Os zelotes eram judeus que se opunham ao domínio de Roma sobre sua terra. O nome vem de uma palavra que significa “zeloso”. Eles defendiam que Israel devia ser livre e que Deus, não o imperador romano, era seu verdadeiro Senhor. Entre os que se opunham a Roma, havia pessoas dispostas a usar a força.
É preciso tomar cuidado, porém, com um detalhe histórico. O historiador judeu Josefo fala de um movimento de resistência que começou com Judas, o Galileu, no início do primeiro século. Mais tarde, ele também usa o nome “zelotes” ao contar o que aconteceu durante a revolta judaica contra Roma, iniciada no ano 66. Esses grupos tinham ideias parecidas, mas não dá pra afirmar que todos pertenciam à mesma organização, com as mesmas ações, durante todo esse período. A revolta terminou em desastre pra Jerusalém: os romanos destruíram a cidade e o templo no ano 70.
Na Bíblia, a referência mais conhecida é Simão, o Zelote, um dos doze apóstolos de Jesus (Lucas 6:15; Atos 1:13). Esse título pode indicar que ele tinha ligação com a resistência a Roma ou que era conhecido pelo seu zelo. O Novo Testamento não explica qual das duas coisas é o caso. Por isso, não sabemos se Simão participou de alguma revolta, nem se alguma vez agiu com violência.
O que sabemos é que Jesus chamou Simão pra segui-lo. Entre os doze também estava Mateus, que havia sido cobrador de impostos — uma atividade associada ao sistema de governo sob Roma (Mateus 9:9; 10:3). As histórias anteriores dos dois poderiam colocá-los em lados opostos. Mas os Evangelhos não relatam uma briga entre eles. O ponto seguro é outro: Jesus reuniu como discípulos pessoas que vinham de situações muito diferentes.
Assim, quando você encontrar “Simão, o Zelote” na Bíblia, lembre-se de que “zelote” está ligado ao forte desejo de libertar Israel do domínio romano. Mas não atribua a Simão atos que a Bíblia não conta. O que ela destaca sobre ele não é uma possível participação na resistência, e sim o fato de que ele passou a seguir Jesus.