Paulo quis dizer que Jesus dava sentido e direção à sua vida. Enquanto estivesse vivo, ele queria servir a Cristo e ajudar outras pessoas a conhecê-lo. E, quando morresse, estaria com Cristo. É essa ligação entre as duas partes da frase que ajuda a entender Filipenses 1:21.
Paulo escreveu isso enquanto estava preso. Ele não sabia se seria solto ou condenado à morte. Mesmo assim, contou aos cristãos de Filipos que sua prisão não tinha impedido a mensagem sobre Jesus de avançar. Então explicou por que desejava continuar vivo: ainda poderia trabalhar e ser útil àqueles irmãos, ajudando-os a crescer na fé (Filipenses 1:12-14, 22-25). Viver, pra ele, não era apenas escapar da morte. Era ter mais uma oportunidade de servir a Cristo.
Isso não significa que Paulo só pensava em pregar. Jesus orientava a maneira como ele tratava as pessoas, enfrentava as dificuldades e fazia suas escolhas. Paulo queria conhecer Cristo cada vez mais e viver de um jeito coerente com essa fé (Filipenses 3:10; 1 Coríntios 11:1). Até as coisas que antes lhe davam orgulho perderam a importância que tinham quando ele entendeu que não podia conquistar, por mérito próprio, uma posição justa diante de Deus. Ele precisava de Cristo (Filipenses 3:7-9).
Por isso, dizer que “o viver é Cristo” não é dizer que trabalho, família ou outros cuidados da vida não importam. É dizer que nenhuma dessas coisas ocupa o lugar de Jesus. A fé nele muda o motivo pelo qual vivemos e a maneira como cuidamos das pessoas e cumprimos nossas responsabilidades.
Paulo também disse que morrer seria lucro porque, para quem pertence a Cristo, a morte não é o fim da relação com ele. Paulo esperava estar com Jesus (Filipenses 1:23). Mas essa esperança não fez com que desprezasse a vida. Pelo contrário: enquanto vivesse, queria usá-la para o bem de outros. Esse é o sentido da frase: Cristo era a razão de Paulo viver, e a esperança de estar com Cristo lhe permitia enfrentar até a morte.