O Zohar é uma coleção de textos que interpreta a Torá, os primeiros cinco livros da Bíblia, de maneira mística. Ele se tornou uma das obras mais importantes da Cabala, uma tradição do judaísmo que busca entender, entre outras coisas, como Deus se relaciona com o mundo e se há sentidos mais profundos nas Escrituras.
A dúvida principal é se o Zohar faz parte da Bíblia. Não faz. Ele é um conjunto de interpretações religiosas escrito muitos séculos depois dos livros bíblicos. Por isso, é importante distinguir o que a Torá diz do que o Zohar diz *sobre* a Torá.
A tradição cabalística associa o Zohar a Shimon bar Yochai, um mestre judeu do século II. Mas a obra só apareceu publicamente no fim do século XIII, na Espanha, ligada a Moisés de León. Por essa e outras razões, a maioria dos estudiosos entende que grande parte do texto foi produzida na Idade Média, embora ele possa reunir tradições mais antigas.
O Zohar costuma procurar, além do sentido direto das passagens, significados simbólicos e ocultos. Isso ajuda a entender por que ele é chamado de místico. Mas seria impreciso dizer que todo judeu aceita suas interpretações — ou que todo judeu as rejeita. Algumas comunidades judaicas dão grande importância à Cabala; outras não a adotam como guia pra interpretar as Escrituras.
Do ponto de vista cristão evangélico, o Zohar não tem a autoridade da Bíblia. Um cristão pode estudá-lo pra entender melhor a história do pensamento judaico, mas não precisa aceitá-lo como revelação de Deus nem depender de conhecimentos secretos pra compreender a mensagem bíblica. Em 2 Timóteo 3:16-17, Paulo ensina que as Escrituras preparam o servo de Deus pra toda boa obra. E Deuteronômio 29:29 distingue aquilo que Deus manteve em segredo daquilo que ele revelou ao seu povo pra ser obedecido.
Então, em poucas palavras: o Zohar é uma obra importante da mística judaica, não um livro da Bíblia. Conhecê-lo pode ajudar a entender a Cabala, mas suas interpretações devem ser reconhecidas pelo que são — interpretações, não a própria palavra bíblica.