Não há base bíblica pra dizer que o World ID é a marca da besta, nem que a Worldcoin será uma moeda mundial no fim dos tempos. A dúvida é compreensível: o World ID envolve uma identificação digital, pode usar o escaneamento da íris e está ligado a um projeto de moeda digital. Isso lembra a muita gente o que Apocalipse diz sobre uma marca ligada à compra e à venda. Mas a semelhança, por si só, não basta pra identificar o cumprimento de uma profecia.
Em Apocalipse 13:16-17, a marca aparece na mão direita ou na testa, e o texto diz que quem não a tem fica impedido de comprar ou vender. Só que esse não é todo o quadro. No mesmo capítulo, receber a marca está ligado à besta e à adoração prestada a ela. Apocalipse 14:9-11 também trata essas duas coisas juntas. Portanto, a marca não é apresentada simplesmente como uma forma de provar a identidade de alguém ou fazer pagamentos. Ela faz parte de uma situação de lealdade religiosa à besta.
O World ID tem outra finalidade declarada: verificar que uma conta pertence a uma pessoa real e única. O projeto usa, entre outros meios, um aparelho que escaneia a íris pra fazer essa verificação. Isso levanta perguntas sérias sobre privacidade e sobre o uso dos dados, mas escanear o olho não é a mesma coisa que receber uma marca na testa ou na mão, nem significa adorar a besta.
Também é importante separar o que a Bíblia diz do que se imagina que poderá acontecer. Apocalipse fala de restrições pra comprar e vender, mas não identifica uma moeda digital específica como parte dessa profecia. Por isso, chamar a Worldcoin de “moeda global do fim dos tempos” vai além do que o texto bíblico permite afirmar. Alguns cristãos entendem que Apocalipse descreve principalmente acontecimentos futuros; outros interpretam partes dessas visões de maneira diferente. Mesmo entre os que esperam um cumprimento futuro, não há fundamento pra apontar esse projeto atual como a marca ou a moeda da profecia.
Isso quer dizer que um cristão deve usar o World ID sem preocupação? Não necessariamente. É sensato perguntar quais dados serão coletados, como serão guardados, se poderão ser apagados e o que acontece caso haja vazamento ou mudança nas regras do serviço. Alguém pode decidir não usar o projeto por esses motivos, sem precisar afirmar que ele é a marca da besta. Outra pessoa pode chegar a uma decisão diferente. A Bíblia não dá uma ordem específica sobre usar ou evitar esse serviço.
O cuidado principal é não deixar que o medo transforme uma possibilidade em certeza. Jesus disse que não cabe a nós conhecer os tempos que o Pai estabeleceu por sua própria autoridade (Atos 1:7). Podemos avaliar novas tecnologias com prudência e, ao mesmo tempo, ler Apocalipse com atenção ao que ele realmente diz: seu alerta não é sobre qualquer identificação digital, mas sobre a lealdade que as pessoas darão à besta em vez de permanecerem fiéis a Deus.