Depende do que você quer dizer com “zen”. Se a ideia é sentar em silêncio, respirar com calma e prestar atenção ao que está fazendo, isso, por si só, não contraria a fé cristã. Mas o Zen como caminho espiritual budista parte de uma compreensão da vida diferente da ensinada por Jesus. Por isso, não dá pra tratar a meditação zen e a meditação cristã como se fossem a mesma coisa.
Na tradição zen, práticas como o *zazen* — a meditação sentada — fazem parte de um caminho de despertar espiritual. Nem todos os praticantes descrevem essa experiência do mesmo jeito, e seria impreciso dizer que a prática consiste apenas em “esvaziar a mente”. O ponto importante é outro: o Zen não se organiza em torno da confiança em Deus, do perdão dos pecados e da salvação por meio de Jesus Cristo.
Na Bíblia, meditar também envolve parar e prestar atenção. Mas a pessoa volta seus pensamentos pra Deus: lembra o que ele fez, considera o que ele ensina e procura viver de acordo com sua palavra. É o que vemos, por exemplo, no Salmo 1:2 e em Josué 1:8. Para o cristão, a esperança de transformação não está em alcançar um despertar por meio de uma técnica, mas na graça de Deus recebida pela fé em Cristo (Efésios 2:8-9).
Isso não quer dizer que um cristão precise rejeitar o silêncio ou a atenção ao momento presente. Ele pode ficar quieto, respirar, descansar e perceber melhor o que está acontecendo ao seu redor. Também não significa que toda pessoa que participe de uma sessão de zazen tenha adotado todas as crenças budistas. O cuidado está em distinguir uma atividade de seu propósito espiritual. Se a prática for apresentada como um caminho de salvação ou como substituta da confiança em Cristo, ela entra em conflito com a fé cristã.
Então, a resposta é esta: estar em silêncio e cultivar a atenção pode ser compatível com a vida cristã; adotar o Zen como caminho espiritual não é o mesmo que seguir a Cristo. A diferença não está simplesmente em sentar-se de um jeito ou de outro, mas em onde a pessoa busca a verdade, a transformação e a esperança.