A expressão aparece primeiro na história de Caim. Depois de matar seu irmão Abel, Caim teve medo de que alguém o matasse. Deus, então, declarou que quem matasse Caim sofreria uma vingança sete vezes maior e colocou nele um sinal de proteção (Gênesis 4:8-15).
Isso não quer dizer, necessariamente, que sete pessoas morreriam no lugar de Caim. O texto não explica como essa vingança aconteceria. O ponto é que matar Caim traria uma punição severa. Embora Caim fosse culpado pela morte de Abel, ninguém recebeu de Deus o direito de matá-lo por conta própria.
Mais adiante, Lameque, um descendente de Caim, usa essa mesma expressão. Ele conta que matou um homem que o havia ferido e afirma que, se Caim seria vingado sete vezes, ele seria vingado setenta e sete vezes (Gênesis 4:23-24). Aqui está a diferença importante: Deus havia prometido proteger Caim; Lameque declara, por si mesmo, que merece uma proteção ainda maior. O texto não diz que Deus lhe fez essa promessa.
Por isso, as palavras de Lameque não são uma regra bíblica sobre quanto alguém deve se vingar. Elas mostram como a violência podia aumentar: Lameque matou alguém após ter sido ferido e falou como se qualquer reação contra ele merecesse uma punição ainda mais pesada. O número expressa essa ameaça crescente, não uma conta que o leitor precise calcular.
Jesus ensina seus discípulos a seguir outro caminho. Ao responder quantas vezes devemos perdoar alguém, ele usa uma expressão numérica parecida pra ensinar que o perdão não deve ser contado até chegar a um limite (Mateus 18:21-22). Isso não significa ignorar o mal ou abandonar a justiça. Significa não fazer da vingança pessoal a resposta pra uma ofensa.
Assim, em Gênesis 4, ser “vingado sete vezes” significa que Deus protegeria Caim com a ameaça de uma punição severa a quem o matasse. Já Lameque toma essa ideia e a amplia em suas próprias palavras — sem que a Bíblia aprove sua atitude.