A Bíblia mostra que um país pode ter fronteiras, mas não traz uma ordem dizendo que todos os países precisam traçá-las de determinada maneira ou adotar uma política específica de imigração.
No caso de Israel, Deus indicou os limites da terra que o povo receberia (Números 34:1-12). Isso mostra que ter um território definido não é, por si só, contrário à vontade de Deus. Em Atos 17:26, Paulo também diz que Deus estabeleceu os tempos e os lugares em que os povos viveriam. Mas nenhuma dessas passagens nos diz onde devem ficar as fronteiras dos países de hoje, nem resolve sozinha questões como entrada de imigrantes e pedidos de refúgio.
Há uma diferença importante: Israel recebeu de Deus uma terra e uma missão próprias. Os países atuais não podem simplesmente tomar as instruções dadas a Israel e dizer que elas justificam qualquer decisão sobre suas fronteiras. Governos precisam tomar decisões práticas sobre território, segurança e acolhimento, mas devem responder moralmente pela maneira como tratam as pessoas.
E a Bíblia é muito clara nesse ponto. Deus proibiu Israel de oprimir os estrangeiros que viviam entre eles e mandou que fossem tratados com amor e justiça (Levítico 19:33-34; Deuteronômio 1:16). O próprio povo deveria se lembrar de que já tinha vivido como estrangeiro no Egito. Ter uma fronteira, portanto, não dava a Israel permissão pra desprezar quem vinha de fora.
Assim, a resposta é: fronteiras são compatíveis com a Bíblia; crueldade com estrangeiros, não. A Bíblia não exige que todo país tenha fronteiras fechadas, nem determina que não haja controle sobre a entrada de pessoas. Ela nos dá princípios pra avaliar essas decisões: ordem e responsabilidade, junto com justiça, dignidade e cuidado por quem precisa de ajuda.