A Bíblia ensina claramente que Maria era virgem quando Jesus foi concebido. Ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo, antes de viver com José como esposa (Mateus 1:18-25; Lucas 1:26-35). A dúvida é sobre o que aconteceu depois que Jesus nasceu. Nesse ponto, a Bíblia não diz expressamente que Maria continuou virgem por toda a vida.
Mateus conta que José não teve relações com Maria até o nascimento de Jesus (Mateus 1:25). A frase deixa claro que ele respeitou a gravidez dela, mas, sozinha, não prova o que aconteceu depois. Na linguagem bíblica, dizer que algo não ocorreu “até” certo momento nem sempre significa que passou a ocorrer em seguida.
Há também as passagens que falam dos “irmãos” e das “irmãs” de Jesus. Em Mateus 13:55-56, algumas dessas pessoas são até mencionadas pelo nome. Lendo o texto de maneira direta, é natural entender que eram filhos de Maria e José. Outros cristãos, porém, entendem que poderiam ser parentes próximos de Jesus ou filhos de José de um casamento anterior. O texto não explica a relação deles com detalhes suficientes pra eliminar toda discussão.
Assim, a virgindade perpétua de Maria não é um ensinamento estabelecido claramente pela Bíblia. A leitura de que Maria e José tiveram outros filhos encontra apoio na maneira mais natural de entender as passagens sobre os irmãos de Jesus. Ainda assim, é mais preciso reconhecer que esses textos não encerram a questão de forma incontestável.
E há algo importante que não depende dessa discussão: se Maria e José tiveram relações depois do nascimento de Jesus, isso não diminuiria Maria em nada. A vida conjugal faz parte do casamento; não é pecado nem torna alguém menos digno diante de Deus (Hebreus 13:4). O que os Evangelhos destacam com certeza não é uma declaração sobre toda a vida conjugal de Maria, mas o fato extraordinário de que Jesus nasceu de uma virgem.