Pode, mas não precisa aceitar tudo o que um psicólogo diz como verdade. A psicologia pode ajudar a entender como as pessoas pensam, sentem e agem. Pode também oferecer tratamentos úteis pra dificuldades como ansiedade, fobias e depressão. Mas ela não pode decidir, por meio de pesquisas, o que Deus considera certo ou errado, nem substituir a Bíblia nas questões de fé.
É bom lembrar que psicologia não é só terapia. Psicólogos também estudam sono, aprendizagem, memória, relacionamentos e muitos outros assuntos. Parte do que descobrem vem de pesquisas que podem ser examinadas e testadas. Por isso, não há motivo pra um cristão rejeitar uma descoberta bem fundamentada só porque ela veio da psicologia. Se uma pesquisa ajuda alguém a entender por que dorme mal ou como aprende melhor, essa informação pode ser útil.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa responde apenas às perguntas que ela consegue investigar. Ela pode mostrar, por exemplo, que certo tratamento costuma reduzir sintomas de ansiedade. Isso é importante. Mas não pode provar se uma escolha é moralmente certa diante de Deus ou dizer qual é o sentido da vida. Quando um profissional passa de “isto acontece com as pessoas” pra “portanto, você deve viver desta maneira”, é preciso perceber que ele já não está apresentando apenas um resultado científico. Sua visão de mundo também está entrando na conversa.
Essa distinção importa especialmente na terapia. Um bom terapeuta pode ajudar a pessoa a reconhecer pensamentos que aumentam seu sofrimento, lidar com uma fobia ou enfrentar uma fase difícil. Buscar esse tipo de ajuda não demonstra falta de fé. A Bíblia ensina os cristãos a amar a Deus com toda a mente (Lucas 10:27); ela não exige que ignorem o que se pode aprender sobre o funcionamento da mente.
Também seria um erro tratar todo sofrimento emocional como pecado ou falta de oração. Em João 9:1-3, Jesus rejeitou a ideia de que o sofrimento de um homem pudesse ser explicado automaticamente pelo pecado dele ou de seus pais. Essa passagem não fala especificamente de saúde mental, mas nos alerta contra explicações apressadas. Uma pessoa com depressão, por exemplo, pode precisar de acompanhamento profissional. Ela não deve ser culpada simplesmente por estar sofrendo.
Por outro lado, a terapia não substitui tudo o que a fé cristã oferece. Um terapeuta pode ajudar alguém a entender seus sentimentos e suas escolhas, mas não pode perdoar pecados, reconciliar essa pessoa com Deus ou definir por ela o ensino das Escrituras. Quando o aconselhamento envolve valores, sexualidade, casamento ou identidade, faz sentido perguntar ao profissional como ele trabalha e se respeitará as convicções religiosas do paciente. Isso vale também pra um terapeuta que se apresenta como cristão: é importante considerar tanto sua formação quanto a maneira como trata as pessoas.
Então, a melhor resposta não é “confie em tudo” nem “rejeite tudo”. Aproveite o que a psicologia pode oferecer, avalie a qualidade da ajuda recebida e examine com cuidado as afirmações que envolvem fé e moral. O conselho de examinar as coisas e ficar com o que é bom, em 1 Tessalonicenses 5:21, expressa bem essa atitude. Um cristão pode procurar ajuda profissional e, ao mesmo tempo, continuar buscando nas Escrituras a orientação fundamental pra sua vida com Deus.