Jesus não estava ensinando que pronunciar a palavra “tolo” leva alguém automaticamente ao inferno. Ele estava condenando o desprezo pela outra pessoa — a atitude de quem, tomado pela raiva, a insulta e a trata como alguém que não merece respeito.
Pra entender isso, vale olhar o assunto que Jesus estava explicando. Em Mateus 5:21-22, ele parte do mandamento que proíbe matar e mostra que também precisamos prestar atenção ao que acontece antes de uma agressão: a raiva que alimentamos e a maneira como falamos com os outros. Mais adiante, ele diz que, se alguém se lembra de que seu irmão tem algo contra ele, deve procurar fazer as pazes (Mateus 5:23-24). A preocupação de Jesus não é só evitar o pior ato possível; é tratar bem a pessoa com quem estamos em conflito.
A palavra traduzida por “tolo” podia ser usada pra atacar a inteligência ou o caráter de alguém. Mas o ponto principal não é descobrir uma palavra proibida. É perceber como e por que ela está sendo dita. Há diferença entre reconhecer que alguém agiu sem sabedoria e usar um insulto pra humilhá-lo. O próprio Jesus falou de pessoas insensatas em outras ocasiões (Mateus 23:17). Portanto, Mateus 5:22 não impede toda crítica ou correção. Ele nos adverte contra a fala que nasce do desprezo.
Quando Jesus associa esse insulto ao julgamento divino, ele mostra que Deus leva nossas palavras a sério. Isso não quer dizer que toda pessoa que já ofendeu alguém esteja sem esperança. Quer dizer que não devemos tratar a raiva e a humilhação como coisas sem importância. Elas podem ferir o próximo e revelam algo que precisa mudar em nós.
Assim, o sentido da advertência é bem prático: quando houver um conflito, não basta evitar a violência. Jesus nos chama a deixar o desprezo de lado e, sempre que possível, buscar a reconciliação.