O G12, ou “Governo dos Doze”, é uma forma de organizar o trabalho de uma igreja em pequenos grupos. Em geral, um líder acompanha doze pessoas e prepara cada uma delas pra acompanhar outras doze. A proposta é que esses grupos se multipliquem, ajudando a igreja a evangelizar e a cuidar de quem chega à fé. O modelo se tornou conhecido por meio do pastor César Castellanos e da Missão Carismática Internacional, na Colômbia.
Reunir pessoas em pequenos grupos não é o problema. Cristãos podem se encontrar em casas pra orar, aprender a Bíblia e ajudar uns aos outros. O Novo Testamento mostra reuniões em casas, como a da igreja que se encontrava na casa de Priscila e Áquila (Romanos 16:3-5). Preparar pessoas pra ensinar outras também combina com a orientação de Paulo a Timóteo (2 Timóteo 2:2). Uma igreja pode, portanto, usar grupos pequenos como parte do seu trabalho.
A dúvida principal é outra: Deus mandou que toda igreja se organizasse em grupos de doze? A Bíblia não diz isso. Jesus escolheu doze apóstolos, e esse número tinha uma ligação especial com as doze tribos de Israel (Mateus 10:1-4; 19:28). Mas o fato de Jesus ter escolhido doze apóstolos não significa que cada pastor deva formar doze líderes, que por sua vez formarão outros doze. Os textos bíblicos não transformam esse número numa regra pra organizar todas as igrejas.
Também é importante separar o método dos ensinamentos que podem vir junto com ele. Castellanos apresentou o G12 como uma visão recebida de Deus. Cristãos que levam a Bíblia a sério podem avaliar propostas de organização, mas não devem aceitar uma experiência pessoal como se ela criasse uma obrigação pra toda a igreja. A missão de fazer discípulos foi dada por Jesus (Mateus 28:18-20); o modelo G12 é uma maneira proposta por pessoas pra realizar parte desse trabalho.
Por isso, afirmações como “quem não adota o G12 está se opondo a Deus” vão além do que a Bíblia permite dizer. O mesmo vale pra ideia de que ele seja o único modelo correto ou necessariamente o mais eficaz. Uma igreja pode decidir usar grupos de doze, grupos de outro tamanho ou outra forma de acompanhar as pessoas sem estar, por isso, desobedecendo a Cristo.
Há ainda preocupações com ensinamentos associados a alguns defensores do movimento. Quando alguém reivindica autoridade espiritual que não pode ser questionada, apresenta novas revelações como regras pra todos os cristãos ou promete bênçãos que a Bíblia não promete, esses ensinos precisam ser examinados. Isso não quer dizer que toda igreja que usa células ensine as mesmas coisas. Quer dizer que não basta avaliar se um método faz a igreja crescer: é preciso avaliar o que está sendo ensinado (Atos 17:11; 2 Timóteo 3:14-17).
Em resumo, o G12 pode ser entendido como um método de organização e discipulado, não como uma ordem bíblica pra todas as igrejas. Pequenos grupos podem ser úteis. O cuidado necessário é não transformar o número doze numa exigência de Deus nem dar a líderes ou a experiências pessoais uma autoridade que pertence às Escrituras.