Matar é tirar uma vida. Assassinar é tirar uma vida de maneira injusta. Essa diferença ajuda a entender o sexto mandamento, muitas vezes traduzido como “Não matarás” (Êxodo 20:13; Deuteronômio 5:17).
O mandamento não quer dizer que toda morte causada por uma pessoa seja tratada da mesma forma. A própria lei dada a Israel distinguia quem matava alguém de propósito de quem causava uma morte sem intenção. Em Números 35, por exemplo, a pessoa acusada de matar podia ser julgada, e as circunstâncias da morte importavam. Por isso, “não assassinar” comunica melhor o sentido do mandamento do que uma proibição absoluta de tirar uma vida.
Isso não significa, porém, que basta chamar uma morte de “justificada” para ela deixar de ser um problema. A Bíblia trata a vida humana como preciosa porque as pessoas foram criadas à imagem de Deus (Gênesis 9:6). Quem tira uma vida precisa responder por seus motivos e pelo que realmente aconteceu. Mesmo uma morte sem intenção era tratada com seriedade na lei de Israel.
A Bíblia também apresenta situações diferentes do assassinato, como a punição de crimes pelas autoridades e as guerras narradas no Antigo Testamento. Mas essas passagens não dão a qualquer pessoa permissão para matar quem considera culpado. Nem tornam toda guerra ou todo uso de força correto. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia chegam a conclusões diferentes sobre questões como a participação em guerras e o uso de força letal para se defender.
Então, a resposta é esta: todo assassinato causa uma morte, mas nem toda morte causada por alguém é assassinato. O sexto mandamento proíbe tirar injustamente a vida de outra pessoa. Ao mesmo tempo, ele nos lembra de levar toda perda de vida humana a sério — não apenas de procurar uma justificativa para ela.