Porque Jesus é a forma portuguesa do nome usado para ele no Novo Testamento. Não estamos falando de outra pessoa nem trocando o nome dele por um nome sem relação com o original. Estamos dizendo esse nome na nossa língua.
No lugar onde Jesus viveu, seu nome era provavelmente pronunciado *Yeshua*. Essa é uma forma de *Yehoshua*, nome que também chegou ao português como Josué. Quando os autores do Novo Testamento escreveram em grego, usaram a forma *Iēsous*. Mais tarde, por meio do latim, essa forma chegou ao português como Jesus.
Isso ajuda a entender um detalhe curioso: no texto grego do Novo Testamento, o nome usado pra Jesus também aparece quando o assunto é Josué, o homem que conduziu Israel depois de Moisés. Em português, traduzimos de um jeito ou de outro conforme a pessoa de quem o texto está falando (Atos 7:45; Hebreus 4:8). São formas diferentes de um nome que percorreu línguas diferentes.
E a letra J? Ela não existia da mesma maneira no hebraico ou no grego antigo. Mas isso não torna errado escrever *Jesus* em português. Também escrevemos *Jerusalém* e *Judá* com J, sem achar que deixamos de falar dos lugares ou das pessoas mencionadas na Bíblia. A escrita e a pronúncia mudam quando um nome passa de uma língua pra outra; a pessoa a quem ele se refere não muda.
A Bíblia não manda que a gente pronuncie o nome de Cristo em hebraico pra ser ouvido por Deus. O próprio Novo Testamento foi escrito em grego e apresenta Jesus aos leitores usando a forma grega do seu nome. O que importa ao invocar o Senhor não é reproduzir uma pronúncia antiga, mas saber quem ele é e confiar nele. É por isso que um cristão pode dizer *Yeshua*, e outro, falando português, pode dizer *Jesus*: os dois podem estar se referindo ao mesmo Senhor.
Então não há problema em chamá-lo de Jesus. E usar *Yeshua* também não é errado. O erro seria afirmar que Deus só aceita uma dessas formas, como se a salvação dependesse do idioma em que pronunciamos o nome dele.