No Salmo 23, andar pelo “vale da sombra da morte” significa passar por um momento de grande perigo, sofrimento ou medo. Davi não diz que esse caminho é seguro ou agradável. Ele diz que, mesmo ali, não está sozinho: Deus está com ele.
O salmo apresenta Deus como um pastor que cuida das suas ovelhas. Primeiro, Davi fala de pastos e águas tranquilas. Depois, fala de um vale escuro. A mudança é importante: confiar em Deus não significa que a vida será sempre tranquila. Significa que ele continua cuidando de nós quando o caminho se torna difícil.
A expressão hebraica traduzida tradicionalmente por “sombra da morte” também pode ser entendida como “profunda escuridão”. Por isso, algumas traduções falam de um vale muito escuro, sem mencionar a morte diretamente. As duas formas ajudam a perceber a força da imagem: é um lugar onde há razões reais para sentir medo. O salmo não limita esse vale aos últimos momentos da vida. Ele pode descrever outras situações em que nos sentimos ameaçados e não conseguimos enxergar bem o que vem pela frente.
Por que, então, Davi diz que não terá medo? Não porque o perigo desapareceu, mas porque o Pastor está com ele. Davi menciona o bordão e o cajado, instrumentos ligados ao cuidado do pastor com as ovelhas. A segurança dele está em saber quem o acompanha.
Isso também traz consolo diante da morte, embora o versículo não fale apenas dela. Para quem confia em Deus, até esse momento pode ser enfrentado com a certeza da sua presença. E, para o cristão, há também a esperança da ressurreição prometida por meio de Jesus Cristo (João 11:25-26; 1 Coríntios 15:20-22).
Assim, o Salmo 23 não promete uma vida sem vales escuros. Ele nos ensina que, quando passamos por eles, podemos confiar no Deus que não nos abandona.