Estar unido a Cristo significa que, pela fé, pertencemos a ele e recebemos dele uma vida nova. Não quer dizer que nos tornamos a mesma pessoa que Jesus. Quer dizer que nossa relação com ele não se resume a admirá-lo, seguir seus ensinamentos ou pedir sua ajuda de vez em quando. Ele nos salva e passa a ser essencial pra nossa vida com Deus.
É por isso que o Novo Testamento diz tantas vezes que os cristãos estão “em Cristo”. Paulo explica, por exemplo, que Deus nos perdoa por meio dele (Efésios 1:7). Em outra passagem, diz que quem está em Cristo é uma nova criação (2 Coríntios 5:17). As duas coisas estão ligadas: Jesus não apenas nos dá o perdão; ele também muda a vida de quem lhe pertence.
O próprio Jesus explicou essa ligação usando a figura da videira e dos ramos (João 15:4-5). Um ramo depende da videira pra viver e produzir fruto. Da mesma forma, não conseguimos produzir por conta própria a vida que agrada a Deus. Precisamos permanecer em Cristo. Isso ajuda a entender por que a união com ele não é só uma ideia sobre como Deus nos vê: ela também transforma a maneira como vivemos.
Paulo fala dessa mudança ao dizer que foi crucificado com Cristo e que agora vive pela fé nele (Gálatas 2:20). Paulo não estava dizendo que morreu fisicamente na cruz com Jesus. O sentido é que a morte de Cristo mudou sua relação com o pecado e com a antiga maneira de viver. Em Romanos 6:3-4, Paulo liga essa verdade ao batismo e ensina que, assim como Cristo ressuscitou, nós também devemos viver de um jeito novo.
Essa união também explica por que podemos nos aproximar de Deus com confiança. Não somos aceitos porque conseguimos ser bons o suficiente. Nossa esperança está no que Cristo fez por nós; é nele que recebemos perdão e somos aceitos por Deus (Filipenses 3:8-9). E essa relação não termina quando morremos: Paulo ensina que os que pertencem a Cristo participarão da ressurreição quando ele voltar (1 Coríntios 15:22-23).
Em palavras simples, estar unido a Cristo é pertencer a ele de tal maneira que aquilo que ele fez por nós determina nossa relação com Deus, nossa vida hoje e nossa esperança futura. Não é uma união física nem a perda da nossa identidade. É uma relação real, recebida pela fé, na qual dependemos de Jesus pra sermos salvos e pra aprendermos a viver com ele.