À luz do Novo Testamento, essa pessoa é Jesus Cristo. Daniel não registra seu nome na visão, mas descreve alguém que recebe de Deus autoridade pra governar todos os povos, num reino que nunca será destruído. Mais tarde, Jesus se apresenta como o Filho do Homem e usa a visão de Daniel pra falar de si mesmo.
Pra entender a cena, vale olhar o que Daniel tinha acabado de ver. Quatro animais assustadores aparecem em sua visão. Eles representam reis e seus reinos (Daniel 7:3-8, 17). Depois, Daniel vê Deus, chamado ali de Ancião de Dias, sentado pra julgar. É então que surge alguém “semelhante a um filho de homem”, que se aproxima dele e recebe domínio sobre povos de todas as nações e línguas (Daniel 7:9-14).
O contraste é importante: os governantes anteriores aparecem como animais ferozes; essa pessoa aparece com forma humana. Mas ela não é apenas mais um rei na sequência. Os outros reinos passam. O governo entregue a ela permanece pra sempre.
Por que identificar essa pessoa com Jesus? Porque ele não apenas usava o título Filho do Homem: diante do sumo sacerdote, Jesus falou de si mesmo como o Filho do Homem que seria visto vindo com as nuvens (Mateus 26:63-64). Essa é uma referência direta à cena de Daniel 7:13. Jesus estava dizendo que era aquele a quem Deus daria essa autoridade.
Há um detalhe que evita uma confusão comum. Em Daniel, o Filho do Homem vem com as nuvens até o Ancião de Dias, pra receber o reino; a cena não descreve, por si só, uma descida à terra. Jesus também falou de sua vinda futura, mas não precisamos fazer cada detalhe da visão representar um único momento. O ponto claro é quem ele é e o que Deus lhe concede.
Daniel 7 também diz que os “santos do Altíssimo” receberão o reino (Daniel 7:18, 27). Isso não precisa ser uma disputa entre Jesus e seu povo. Na leitura cristã da passagem, Jesus recebe o governo, e aqueles que pertencem a ele participam desse reino.
Portanto, a resposta é Jesus, o Filho do Homem. Daniel viu que os poderes humanos não durariam pra sempre e que Deus daria a alguém um governo eterno. Nos Evangelhos, Jesus se identifica com essa pessoa da visão.