Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é a extrema unção? Ela é necessária antes da morte?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

Extrema unção é um nome tradicional ligado à prática católica hoje chamada de unção dos enfermos. Nela, um padre ora por uma pessoa doente e a unge com óleo, pedindo a ajuda de Deus. Apesar da associação com os momentos finais da vida, a Igreja Católica não reserva essa prática apenas pra quem está morrendo: ela também pode ser realizada quando alguém enfrenta uma doença grave. Quando a unção é acompanhada de outros ritos, como a confissão e a comunhão, o conjunto costuma ser chamado de últimos ritos.

A pergunta mais importante pra muita gente é: a pessoa precisa receber essa unção pra ser salva? A resposta, à luz do Novo Testamento, é não. A salvação não depende de um ritual feito antes da morte. Ela é recebida pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo (Efésios 2:8-9; João 3:16).

Isso não significa que orar por uma pessoa doente, ou ungi-la com óleo, seja errado. Tiago 5:14-16 orienta o cristão enfermo a chamar os presbíteros da igreja para que orem por ele e o unjam com óleo em nome do Senhor. O texto também fala sobre confessar pecados e orar uns pelos outros. Portanto, há fundamento bíblico pra igreja acompanhar quem está doente com oração e cuidado. Em Marcos 6:13, os discípulos também ungiram doentes com óleo e os curaram.

A diferença está no significado atribuído a essa prática. A Igreja Católica entende a unção dos enfermos como um sacramento, pelo qual Deus concede graça à pessoa. Cristãos evangélicos, em geral, entendem Tiago como uma orientação pra buscar a Deus em oração, com o apoio dos responsáveis pela igreja, sem considerar a unção um sacramento necessário pra receber a salvação. O óleo aparece no texto, mas Tiago dá o destaque à oração e ao Senhor, que pode levantar o doente. Também não há motivo pra opor oração e tratamento médico: a pessoa pode buscar os dois.

Tiago menciona o perdão dos pecados, mas isso não quer dizer que toda doença seja causada por um pecado específico. O próprio texto diz *“se”* a pessoa tiver cometido pecados. Há situações em que a Bíblia relaciona doença e disciplina de Deus, como em 1 Coríntios 11:30, mas não podemos concluir isso sobre alguém só porque está doente. Por isso, é certo oferecer oração e cuidado, não acusação.

Assim, se alguém está gravemente enfermo, faz sentido pedir que irmãos da igreja orem com essa pessoa e por ela. E, se ela está perto da morte, o mais importante não é saber se recebeu um rito, mas se confia em Jesus Cristo. A unção não substitui essa fé, nem a falta dela impede Deus de salvar quem crê nele.