Depende do que se quer dizer com esse título. A Igreja Católica chama o papa de “vigário de Cristo” porque entende que ele recebeu a missão de representar Cristo na liderança da Igreja. Já na compreensão evangélica, a Bíblia não ensina que exista um líder humano com essa autoridade sobre todos os cristãos. Jesus continua sendo o cabeça da Igreja e não precisa de um sucessor pra ocupar o seu lugar (Efésios 1:22-23).
Isso não quer dizer que a Bíblia rejeite líderes ou representantes de Jesus. Ele enviou seus apóstolos pra anunciar sua mensagem e cuidar das pessoas (Mateus 28:19-20). O ponto da dúvida é outro: Jesus deu a Pedro uma autoridade que passaria, depois dele, aos bispos de Roma?
Há passagens importantes nessa discussão. Em Mateus 16:18-19, Jesus fala da edificação da sua Igreja e entrega a Pedro as chaves do Reino. Depois da ressurreição, manda Pedro cuidar de suas ovelhas (João 21:15-17). Os católicos entendem que esses textos mostram uma responsabilidade especial dada a Pedro, que continuaria por meio de seus sucessores.
Essas palavras de Jesus precisam ser levadas a sério. Pedro teve, de fato, um papel de destaque entre os apóstolos. Mas ter esse papel não é, por si só, o mesmo que instituir o papado. Essas passagens não dizem expressamente que a responsabilidade de Pedro passaria aos futuros bispos de Roma, nem apresentam um desses bispos como líder de toda a Igreja. Por isso, os evangélicos não consideram que os textos sejam suficientes pra estabelecer o título de vigário de Cristo para o papa.
Também é importante não confundir a posição católica com a ideia de que o papa salva as pessoas no lugar de Jesus. A Igreja Católica não ensina isso. Ainda assim, a Bíblia insiste que Cristo tem uma posição que ninguém pode assumir. Ele é o único mediador entre Deus e as pessoas (1 Timóteo 2:5). Hebreus 7:23-25 explica que, ao contrário dos antigos sacerdotes, que morriam e precisavam ser substituídos, Jesus vive para sempre e continua intercedendo por aqueles que se aproximam de Deus por meio dele. Seu sacerdócio não passa a outra pessoa.
E Jesus não deixou seus seguidores sem ajuda quando voltou ao Pai. Ele prometeu enviar o Espírito Santo pra estar com eles, ensiná-los e guiá-los (João 14:16-18, 26; 16:13). Isso não significa que o Espírito Santo seja simplesmente um “papa invisível” ou um substituto de Jesus. Significa que Cristo continua presente e ativo entre os seus pelo Espírito, enquanto a Igreja conta com pessoas chamadas pra servir, ensinar e cuidar — não pra ocupar o lugar de Cristo.
Portanto, a resposta evangélica é não: a Bíblia não estabelece o papa como vigário de Cristo. Podemos reconhecer o papel que Pedro exerceu e tratar os católicos com respeito, sem concluir que Jesus tenha dado a um homem a autoridade de representá-lo como chefe de toda a Igreja. O cuidado dos líderes cristãos é importante, mas a confiança da Igreja deve permanecer em Cristo, que continua vivo, governa os seus e intercede por eles.