Jesus estava dizendo aos discípulos que a palavra que ele lhes havia anunciado já tinha feito diferença na vida deles. Eles tinham recebido seus ensinamentos e confiado nele. Por isso, Jesus podia chamá-los de “limpos”. Ele não estava dizendo que nunca mais pecariam, nem que não precisavam aprender mais nada.
O momento da conversa ajuda a entender isso. Em João 15, Jesus compara a si mesmo a uma videira e os discípulos aos ramos. Um ramo só produz fruto enquanto está ligado à videira. Da mesma forma, os discípulos só poderiam viver como Jesus ensinava se continuassem unidos a ele. Jesus também diz que o Pai cuida dos ramos que dão fruto, podando-os para que deem ainda mais (João 15:1-5).
É nesse ponto que Jesus afirma que eles já estão limpos por causa da palavra. Ele reconhece o que sua palavra já havia feito neles. Mas, logo depois, manda que permaneçam nele. Uma coisa não elimina a outra: eles já pertenciam a Jesus e ainda precisavam continuar dependendo dele.
Há uma conversa anterior que torna isso mais claro. Quando Jesus lavou os pés dos discípulos, disse que eles estavam limpos, mas não todos. João explica que ele se referia a Judas, que o trairia (João 13:10-11). Mais tarde, Judas saiu do grupo (João 13:30). Assim, quando Jesus fala em João 15:3, sua declaração é dirigida aos discípulos que permaneceram com ele. A diferença não era simplesmente ter ouvido suas palavras: Judas também as tinha ouvido. Os outros, porém, haviam recebido Jesus, embora ainda tivessem muito a aprender.
E como a palavra de Jesus os limpou? Não como se ouvir certas frases fosse um ritual capaz de tirar o pecado. Jesus lhes revelou quem ele era, chamou-os a confiar nele e lhes ensinou a viver segundo a vontade de Deus. Sua palavra os levou a ele. É por isso que, na mesma conversa, Jesus também pede ao Pai que santifique seus discípulos pela verdade (João 17:17).
Portanto, João 15:3 traz ao mesmo tempo segurança e um chamado. Segurança, porque Jesus reconheceu que aqueles discípulos já eram seus. E um chamado, porque estar limpo não significava poder seguir sozinho. Eles precisavam continuar ligados a Jesus, ouvindo sua palavra e vivendo de acordo com ela. Como ele explica poucos versículos depois, é dessa união com ele que vem o fruto (João 15:4-5).