó. Quando estava tudo pronto, eram 33 pratos de um ebó. Fui ao fundo do barracão pegar animais, mas não havia animais suficientes. Eu estava com o recolhido; tinha feito matança dois dias antes. A casa onde eu comprava animais, se eu ligasse e mandasse trazer um caminhão de bode, Deus levava. Eu liguei, mas estava fechado. Olhei no relógio: eram mais ou menos 7 horas da noite.

Antes de conhecer Jesus, eu andava com demônios, falava com demônios, dormia com demônios. Hoje, não. Hoje eu ando com Jesus, hoje eu falo com Jesus. Hoje eu sou coberto pelo sangue de Jesus. Eu e Jesus. Jesus e eu. É uma bênção.

Dois demônios apareceram para mim e disseram: “Olha, fique tranquilo. Vá lá para a frente, abra os portões, coloque os rituais lá na frente. Quando passarem duas moças, não podem ser mulheres aparentando idade, nem casais; têm que ser duas mulheres jovens. Você abre o portal, pega o fogo do mundo físico, traz para o mundo espiritual, nos ordena o ritual, e vamos entrar dentro delas. Vamos fazer com que elas caiam na encruzilhada. No lado esquerdo da minha casa, na esquina, tinha um caminhão de lixo. Não vão soltar o caminhão; o caminhão vai passar por cima delas. Você vai lá e tira um pouco do sangue de cada uma delas. Tire o pé esquerdo, a mão esquerda, a orelha esquerda, o olho esquerdo, o fígado, o rim, o pulmão esquerdo e o axé.”

Espero que você nunca tenha aberto um ser humano, mas aqui, no meio, nós temos uma inter... telazinha, parece uma cartilagenzinha que segura a musculatura para não tocar no fígado. É chamada de antiga; antigamente, os antigos chamavam de “arca caída”, “mãe do corpo”. É uma cartilagenzinha que segura aqui a musculatura. Os demônios chamam de axé. Quando você abre um corpo, corta por baixo, quebra para cima. A palavra axé significa força de Satanás. Ilê, casa de força de Satanás.

Desculpe, mas axé não é ritmo, tá? Não. Meu pai é maestro, maestro de banda. Eu sou músico. Se você me perguntar o que é música, eu sei lhe dizer. Música é arte, manifestar a fé da nossa alma diante do som. Eu leio qualquer partitura na clave de sol ou na clave de fá. Não toco nada porque gosto de ler a Bíblia, mas axé não é ritmo.

Você sabe o que significa axé? Sabe o que significa axé? Força de Satanás. E Satanás é mestre em disfarçar ritmos, viu? Mestre. Todos os ritmos são de Jesus. Satanás não tem nenhum ritmo. Ele não é... Ele não tem nada. O que ele tinha de música, ele perdeu. Por isso que ele usa os tambores. Tu sabia que o tambor é a única comunicação muda e que os tambores falam, e que existem toques que são palavras?

Então, guarde bem essa palavra que eu vou te dizer agora: não diga aquilo que você não sabe. Tem uma música fazendo muito sucesso aí, uma música africana. Já vi até crente ouvindo isso em casa, já vi até jovem cantando. Uma música está fazendo o maior sucesso. Você vai lembrar o nome da música. E diz assim: “Danda Luna mãe bandooquê”. Quem já ouviu essa letra por aí? “Danda Luna mãe bandquê”. Quem já ouviu?

Dandaluna é o... viu? “Da Luna” é o nome de um demônio. Não é, não é “Duna mãe band”. Você está dizendo assim: “Oxum, traga sobre mim todos os males dos mortos que estão sobre as águas.” Quando você está ouvindo isso no rádio, no rádio do teu carro e no rádio da tua casa, é isso que está sendo profetizado dentro da sua vida.

Ele me perguntou: “Você topa?” Digo: “Topo.” Fui lá para a frente, abri os portões, coloquei [inaudível] e fiquei lá, o demônio endemoniado em pessoa. Passava alguém e fazia o sinal da cruz; alguém tirava o crucifixo do peito e botava na boca. Alguém tirava o patuá do bolso e botava na testa. Mas nós sabemos que demônio não tem medo de cruz, não tem medo de reza, não tem medo de patuá. Se demônio tivesse medo de cruz, a gente não via magia negra no cemitério. Não tem lugar para ter mais cruz do que cemitério.

No dia primeiro de janeiro, o mundo inteiro vê aquelas mães de santo subindo os 26, os 23 degraus do Bonfim, com aquela vasilha branca na cabeça, para fazer a lavagem de Oxalá. Aquela vasilha branca chama-se terrina. Dentro daquela vasilha branca vai uma água chamada água de amaci e, dentro, vai uma semente chamada biorobô. E dentro da semente vai o nome das pessoas que elas mataram o ano todo na magia negra. E elas jogam aquelas águas nas caras do santo, da igreja católica, e eles não fazem nada.

Depois vem um camarada de vestidão, coloca um suspiro na boca dele, dizendo que é o corpo de Cristo, e vão todos para despachar macumba, para ir a manjar. De repente, vão passando duas moças magrelas, bem magras. Uma era tão magra que, no lugar do joelho, tinha um nó, dois nós. Cabelo comprido, bem vestidas, com um livro desse aqui na mão e cantando. Eu lembro como Moisés cantava o hino assim: “Ó sangue precioso, sangue puro, sangue de Jesus”.

Eu fiquei olhando e pensando: “Eu precisando de sangue, e essas meninas falando de sangue”. Uma delas olhou para mim e disse: “Boa noite”. Eu tinha muita raiva de crente, irmãos. Vi que eram crentes. Minha maior vontade no mundo era matar um crente.

Eu lembro uma vez que cheguei ao correio. Eu estava de obrigação de sete anos. Então, estava com a cabeça raspada, com o quê no pescoço e o quê todo enrolado com pano branco, e com todas as minhas miçangas do pescoço. Quando uma pessoa já é babalorixá e está de obrigação, usa no pé um sininho chamado chaorô. Porque, quando ele vem andando pela casa, todas as pessoas da casa que têm menos anos de santo na macumba precisam se abaixar. A pessoa é julgada pelo tempo de santo: quanto mais tempo de macumba, mais forte é na magia. Então, as pessoas mais novas no candomblé têm que ficar abaixadas, com a cabeça no chão, enquanto o ebome vai passando, em obrigação.

Eu ia com aquele negócio todo, cheio de barulho, de sino. Quando cheguei à porta do correio, o irmãozinho olhou para mim e disse: “O sangue de Jesus tem poder”. Eu falei: “O que foi, rapaz?” Ele disse: “Quero dizer para o senhor que, se não aceitar Jesus, o senhor vai para o inferno”. Eu olhei para ele e falei: “Você vai primeiro”. Fui ao carro pegar o revólver, mas, graças a Deus, o irmão foi embora.

Eu era muito ignorante. Ele não estava falando errado, não. Estava falando a verdade. Eu é que não conhecia Jesus.

Às vezes, os crentes me faziam andar muito, irmãos. Eu ia andando aqui, caminhando normalmente, mas ia aonde os outros diziam: “Para”, e eu parava. Diziam: “Vira para a direita”. Eu perguntava: “Por quê?” “Não pode pular aqui, não. Aqui tem rastro.” Eu dizia: “Rastro? Não estou vendo rastro nenhum”. “Tem aqui. Passou um rastro daquele pessoal, daquele homem lá de cima. A gente não pode pular por cima do rastro deles, não.” Eu perguntava: “Por quê?” “Eles são muito carregados. Dependendo da pessoa, tem que fazer obrigação, tem que fazer sacudimento, fazer até recolhimento. Tem que ficar até o recolhimento, até ficar bom. Tem que fazer. Eles têm... Então, eles são muito carregados.”

Nós somos carregados mesmo, né, irmãos? Até a tampa, né, do poder de Deus, da unção do Espírito Santo, né? E eu vi que eram crentes. Concentrei-me no que estava fazendo. Os dois demônios estavam de cada lado, esperando para fazer o ritual. Quando me concentrei novamente, peguei o fogo do mundo físico que trouxe o mundo espiritual e olhei para o demônio, vi um agarrado no braço do outro, com os olhos arregalados desse tamanho, batendo as pernas. Foi a primeira vez que vi demônio com medo, irmãos.

Um deles olhou para mim e disse assim: “Olha, nós não podemos tocar num fio de cabelo dessas duas moças”. Eu disse: “Por quê?” Ele disse: “Porque essas duas moças são diferentes”. Eu perguntei: “Você quer saber?” Eu disse: “Eu preciso saber”. Ele disse: “Olha, essas duas moças pertencem àquele homem lá de cima, e nós não podemos tocar num fio de cabelo delas. E, junto com essas duas moças, vai um anjo do homem lá de cima. Há um círculo invisível, com limite de dez metros em volta delas. Demônio nenhum cruza para dentro desse círculo, porque, se a gente der um passo para dentro, ele alcança com a espada, e a ponta da espada faz a gente explodir. E a dor é horrível, dói muito”.

Eu disse: “Quantos anjos estão com elas?” Ele disse: “Um”. Eu disse: “Então, chame duas legiões e caia sobre elas”. Ele disse: “Não adianta. Se o inferno inteiro cair sobre elas, a explosão na terra, essas luzes aí, tudo vira sangue. Porque dentro dessas duas moças tem uma labareda de fogo acesa, que queima 24 horas por dia, e demônio nenhum chega perto dessa labareda de fogo. Elas estão cobertas com o sangue do homem lá de cima”.

Tem fogo aí, irmão? Olhe no olho do seu irmão e diga: “Tem fogo aí?” Diga para ele: “Se tiver fogo, não tem demônio que suporte a sua vida”. Diga a ele: “Contra a tua vida não tem macumba, não tem inveja, não tem olho grande”. Diga: “Se não tiver legalidade, Satanás está derrotado. Agora, se tiver legalidade, Satanás te derrota”. Toque no ombro dele e diga: “Anda, dá tempo de quebrar ainda, viu, irmão?”

Eu fiquei zangado com aquele negócio, irmãos. Fiquei bravo com aquilo, quebrei tudo e voltei para dentro da minha casa. No meio da minha sala tinha um Jorge. Vocês lembram do Jorge? Quem lembra do Jorge? Aquele do cavalo branco. Todo santo de barro é oco. Aquele era de porcelana, mas não era diferente, não. Da barriga do dragão ao lombo do cavalo, tinha um buraco mais ou menos desse tamanho, dessa largura e desse tamanho. Ali dentro tinha um assentamento de Satanás. Pesava 100 quilos, feito de argila por dentro.

Sete pés esquerdos de criança, sete olhos esquerdos, sete orelhas esquerdas, sete mãos esquerdas, sete línguas, sete fígados, sete pulmões, sete corações, sete axés, terra de sete cemitérios, terra de sete encruzilhadas, 17 tipos de folhas de ervas daninhas, tudo ali dentro daquela podridão. Tudo do inferno é assim: por dentro é podre, por fora é bonito. Por fora era todo feito de argila, cravejado de prata, bronze e ouro. Prata, bronze e ouro. Todo dia eu tinha que passar ali e fazer uma obrigação.

Naquele dia, eu passei, botei uma velha e disse: “Não quero conversa com ninguém”. Quando me deitei para dormir, fechei os olhos. O Espírito Santo de Deus foi ter uma conversa comigo. Eu tinha tentado matar duas servas de Deus.

Comecei a ter um sonho que nunca imaginava que poderia ter. Ao descer por uma avenida, vi uma mulher chorando. Ela olhou para mim e perguntou: “O senhor viu alguém carregando umas crianças por aí?” “Não, não vi.” “Eu estava aqui na porta, e minha filha sumiu na porta do salão.”

Outra mulher vinha gritando, desesperada, arrancando os cabelos. Olhou para mim e perguntou: “Moço, o senhor não viu alguém puxando cinco meninas?” Falei: “Não, não vi”. Ela disse: “Eu estava na cozinha, fui pegar a comida para dar à minha filha e às minhas sobrinhas, que estavam à mesa. Quando olhei, as cinco tinham sumido”.

Cheguei a uma avenida transversal, em frente ao semáforo. Sangue escorria pela sarjeta como enxurrada. Era um dia de chuva forte. Havia pessoas atirando em si mesmas, pessoas enfiando facas em si mesmas, carros capotando, ônibus virando, aviões implodindo sobre prédios, pessoas rasgando o próprio rosto, mulheres furando os olhos, com o sangue escorrendo.

Uma mulher vinha na minha direção com a Bíblia aberta. Ela batia a cabeça na parede e rasgava o rosto. Parou na minha frente, olhou para mim e perguntou: “Senhor, viu o que aconteceu?” Eu disse: “Vi”. “O mundo acabou e eu fiquei viva.” Ela disse: “Não, foi isso aqui, ó: foi o arrebatamento da igreja, moço. Jesus voltou, e aquele povo que dava glória a Deus, dava aleluia, não existe mais na Terra. Os crentes desapareceram”.

Quando ela disse isso, pensei comigo e perguntei: “Que isso, arrebatamento?” Assim que perguntei o que era o arrebatamento, uma mão forte me pegou pela nuca, me arrancou do chão e me levou numa velocidade que eu nunca imaginei que pudesse alcançar. Ela me soltou na porta de um templo evangélico. Não tinha ninguém na igreja. Eu queria olhar para ver quem tinha me levado, mas levei um tapa na nuca. Saí meio caindo, meio levantando, e vim parar no meio da igreja. Quando me levantei, levei outro tapa, que me fez parar aqui na frente.

No primeiro banco, daqui para lá, havia uma mulher de joelhos, careca, sem cabelo na cabeça, com um lencinho amarrado. As lágrimas daquela mulher saíam do rosto, batiam no banco, escorriam do banco, batiam no chão e formavam uma poça junto aos joelhos dela. Aquela pessoa que tinha me levado até lá disse: “Escuta o que essa mulher está falando”. Quando olhei para aquela mulher, era a minha mãe que estava de joelhos.

Deus me fez ouvir a última oração da mamãe antes de ela partir para a eternidade. Mamãe orava assim: “Ó, Jesus, eu sei que a minha enfermidade vai me levar para a glória. Eu não vou ver meu filho crescer. Jesus, estou entregando meu filho nas tuas mãos. Aconteça o que acontecer, Jesus, ele está nas tuas mãos. Aconteça o que acontecer, Jesus, faz do meu filho um pregador da tua palavra, usa-o nas tuas mãos e devolve-o para mim no dia do arrebatamento, nas nuvens dos servos”.

Quando ela disse isso, voltei para o mesmo lugar em que estava. No sonho, os demônios começaram a rasgar o meu corpo. Dei um grito e acordei. Sentei-me na beira da cama. Maanon de um zamb estava na beira da minha cama, olhando para mim com as garras enormes.

Olhei para ele, e ele me fez uma pergunta: “O que é que você viu?” Pensei comigo: “Tem algo errado. Eu tinha o Borid Mavem, eu tinha o Taquim; ele sabia o que eu pensava”. Olhei para ele novamente e pensei em três coisas que ele odiava que eu pensasse. Ele olhou para mim e disse: “O que é que tu tá pensando?” Pensei: “Chegou a hora da minha libertação. Ele não sabe o que estou pensando”.

Segundo a teoria espírita, quem se suicida não tem vida após a morte; quem se suicida desaparece no limbo. É teoria espírita. A Bíblia diz que quem destrói o templo do Espírito Santo, Deus o destruirá e o condenará. Ou seja, todo ser humano será julgado. O suicida já está condenado. O suicida vai direto para o inferno. Se tem uma pessoa que vai para o inferno, é o suicida. Suicidou-se, está no inferno; pode ter convicção de que não sairá de lá.

Se você é daquelas pessoas que, por qualquer coisinha, quer se suicidar e diz “vou me matar”, antes de se matar, liga o fogo do fogão e bota o dedo. Se doer, não se suicida. Fogo dói. Aceita Jesus. Vamos para o céu. Lá no céu é ar-condicionado ambiente, viu? Suicida. “Não, mas eu não sabia disso.”

Olhei para ele e sorri. Eu tinha um revólver Taurus americano, de cinco tiros, calibre .38, no criado-mudo da cama. Puxei o criado-mudo, peguei o revólver, abri o tambor, olhei, engatilhei, botei na cabeça e puxei. Uma, duas, três, quatro, cinco. Não saiu nenhuma bala.

Descarreguei o tambor, peguei uma caixa de balas nova, CBC .38, amarela, explosiva. Não sei se tem alguém aqui que entende de arma, mas uma coisa é um .38 frio, outra coisa é um .38 quente. Costumo dizer por aí que .38 quente não nega fogo nem debaixo d’água. Coloquei cinco balas, fechei, botei debaixo do queixo e puxei: uma, duas, três, quatro, cinco. Não saiu nenhuma bala.

Joguei o revólver fora. Quando ele bateu no canto da parede, minha agenda se abriu automaticamente: pá! Ao lado do criado-mudo estavam o celular, o telefone e um despertador daqueles que tinham campainhazinhas por cima, que faziam barulho de sino. Olhei no relógio: eram quatro horas e dezesseis minutos da manhã. Olhei para a minha agenda aqui em cima. Todo bruxo de magia negra tem uma caneta no dedo. Eu tenho aqui no dedo mindinho. Aí dá para você ver quando ele faz a magia: ele assina com o próprio sangue. Vai marcando porque vai furando, furando, furando, e faz um bico. Depois, só está no dente, e o sangue já jorra. Toda vez que eu fazia uma matança na magia negra, eu voltava.

Eu tinha uma prima que se converteu a Jesus Cristo. Escrevi em cima, embaixo do nome dela: “Morreu para mim”. Toda vez que eu fazia uma matança e vinha muito sujo de sangue, pegava a minha mão e fazia um X em cima do nome dela. Dizia sete palavras de morte, invocando dez demônios da magia negra para matar a minha prima. Para mim, era uma desonra ela ser crente, uma desonra ela ser evangélica. Eu pedia, por meio de toda magia negra, que ela morresse.

Quando olhei, o telefone dela estava aparecendo nítido. Peguei o telefone e falei: “Vou ligar para ela”. O demônio olhou para mim e disse: “Se você ligar para esse número, eu te mato. Vou explodir a sua cabeça”. Falei: “Faça o que você quiser”. Peguei o telefone. Eram 4h16 da manhã. Quando terminei de ligar, coloquei o telefone no ouvido. O telefone fez “tum”, chamando, e ela atendeu.

Eu disse: “Alô”. Eu dizia: “Alô”. Do outro lado, ela atendeu assim: “Ah, Jesus, tu és tremendo”. Eu dizia: “Alô”. Ela dizia: “Jesus, a tua misericórdia alcança o homem à beira da morte”. Perguntei para ela: “Você sabe quem está ligando?”. Ela disse: “Sim, eu sei quem está falando”. Perguntei: “Você estava acordada?”. Ela disse: “Estou acordada”. Percebi que ela estava chorando e perguntei: “Você estava chorando?”. Ela ficou calada. Perguntei: “Seu marido te bateu?”. Ela disse: “O sangue de Jesus tem poder. Meu marido me bate, ele é convertido”. Perguntei: “Por que você está chorando? É por causa de coisa de crente?”. Não se preocupe, não, crente chora mesmo.

Eu disse para ela: “Tive um sonho”. Ela perguntou: “Sonhou com o quê?”. Eu disse: “Sonhei com o arrebatamento da igreja”. Quando falei essa palavra, ela começou a falar numa língua linda. Não era inglês, não era espanhol, não era nada que eu entendesse. Mas, quando ela começou a falar naquela língua, o demônio que estava do meu lado sumiu, desapareceu.

Ela disse para mim: “Olon, há quatro anos estou orando a teu favor, das quatro da manhã às dez da manhã. Há quatro anos, todos os dias, dobro os joelhos ao lado da minha cama e peço para Jesus salvar a sua alma e fechar os seus terreiros de macumba. Esta madrugada, quando dobrei os joelhos para orar, o anjo do Senhor entrou no meu quarto e disse: ‘Josenil, tu és amada no céu. Assim diz aquele que faz coisas impossíveis: estou abrindo a salva da tua oração. Estou entrando na vida do teu primo hoje. Ainda hoje vai haver batalha no inferno, mas pessoalmente vou guerrear esta guerra. Vou apagar o nome dele do inferno, vou escrever no meu livro do céu, vou batizá-lo no Espírito Santo e vou fazer dele um pregador da minha palavra’”.

Eu não sei quantos pais e quantas mães nós temos aqui esta noite, mas, se você está orando para Jesus salvar alguém da sua família, Jesus vai salvá-lo. Não importa o que ele seja nem o que faça, Jesus vai salvá-lo. Você ainda vai vê-lo entrar por essa porta com o rosto banhado em lágrimas, dobrar os joelhos na presença de Deus, e você não vai partir para a eternidade antes de vê-lo cheio do poder de Deus, falando do amor de Jesus, cheio da glória de Deus.

Levante a sua mão direita ao céu comigo. Feche os olhos comigo. Conte para Jesus o nome da pessoa que você gostaria de ver liberta. Diga para Jesus, diga. E, se nesses momentos produzir uma lágrima nos seus olhos, não se preocupe, não. É o Espírito Santo ajudando você nesta oração. Abra a boca e diga o nome dele para Jesus. Não importa onde ele esteja, não importa o que faça: ele vai se render a Jesus Cristo.

Eu profetizo a sua família salva em Cristo Jesus. Eu determino que a sua família, seu filho, seu irmão e seu pai serão servos de Deus. Eu determino agora, pelo poder do nome de Jesus Cristo, que ninguém da sua família se perderá. No dia do arrebatamento, você e a sua casa entrarão no céu, em nome de Jesus. Eu determino isso na sua vida hoje. Eu mando que Satanás solte os seus parentes agora. Eu ordeno que o seu filho seja livre. Agora, eu determino, em nome de Jesus: a sua família é de Jesus.

Ela me disse: “Olon, não faça macumba, não acenda vela, não faça nada, não faça mais macumba. Vou ficar de joelhos aqui em casa, orando por você. E aqui em casa ninguém vai comer, ninguém vai dormir. Vou ficar orando pela sua vida. Quando anoitecer, procure a primeira igreja evangélica que encontrar. Quando você chegar lá, Jesus vai estar de braços abertos, esperando para mudar a sua vida”.

Amanheceu o dia. Foi uma guerra: demônios de todos os tipos e qualidades na minha casa. Parecia uma passarela do inferno. Quando foi chegando às sete horas da noite, tirei o RF do pescoço. O RF é uma conta que só os babalorixás de Ketu usam. São sete tranelins de ouro com 72 corais e o monjoló africano cravejado de diamantes. Dá para comprar uns cinco carros hoje.

O RF é tão forte que, quando o babalorixá morre, é colocado dentro da boca dele e vai para o estômago, para a sepultura. É feito um ritual chamado axexê, que significa entrega da alma aos demônios. No dia da ressurreição, no dia do juízo, quando o miserável tentar justificar diante de Deus a sua falta de conhecimento, vai vomitar o RF. No RF estão todos os pactos que conscientemente ele fez com Satanás.

O RF é tão forte que, se um babalorixá o tirar do pescoço e jogar na parede, quando bater nela, ele fica parado, não cai no chão. Só se tira do pescoço para morrer. Eu tirei o RF. Quando tirei o RF, a mulher olhou para mim e disse: “Vai morrer hoje?”. Falei: “Quem sabe?”. Coloquei o RF na parede, e ele ficou parado. Dois demônios ficaram segurando-o, olhando para mim.

Ela disse: “V, você vai para o pagode?”. Falei: “Não. Tu vai à igreja dos crentes?”. “Não vai?”, perguntei. “Vou, vou com você”, ela disse. Entramos no carro, rodei Cuiabá todinha e parei em frente ao templo central, chamado de Matos, no centro de Cuiabá. Quando parei, o demônio pegou a mulher, olhou para mim e disse: “Se você descer desse carro, eu te mato”.

Eu não conhecia Jesus, não, irmãos. Eu nunca tinha falado com Jesus, nunca tinha visto Jesus, nunca tinha ouvido a voz de Jesus. Demônios, eu conhecia: tinha visto demônios fazerem coisas horríveis.

Na casa de Tatam Calembu, primeiro babaor chá de Angola, um policial foi buscar o moço dentro do roncó. Ele disse assim: “No roncó você não entra. Se eu vou entrar no meu roncó, você não entra. No roncó só entra quem já foi raspado. Quem não é raspado não entra no roncó. Entra, não entra? E, se entrar, a cascavel pega, e pega mesmo. Tem uma arumbia do arrumb, fica uma cobra. Botou o pé para dentro, ela pega.”

Demônio entra na hora da serpente. O camarada descarregou uma metralhadora no peito dele. 72 balas caíram no chão; não desceu nenhuma bala. Ele foi até o carro do policial, bateu a mão e falou assim: “Ó, nenhum de vocês dorme hoje. Vocês estão todos mortos.” “Car dis, eu vou ali buscar um mandado e volto.” Entrou no carro. Quando pegou uma avenida chamada Joaquim Murtinho, em Cuiabá, bateram numa tampa de bueiro aberta. O carro, a viatura, ficou de pé assim e saiu rodando que nem uma moeda. Os policiais saíam pela janela, e a viatura os esmagava. Foi moendo a carne das pessoas assim; esbagaçou os seis que estavam na viatura. Depois, a viatura explodiu.

Então, isso eu estava acostumado a ver demônios fazerem. Conheci um demônio chamado Toco Preto. Uma mulher ofereceu para ele uma garrafa de whisky, e não deu. Ela foi tomar banho, ele arrancou todos os azulejos da parede, jogou em cima dela, cortou e retalhou ela todinha, da testa até as unhas. Não teve um pedaço que não ficasse retalhado. Ele abriu as vísceras dela. As vísceras dela ficaram espalhadas no teto, e o miolo também.

Isso eu já tinha visto demônio fazer. Eu não conhecia Jesus. Fiquei sentado dentro do carro, com medo. Olhei para a mulher; quando percebi que ela ficou normal, que voltou ao normal, contei para ela o que era o candomblé. Contei para ela o que havia por trás daquela festa tão bonita, o que havia, na realidade, por trás da magia. Ela me ouviu e disse assim para mim: “Eu vou pegar o carro e vou embora. Não vou ficar aqui para te ver morrer, não. Mas fica aí, quem sabe o Jesus dos crentes não muda a tua vida?”

De costas para a igreja, ela passou para o motorista, pegou o carro e desceu. Quando o carro virou na última esquina, e eu vi o carro sumir, dei aquele suspiro e virei para entrar na igreja. Quando olhei para trás, quem estava na minha retaguarda? Mayanon de um zamb, com aquelas garras enormes. E demônio é assim: quanto mais raiva tem, mais cheio fica. Ele abriu as garras, olhou para mim e disse assim: “Eu já tive paciência demais contigo. Vou arrancar sua cabeça do pescoço. Ninguém vai achar tua cabeça. O teu corpo vai cair aí, e os carros vão ficar passando por cima do teu corpo. Vou beber todo o teu sangue. A tua cabeça vou levar para o inferno. Ela é meu troféu.”

Quando ele falou assim, dei um passo. Quando fui dar o segundo passo para ir embora — eu ia dar sete passos, dar o adobá, bater Paol, pedir perdão e ir embora —, dei o primeiro passo e, quando fui dar o segundo, escutei uma voz aqui, ó. Essa voz é maior do que o universo. Essa voz é maior do que o mundo inteiro. Acho que só vou ouvir essa voz de novo no céu. Aquela voz disse assim: “Não tenha medo dele. Eu já estou com você.”

Não sei de onde saiu coragem. Botei o dedo no nariz daquele demônio e disse: “Olha, para morrer ou para viver, eu vou entrar aí dentro da igreja dos crentes. E, se você tiver que me matar, vai me matar lá dentro, aos pés de Jesus, o Jesus dos crentes.” Quando falei assim, ele sumiu.

Por detrás dele, veio aparecendo um moço baixinho, bem branquinho, de paletó preto, gravata preta e camisa branca. Aqui no peito dele, uma plaquinha dourada escrito “diácono”. Ele olhou para mim e disse: “Boa noite.” “Boa noite. Vamos entrar?” “Eu posso?” “Claro, a casa de Jesus é nossa. Fica à vontade.”

Eu disse: “Mas eu estou jurado de morte, moço.” Ele disse: “Não tem problema, meu amigo. Jesus é vida.”

Quando ele falou assim, me deu uma raiva tão grande daquele homem, porque olhei para dentro da igreja, irmãos: estava aquele povo todo bonito, 4.000 pessoas, todo mundo bem vestido, cheiroso. Eu era aquela coisa escalafobética, curiosa. O cabelo parecia uma moita de capizaçreira. A unha dava volta na mão. Fedia a carniça de longe.

Olhei para aquele moço e disse: “Eu vou botar esse crente para correr agora.” Falei: “Senhor, sabe quem sou eu, meu amigo?” Ele olhou para mim e disse: “Não, não sei, não.” Disse para ele: “Eu sou babaixá e fá da nação de Alaquet.” Ele começou a chorar. Eu chorava igual criança.

E eu disse para ele assim: “Eu sou filho de santo de Tátomo Calimbeir, neto de santo de Nelguardado Vilatouro de Oxumioá, bisneto de santo de Ronaldo de Logum Edé, tataraneto de santo de José de Obaco Yoga de Alaqueto, representantes da África no Brasil.” Quando falei assim, ele chorava, mas chorava de tremer. Pensei que estava chorando de medo. Pensei comigo: “Agora ele vai correr.”

Quando terminei de falar, ele ficou na ponta do pé, me pegou pela camisa e me puxou. Falou quase dentro da minha boca: “Sabe quem sou eu, meu amigo?” “Sei não.” Ele disse: “Eu sou um servo do Deus vivo.” Pegou na minha mão e disse: “Eu passei a tarde toda chorando por tua causa, rapaz. Deus me revelou que você vinha. Entra aqui em nome de Jesus. Senta aqui em nome de Jesus. Assiste ao culto em nome de Jesus e seja liberto em nome de Jesus.” Eita! Em nome de Jesus, irmão. Leão vira gatinho. Fiquei lá quietinho.

O pastor Sebastião Rodrigo de Souza trouxe a mensagem mais linda que eu já tinha ouvido sobre o filho pródigo. Eu estava sentado, pensando: “Como é que esse velho sabe da minha vida? Quem foi que contou a minha vida para esse velho?” Pensei: “Quando esse velho perguntar quem quer aceitar Jesus, eu vou levantar a mão, vou pular, vou gritar. Esse povo não vai deixar o diabo me matar.”

Eu não sabia como se fazia para tirar demônio. Lá na macumba, tinha um tal de pinho roxo, tinha um tal de espada-de-São-Jorge. Quando estava muito difícil, eram dois batendo e um jogando água. Uma vez, bati tanto no camarada que ele dizia: “Está bom, está bom, já saí, já saí, já saí, está bom.”

Então pensei comigo: “Eu grito, os crentes olham e não vão deixar o diabo me matar.” De repente, o pastor levantou a mão e disse: “Quem quer aceitar Jesus?” Falei: “Agora é minha vez.” Levantei a mão. Eu nem me mexi, irmão. Parecia que tinha uns doze mil quilos do outro lado da mão.

Tem aquelas pessoas que chegam ao culto, sentam e ficam o culto todo assim, ó. Eita! A igreja sobe, o céu desce, e elas continuam do mesmo jeito. Paulo André canta, o altar fumega, e elas continuam do mesmo jeito. De vez em quando, fazem esse movimento aqui, ó. Tinha um desses do meu lado, irmão. Olhei para ele e quis perguntar: “Pergunta-me se eu quero ser crente. Pergunta.”

Não sei se você já sentiu aquele nó no pescoço, no gogó; você quer chorar e não consegue. Parece que tem um nó aqui. Olhei para ele, e uma lágrima só correu pelo meu rosto. Ele olhou para mim desse jeito. Olha o jeito que o cidadão me olhou, irmãos! Levantei com raiva. Meu repertório de palavrões não era pequeno, não. Saí xingando com todos os nomes que eu tinha para xingar. Saí xingando, e um bocado de mulheres vinha atrás de mim, dizendo: “Está amarrado!” Pensei que elas queriam me amarrar. Eu dizia: “Vem amarrar para tu ver! Vem cá amarrar! Vem amarrar!”

Cheguei à porta do templo, e uma coisa horrível botou a mão no meu peito, segurou-me e disse: “Olha para trás.” Olhei. A plataforma lá do Matos é bem alta. O pastor estava de costas, conversando com os obreiros. A coisa disse assim: “Você vai lá em cima. Vou te dar a força de cem homens no teu braço. Você vai dar um tapa na cabeça daquele velho, vai arrancar a cabeça dele do pescoço e vai sair correndo daqui e se jogar lá na Ponte Nova. Você vai morrer, não pode viver mais. Está entendendo?” Falei: “Estou entendendo. Você não escapa mais de mim, não tem jeito.” Depois falei: “Está bom.”

Quando entramos e passamos pelo terceiro corredor, entrei no corredor do meio e cheguei ao meio da igreja. O pastor parou de conversar, olhou para mim — o culto já tinha terminado —, levantou a mão e disse: “Jesus, tem misericórdia deste homem.”

Então soltou e veio até onde eu estava. Para chegar ali, ele tinha que descer pela lateral da igreja, passar pelo porão e subir uma escada até a nave do templo. Enquanto ele fazia isso, o pastor Sebastião, que já tinha uma boa idade, o demônio me largou e começou a fazer assim, ó: “Ai! Aqui tem fogo, está me queimando. Aqui tem fogo. Aqui tem...”

Olhei e pensei: “O cão ficou doido. Não tem fogo aqui dentro. Aqui é tudo de mármore!” Ele virou uma sombra debaixo dos meus pés, sumiu e gritou lá da rua: “Olom, sai daí, senão o fogo te pega!” Pensei: “Meu amigo, se o diabo correu, eu vou fazer o quê? Se o cão, que é o bambambã da magia negra, correu...” Ele disse: “Corre!”

Nisso, o pastor foi aparecendo. Pensei: “A hora de correr é agora.” Quando cheguei perto do pastor, dei aquele sorrisinho para ele e virei para correr. Fiz assim. E lá vem o pastor, irmãos! Eu estava colado no chão; o fogo já tinha me pegado, não tinha mais para onde correr. Estava na mão de Jesus.

O pastor levantou a mão e disse: “Jesus...” Saiu uma tocha de fogo da mão do pastor, bateu na minha cabeça, e caí no chão. Não sei quanto tempo fiquei possuído pelo demônio. Quando voltei a mim, o pastor pegou na minha mão, me colocou de pé e disse: “Não esqueça de uma coisa, meu filho: o sangue de Jesus tem poder.”

Quando ele falou isso, tudo o que estava na minha mente sumiu. Acabou. E meu oxigênio acabou. Comecei a morrer. Eu queria respirar, mas não respirava. Pensei comigo: “Estou morrendo.” Dentro de mim, na minha mente, havia um coral muito grande dizendo: “O sangue de Jesus tem poder. O sangue de Jesus tem poder.” Eu disse: “O sangue de Jesus tem poder.” Respirei. “O sangue de Jesus tem poder.”

O chão começou a tremer debaixo dos meus pés. Aquele pessoal que estava lá fora... Pensei que ninguém me conhecia, mas todo mundo me conhecia. “Rapaz, o macumbeiro da televisão aceitou Jesus!” Vinham correndo, pegavam na minha mão e diziam: “A paz do Senhor.” Eu queria dizer: “A paz do Senhor.” Dizia: “O sangue de Jesus tem poder.” Era a única palavra que saía da minha boca.

Chegou uma mulher com uma prancheta, uma caneta e um papel. Disse: “Como é o seu nome?” Respondi: “O sangue de Jesus tem poder.” Ela perguntou: “Qual é o seu endereço?” Respondi: “O sangue de Jesus tem poder.” “O senhor aceita visita?” Eu disse: “O sangue de Jesus tem poder.” “O senhor...” Eu disse: “O sangue de Jesus tem poder.” Ela olhou para mim e disse: “Tem muito.”

Quis dizer a ela: “Me desculpe.” Só que, quando eu dizia “O sangue de Jesus tem poder”, o chão tremia debaixo dos meus pés. E eu ia bem devagarzinho, pensando que ia cair, e dizia: “O sangue de Jesus tem poder.” Pensava comigo: “O Jesus dos crentes é muito forte.” Jesus não é só forte, irmão. Jesus tem todo o poder nos céus e na terra. Eu era ignorante demais.

Quando cheguei à porta do templo, lá fora tinha uma nuvem de demônios, uma nuvem. E Mayanon era o primeiro. Ele fazia assim para mim, ó. Eu fazia para ele assim. E comecei a observar. As pessoas chegavam com a chave do carro, colocavam a chave na porta do carro e abriam.

Quando eu abria a porta, os demônios se afastavam, os crentes entravam no carro e os irmãos iam embora. Outras pessoas abriam o carro, sentavam-se, e o demônio entrava dentro do carro, sentava-se em cima dele. Eu me lembro de uma cena: o moço dirigindo, a mulher ao lado, a filha no banco de trás e um demônio sentado no colo dela, mexendo no seio e no nariz. Mas ela não sentia nada; estava quietinha, e o demônio olhava para mim e sorria. Eu fiquei pensando: “Tem demônio que gosta de carro e tem demônio que não gosta de carro”. Hoje nós sabemos o que é isso, não sabemos? Como é que é o nome? Não ouve, não. Como é que é o nome? Toca o nome do teu irmão para mim.

Diga assim: “Não dá tempo de quebrar, irmão”. Ei, olha para mim. Parei na porta do templo e pensei: “Eu vou correr e vou gritar. Os crentes vão olhar para mim, e eu vou dizer que é o cão que quer me matar. E eles vão entender, não vão deixar o diabo me matar”. Eu estava pensando. Mas, antes de correr, fiz assim e falei: “Vou me preparar para correr e perguntar se eles me deixam ir embora. Se não deixarem, eu grito”. Olhei para eles e quis dizer: “Vocês me deixam ir embora?”. Mas eu disse: “O sangue de Jesus tem poder, irmãos!”. Parecia estouro de boiada.

Aí eu saí valente, caçando encrenca, caçando um demônio para brigar. “O sangue de Jesus tem poder!” Não sobrava um. Cheguei em casa. Quando um pai de santo chega em casa, tem que despachar quartinha para o show de rua, despachar a quartinha. Tem que despachar, tem que bater para despachar. O guardião da minha casa era algum [termo incerto]. Eu chegava, tinha que passar azeite na mão, passar mel, bater uma escravidão do inferno.

Quando cheguei, havia dois demônios desse tamanho, com os braços compridos, assim, no portão. “Não entra, que você morre!” Eu olhei para eles e quis dizer: “Saiam da frente!”. Puxei a barra da costa: “O sangue de Jesus tem poder!”. Meti o pé no portão para entrar no quintal. A mulher gritou lá dentro: “Ficou doido?”. Eu queria dizer: “Estou liberto!”. “O sangue de Jesus tem poder!” Entrei em casa e fui juntando aquele montão de roupas: roupa de [termo incerto], de Nanã, de Oxum, de Xangô, de preto-velho, de caboclo, de boiadeiro. Fui jogando aquele montão de roupas na rua, jogando álcool e tacando fogo.

A vizinhança saiu correndo: “Gente, Painho enlouqueceu! Chama a polícia, chama os bombeiros! Painho ficou doido! Vamos levá-lo para o hospital! Olha, Painho está quebrando tudo!”. Eu dizia: “Saiam da frente! O sangue de Jesus tem poder!”. Eles diziam: “Está doido! Painho está doido! Chama a polícia! Painho ficou doido, ele não está bem!”. Fui lá dentro, peguei 75 quilos de miçangas e voltei. Joguei no fogo. Quando joguei no fogo e olhei, o pastor Rub estava em cima da caminhonete, com as duas mãos levantadas: “Você perdeu, Satanás! Tu vai sair do meu bairro!”. “Limpa mesmo, Jesus! Faz a obra!”

Quando entrei em casa, minha mulher estava encostada na parede, de olhos arregalados, olhando para mim. Ela olhou para mim e disse: “Olon, tem 60 filhos de santo aí, todos incorporados. Tem gente que veio até nua. Disseram: ‘Se você for lá no barracão, vai morrer’”. Eu olhei para ela e quis dizer: “Morro, não!”. Disse: “O sangue de Jesus tem poder!”. Pensei comigo: “Eu tinha uma marreta de uns 20 quilos”. Fui ao quartinho, peguei a marreta e voltei. Pensei comigo: “Vou lá, meto o pé na porta e quem passar na frente eu derrubo na marreta. Cavalo e cavaleiro”.

Eu não conhecia Jesus, não sabia como se expulsava o demônio. Quando abri a porta, a primeira pessoa a [trecho incerto] na casa de candomblé chama-se Rombone. A Rombone da minha casa estava incorporada com um dos demônios de Sutangel, com aquele punhal que todo ano ele colocava na minha perna. Passei e, quando olhei para ela, ela falou: “Olha o que eu vou fazer contigo!”. Quando ele pegou o punhal e mirou na minha testa, eu quis dizer para eles: “Vão embora!”. Disse: “O sangue de Jesus tem poder!”. Não ficou um de pé; caíram os 60.

Entrei no barracão, quebrei toda a casa de macumba, fui ao Roncó, quebrei todo o [termo incerto]. Assentamento, quebrei tudo. Voltei para a sala; lá estava o Jorge. Passei e dei uma olhada para ele. Se eu abrisse a boca, diria: “O sangue de Jesus tem poder”. Olhei para o Jorge e pensei: “Se o seu cavalo andasse, Jorge, pela quebradeira que ficou lá dentro, tu estarias longe”. Tinha uma cadeira que eu peguei. Eu dizia: “Ah, Deus!”. Eu disse: “O sangue de Jesus tem poder!”. Foi pedaço de Jorge para todo lado.

Embaixo havia o assentamento de Satanás. Agarrei aquele trem para arrancá-lo da minha sala. Eu queria tirar aquilo dali. Quando segurei, aquilo pesava 100 quilos. Quando agarrei, materializaram-se à minha volta os 23 chefes de legiões, um após o outro. E o chefe cobrou o [termo incerto] e o pacto de morte. Eu não tinha mais força para soltar, não tinha mais forças para me mexer. A carne começou a tremer, e ele começou a dizer as palavras da morte para me levar para o inferno.

Naquele momento, fechei os olhos e, aqui, no meu cérebro, na minha mente, fiz a primeira oração da minha vida. Debruçado em cima daquilo, falei assim: “Jesus dos crentes, Jesus dos crentes, o Senhor pode me ouvir?”. Olha a minha ignorância, irmão. “Eu não fiz nenhum pacto com o Senhor. Não dei a minha mente para o Senhor ver, mas, se o Senhor pode me ouvir, eu quero entregar esse resto de vida que me resta para o Senhor agora.” Contei para Jesus toda a minha vida e disse: “Jesus dos crentes, eu fumo seis carteiras de cigarro por dia. Jesus dos crentes, tive duas overdoses de cocaína. Eu não tenho a cartilagem do nariz; a cocaína comeu. Eu era couro e osso. Jesus dos crentes, a minha vida não vale nada. Eu tentei tirar a minha vida hoje, mas não saiu bala. Mas, se o Senhor quiser, esse trapo humano é seu.”

Eu não sabia o que era ser filho, irmãos, viu? Minha mãe morreu quando eu tinha 6 anos. Meu pai me abandonou com uma tia minha, que era referência de família. Me entregou para morrer. Eu só sabia o que era ser escravo.

Uma vez, eu disse não para um demônio. Ele me tirou de um metro de chão e me soltou em cima de uns cascalhos. Quatro pedras entraram nas minhas costas. Tenho marcas até hoje. Depois, ele foi para o asfalto e sapateou, batendo os pés até o solado dos meus pés se soltar. Ele arrancou o couro; ficou na carne viva. Depois, bateu na minha mão até a pele sair. Arrancou como se fosse uma luva; ficou na carne viva. Depois, andou com meus pés na pedra. Bateu minha mão nas pedras. Entrou aquilo tudo na minha carne. Depois, foi embora. Antes de ir, deixou um recado: “Diga para ele que, da próxima vez que desobedecer, eu arranco um pedaço dele”.

Então, eu só sabia o que era ser escravo. Não sabia o que era ser filho. Disse: “Jesus dos crentes, deixa eu ser seu escravo. Eu não sei onde o Senhor mora, mas vou à sua casa. Vou limpar sua casa. Vou lavar seus pés. Mas deixa eu ser seu escravo. Eu não quero mais ser escravo do diabo. Se o Senhor puder, me tira da mão dele”.

Quando falei assim, aquele sentimento ficou leve que nem uma pena. Eu levantei aquilo. Quando levantei, os 23 demônios fizeram uma fila, um atrás do outro, e saíram andando, e eu fui atrás deles. Quando chegamos no meio da rua, o primeiro virou de frente para o outro. Um demônio entrou no outro e virou um demônio de seis metros de altura. Fizeram assim com a mão e gritaram: “A minha...”.

Quando um demônio grita “Digina de um babalorixá”, ele vai morrer naquela hora. Quando ele gritou a minha “Digina”, eu quis dizer para ele: “Não me toque”. Eu disse: “O sangue de Jesus tem poder”. Ele explodiu, e o assentamento que eu estava carregando abriu no meio. Explodiu também. Começaram a cair cabeças de pessoas, de crianças, aos meus pés. Aquele fígado derretido, rim, crânio, sangue...

Eu levantei a cabeça. Se o Senhor abaixasse a cabeça, eu desmaiava. Levantei a cabeça, procurando oxigênio, e ergui as duas mãos para o céu. Eu queria dizer: “Cadê o Jesus dos crentes?”. Isso aí é só uma palavra: “O sangue de Jesus tem poder. O sangue de Jesus tem poder”.

Lá na última estrela dos meus olhos, uma tocha de fogo se acendeu. Eu dizia: “O sangue de Jesus tem poder”. Aquela tocha de fogo vinha para cá. “O sangue de Jesus tem poder.” Aquela tocha de fogo vinha para cá. De repente, aquela tocha de fogo parou e veio na minha direção. Quando bateu na minha cabeça, toda aquela podridão sumiu. E Jesus me batizou com o Espírito Santo e com fogo.

Quando entrei na minha casa, tinha um homem em pé. Olha para essa lâmpada que está em cima da sua cabeça aí. Agora imagina essa lâmpada três vezes mais forte. Tinha um homem luminoso no meio da minha sala, com vestes brancas até o chão, os pés realmente cor de ouro e o rosto fino, a barba cerrada, o cabelo branco como se fosse vivo, o rosto como se fosse um diamante ao sol.

Quando entrei na sala, ele estava de costas para mim, olhando para lá. Quando olhou para lá, o chão ficou transparente, a parede ficou transparente, tudo ficou como vidro, tudo ficou transparente ao olhar dele. Parecia que o mundo inteiro estava transparente. Quando chegou ao canto da sala, virou de frente para mim. Quando olhou para mim, meu cabelo estava transparente, meu corpo estava transparente, minha alma estava transparente, meus ossos estavam transparentes, o chão estava transparente, a parede estava transparente.

Ele tinha um papel na mão, desse tamanho, um papel marrom. Balançava o papel na mão desse jeito, e eu olhava para ele. Queria dizer: “Obrigado pela vida. Obrigado pela hora que eu respiro. Obrigado pela libertação. Obrigado pela transformação”. Eu só chorava e falava em línguas.

Ele olhou para mim e disse: “Wellington Roberto da Silva”. Eu não conhecia o nome dele, não sabia quem ele era, mas ele sabia o meu nome completo. Sabia quem eu era. Ele disse: “Não precisa me agradecer por te dar vida. Eu fui morto, mas estou vivo para todo o sempre. E tu não serás meu escravo. Tu serás meu filho. Hoje houve batalha no inferno por tua causa, mas eu pessoalmente guerreiei esta guerra. Eu não apaguei o teu nome do inferno; arranquei a página que continha o teu nome. E dei ordem a Satanás e a todos os demônios para nunca mais tocarem na tua vida, porque agora tu és meu”.

Ele amassou aquele papel e, quando abriu a mão, não tinha mais papel nenhum. Ele disse: “Os teus pecados eu lancei no mar do esquecimento e deles nunca mais me lembrarei”. Disse para mim: “Abre a mão”. Eu abri. Ele disse: “Recebe de mim o dom de operação de maravilhas. Os cegos vão enxergar, os surdos vão ouvir, os paralíticos vão andar. Recebe de mim o dom da palavra. Te revelarei a minha palavra, como revelei a poucos homens na Terra. E tu irás pregar a última mensagem antes do arrebatamento. Vou usar você para tirar muitos dos meus que estão dentro da minha casa, presos nas mãos de Satanás”.

Ô palavra terrível! “E, por causa desta palavra que eu vou te revelar, tu serás amado por muitos, Wellington. Mas serás odiado por muitos. E os que tocarem no teu nome, na tua vida e no teu ministério, por causa da minha palavra, eu ferirei com câncer na boca; descerão à sepultura e os lançarei no inferno. No...”