Depende do que queremos dizer com “igreja”. Todos os que pertencem a Jesus formam um só povo, não importa onde vivam ou em qual época tenham vivido. Nesse sentido, existe uma só igreja: o corpo de Cristo (Efésios 4:4-6; 1 Coríntios 12:12-13).
Mas esse povo se reúne em lugares diferentes. Por isso, o Novo Testamento também fala de *igrejas*, no plural. Havia, por exemplo, uma igreja que se reunia na casa de Áquila e Priscila, e Paulo visitou igrejas em diferentes regiões (1 Coríntios 16:19; Atos 15:41). Portanto, a existência de muitas comunidades locais não contraria a ideia de uma só igreja de Cristo.
A dúvida mais difícil costuma ser outra: se seguimos o mesmo Jesus, por que existem igrejas com ensinamentos e práticas diferentes? Essa diferença nem sempre tem a mesma causa. Algumas comunidades se organizam de maneiras distintas ou têm costumes diferentes. Outras discordam sobre questões bíblicas importantes, como quem deve ser batizado e como uma igreja deve tomar suas decisões. E há casos mais graves, em que um ensino muda a própria mensagem do evangelho.
A Bíblia não pede que tratemos tudo isso como se tivesse a mesma importância. Paulo foi firme quando pessoas anunciavam um evangelho diferente daquele que ele havia pregado (Gálatas 1:6-9). Por outro lado, ele repreendeu os cristãos de Corinto porque estavam formando grupos em torno de líderes, como se pertencer a Paulo ou a Apolo fosse mais importante do que pertencer a Cristo (1 Coríntios 1:10-13). Ou seja: não devemos aceitar um falso evangelho em nome da união, mas também não devemos nos dividir por orgulho ou preferência pessoal.
Em algumas questões, cristãos que levam a Bíblia a sério chegam a conclusões diferentes. Batistas, por exemplo, costumam batizar quem já professou pessoalmente a fé em Cristo; presbiterianos também batizam os filhos pequenos de famílias cristãs. Essa diferença afeta o que cada igreja faz na prática, e não pode ser resolvida fingindo que as duas posições são iguais. Ainda assim, pessoas dessas igrejas podem reconhecer umas às outras como irmãos em Cristo e cooperar quando compartilham o mesmo evangelho.
Assim, não é necessário que todas as comunidades cristãs se tornem uma única organização. O necessário é que Cristo seja o Senhor delas, que o evangelho seja anunciado com fidelidade e que os cristãos busquem a unidade que ele deseja. Jesus orou pela união dos seus seguidores (João 17:20-21); essa união deve aparecer no amor, no respeito e na disposição de caminhar juntos sempre que isso não exigir abandonar a verdade.
Nenhuma igreja local é perfeita. Por isso, ao procurar uma comunidade, vale observar se ela ensina a Bíblia com seriedade, anuncia a salvação em Jesus Cristo e procura viver de acordo com aquilo que ensina. Há muitas igrejas locais, mas todos os que de fato pertencem a Cristo são parte da sua única igreja.