O vingador de sangue era um parente de alguém que havia sido morto. Na antiga lei dada a Israel, ele podia executar a pena contra o assassino do seu familiar. Mas isso não lhe dava o direito de matar qualquer pessoa envolvida numa morte. A lei fazia uma distinção importante entre assassinato e acidente.
Quando alguém matava outra pessoa, podia fugir pra uma das cidades de refúgio. Ali ficava protegido até que o caso fosse julgado. Se fosse comprovado que matou de propósito, por ódio ou numa emboscada, não podia usar a cidade como abrigo pra escapar da pena. O vingador de sangue podia então executar a sentença (Números 35:16-21, 30-31; Deuteronômio 19:11-13).
Se a morte tivesse sido acidental, a situação era diferente. Imagine alguém trabalhando com um machado e a lâmina se soltando e atingindo outra pessoa, sem que houvesse inimizade entre elas. Esse é o tipo de caso descrito em Deuteronômio 19:4-6. O responsável pela morte podia viver na cidade de refúgio, protegido do vingador de sangue. Precisava permanecer ali até a morte do sumo sacerdote; depois, podia voltar pra casa (Números 35:22-28).
Por que existia essa função? A lei de Israel tratava a vida humana como algo precioso. Deus havia dito, ainda no tempo de Noé, que as pessoas foram feitas à sua imagem e que o derramamento de sangue humano exigia uma resposta (Gênesis 9:5-6). Ao mesmo tempo, as cidades de refúgio impediam que a dor e a revolta de uma família levassem à morte de alguém que não tinha cometido assassinato.
Portanto, o vingador de sangue fazia parte de uma lei específica do antigo Israel, com limites e julgamento. Não é uma autorização bíblica pra alguém se vingar hoje. No Novo Testamento, os cristãos são orientados a não fazer justiça com as próprias mãos, mas a deixar a retribuição nas mãos de Deus (Romanos 12:17-19). Isso não significa ignorar crimes: Paulo também reconhece o papel das autoridades em punir quem pratica o mal (Romanos 13:1-4).