Significa que Jesus se importava profundamente com a honra de Deus e não aceitou ver o templo tratado como um mercado. Os discípulos se lembraram dessas palavras quando viram o que ele fez ali. Mas a frase também aponta pra algo maior: sua dedicação a Deus lhe traria oposição e sofrimento.
João conta que, perto da Páscoa, Jesus foi ao templo em Jerusalém e encontrou vendedores de animais e pessoas trocando dinheiro. Os animais eram usados nos sacrifícios, e quem vinha de longe podia precisar comprá-los. O problema não era simplesmente a existência dessas necessidades. Era o que estava acontecendo no espaço do templo: o comércio havia tomado o lugar que devia ser tratado como casa de seu Pai. Jesus expulsou os animais, espalhou as moedas dos cambistas, virou as mesas e mandou os vendedores tirarem dali suas mercadorias (João 2:13-16).
Foi então que os discípulos se lembraram do Salmo 69:9. Nesse salmo, Davi fala de seu amor pela casa de Deus e também das ofensas que sofre por causa de sua fidelidade. O “zelo” é essa dedicação intensa. Dizer que ele o “consome” é dizer que isso envolve sua vida inteira, inclusive quando lhe custa caro.
João vê essas palavras se cumprindo de modo especial em Jesus. Seu zelo não ficou só no sentimento: ele agiu em defesa da honra de seu Pai. E essa atitude trouxe confronto. Logo depois, as autoridades questionaram com que direito ele fazia aquilo. Jesus respondeu falando de sua morte e ressurreição, embora os que o ouviram não entendessem isso naquele momento (João 2:18-22).
Por isso, a frase não quer dizer apenas que Jesus ficou muito indignado naquele dia. Ela mostra o quanto a vontade de Deus importava pra ele — tanto que não recuou diante da oposição que sua fidelidade lhe traria.