João chama Jesus de “unigênito do Pai” porque a relação dele com Deus é única. Deus acolhe como filhos todos os que creem em Jesus, mas Jesus não se torna Filho do mesmo modo que nós. Ele é o Filho que veio do Pai para viver entre nós e nos mostrar quem o Pai é (João 1:12, 14, 18).
A palavra traduzida por “unigênito” pode causar uma dúvida: será que ela quer dizer que Jesus nasceu de Deus em algum momento e, antes disso, não existia? Não é isso que João está dizendo. Nesse contexto, a palavra destaca que Jesus é o Filho único, sem outro igual a ele. Ela não nos dá uma data para o começo da existência de Jesus.
O próprio início do Evangelho ajuda a entender isso. Antes de contar que Jesus se tornou homem, João diz que ele já existia com Deus e era Deus. Também afirma que todas as coisas foram feitas por meio dele (João 1:1-3). Então, quando João diz que o Verbo “se fez carne”, o sentido é que aquele que já existia veio viver uma vida humana — não que começou a existir naquele momento (João 1:14).
É por isso que a expressão fala de muito mais do que um título especial. Jesus pode nos revelar o Pai de uma maneira que ninguém mais pode, porque sua relação com o Pai não é como a de um profeta enviado por Deus, nem como a nossa relação de filhos recebidos por ele. Como João explica mais adiante, Jesus veio do Pai para nos dar a conhecer Deus (João 1:18).
Assim, chamar Jesus de “unigênito do Pai” não significa dizer que ele foi criado. Significa reconhecer que ele é o Filho único, que já existia com o Pai e veio ao mundo para que pudéssemos conhecer a Deus por meio dele.