Sim, no sentido em que a Bíblia chama de “últimos dias” o período iniciado com a primeira vinda de Jesus. Mas não sabemos se a volta dele acontecerá em breve. Essa diferença é importante: uma coisa é reconhecer que vivemos à espera da volta de Cristo; outra é afirmar que os acontecimentos de hoje permitem calcular o quanto falta.
No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio sobre os discípulos, Pedro explicou aquele acontecimento usando uma profecia sobre os últimos dias (Atos 2:16-17). Mais tarde, Hebreus 1:1-2 também descreveu os dias de Jesus dessa maneira. Portanto, para o Novo Testamento, os últimos dias não começaram com uma guerra recente, uma nova tecnologia ou uma mudança política. Eles já haviam começado no tempo dos apóstolos.
Então, por que Jesus falou de guerras, terremotos e fome? Porque essas coisas fariam parte do período que antecede sua volta (Mateus 24:6-8; Lucas 21:11). Ao mesmo tempo, ele advertiu seus discípulos a não concluírem que o fim chegaria imediatamente ao ouvirem falar de guerras. Também disse que haveria falsos mestres e pessoas tentando enganar seus seguidores (Mateus 24:4-5).
Isso nos ajuda a entender o que vemos hoje. Guerras, desastres e engano religioso devem ser levados a sério. Eles nos lembram que este mundo ainda sofre e precisa da intervenção de Deus. Mas não funcionam como um calendário. Cristãos de outras épocas também enfrentaram guerras devastadoras, epidemias e perseguições. Só observar um acontecimento assustador não nos permite dizer: “Jesus voltará agora”.
Algumas pessoas relacionam a formação do Estado de Israel em 1948 às profecias sobre a volta de Cristo. Outras entendem essas passagens de modo diferente. A Bíblia não apresenta aquele acontecimento moderno como uma prova que permita marcar a proximidade da volta de Jesus. Do mesmo modo, Apocalipse 13 fala de um poder que exige lealdade e interfere na compra e venda, mas não identifica a marca da besta como um chip ou outra tecnologia específica. Fazer essa identificação seria ir além do que o texto afirma.
A certeza que Jesus nos deu não é uma data: é a promessa de que ele voltará. Ele também disse que ninguém sabe o dia nem a hora (Mateus 24:36). Por isso, a atitude que ele ensinou não é procurar sinais para montar uma contagem regressiva, mas viver preparado — confiando nele, obedecendo à sua palavra e permanecendo fiel (Mateus 24:42-44).
E estar preparado não significa conseguir prever o futuro. Significa reconhecer que precisamos de perdão e confiar em Jesus Cristo. Segundo o evangelho, a vida eterna não é uma recompensa que conseguimos por esforço próprio; é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, que morreu e ressuscitou por nós (Romanos 3:23-24; Efésios 2:8-9; 1 Coríntios 15:3-4).
Portanto, estamos vivendo nos últimos dias, como os cristãos vivem desde os tempos dos apóstolos. O que não sabemos é quanto tempo falta. A pergunta mais importante não é se conseguimos reconhecer a última notícia antes da volta de Jesus, mas se estamos vivendo hoje em confiança nele.