Levítico 18:22 proíbe que um homem tenha relações sexuais com outro homem. A frase “como se fosse mulher” descreve o ato sexual; não quer dizer que a proibição se aplique apenas quando um dos homens assume determinado papel. O versículo fala de uma prática, não do simples fato de alguém sentir atração por pessoas do mesmo sexo.
Pra entender a ordem, vale olhar o capítulo. Deus estava ensinando ao povo de Israel como viver de modo diferente dos povos ao redor (Levítico 18:3-5). Nesse mesmo capítulo, ele proíbe relações sexuais entre parentes próximos, o adultério e relações com animais. Levítico 20:13 repete a proibição de relações sexuais entre homens. Por isso, não há no texto uma indicação de que Levítico 18:22 trate *somente* de prostituição ou de algum ritual religioso. O capítulo também menciona o sacrifício de crianças a Moloque, mas essa menção não prova que o ato descrito no versículo seguinte fizesse parte daquele ritual.
Isso levanta outra pergunta importante: se essa ordem foi dada a Israel, o que ela significa para os cristãos hoje? Os cristãos não estão sujeitos à Lei de Moisés como Israel estava. Portanto, não se deve pegar as punições previstas naquela lei e aplicá-las hoje. Ao mesmo tempo, o Novo Testamento volta a tratar das relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo em passagens como Romanos 1:26-27, 1 Coríntios 6:9-11 e 1 Timóteo 1:9-10. Por isso, a interpretação cristã tradicional entende que a proibição não era apenas uma regra temporária para Israel.
Existem cristãos que interpretam essas passagens do Novo Testamento de outro modo. Eles argumentam que elas condenam práticas marcadas por exploração, idolatria ou abuso, e não relacionamentos estáveis e consentidos. Outros observam que os textos não limitam a proibição a essas situações. Levítico 18:22, por si só, não fala de namoro, casamento ou compromisso; ele proíbe o ato sexual entre homens. A discussão sobre como aplicar esse ensino hoje precisa considerar também as passagens do Novo Testamento, sem fingir que Levítico descreve todas as situações atuais.
Há ainda uma distinção que não pode ficar de fora: sentir atração não é a mesma coisa que praticar um ato sexual. E ninguém deve ser tratado como se sua sexualidade fosse a única coisa que define quem é. Ao falar de pecado, o Novo Testamento também fala da graça de Deus: em 1 Coríntios 6:11, Paulo lembra a seus leitores que eles foram acolhidos e transformados por Cristo. A salvação não é conquistada por alguém ter uma vida sem falhas; ela é recebida pela fé em Jesus (Efésios 2:8-9).
Assim, Levítico 18:22 tem um sentido direto: proíbe relações sexuais entre homens. O cuidado está em não acrescentar ao versículo uma restrição que ele não traz, nem usá-lo pra justificar desprezo por pessoas. A fidelidade ao ensino bíblico e o amor ao próximo precisam andar juntos.