A Bíblia não manda o cristão fazer um testamento. Ainda assim, planejar o que acontecerá com seus bens e com as pessoas que dependem de você é uma atitude sábia. Um testamento pode fazer parte desse cuidado.
Em Isaías 38:1, quando o rei Ezequias estava gravemente doente, Deus lhe disse, por meio do profeta Isaías, que pusesse sua casa em ordem. A passagem não fala de testamento. Por isso, não seria correto usá-la como uma ordem pra fazer um. Ela mostra, porém, que cuidar de assuntos importantes antes da morte não é falta de fé.
O primeiro cuidado é com as pessoas. Paulo ensina que o cristão deve cuidar dos membros da própria família (1 Timóteo 5:8). Isso vale durante a vida e também ajuda a pensar nas decisões que deixamos encaminhadas. Se alguém tem cônjuge, filhos menores ou outra pessoa que depende dele, é bom considerar como essas pessoas serão amparadas. Os pais de crianças pequenas também podem deixar registrada sua preferência sobre quem cuidaria delas. Essa indicação é importante, mas não garante, por si só, que a guarda ficará com a pessoa escolhida; isso depende das leis e das decisões das autoridades competentes.
Quanto aos bens, a Bíblia não estabelece uma regra dizendo que todos devem ser deixados aos filhos, nem uma quantia que deva ser destinada à igreja ou a outras causas. Existe responsabilidade com a família, mas também pode haver boas razões pra ajudar outras pessoas ou apoiar um trabalho cristão. O importante é decidir com justiça, generosidade e atenção às necessidades reais, em vez de simplesmente deixar que uma decisão tão séria seja tomada sem planejamento.
Fazer um testamento também não significa viver preocupado com a morte. Significa reconhecer que, se ela vier, outras pessoas terão de lidar com questões práticas. Deixar instruções claras pode evitar dúvidas e conflitos num momento que já será difícil pra família.
Portanto, um cristão não é obrigado pela Bíblia a fazer um testamento, mas geralmente faz bem em considerar essa possibilidade, sobretudo quando há filhos menores, pessoas dependentes ou bens a distribuir. Como as regras mudam conforme o lugar, vale buscar orientação jurídica local pra saber quais documentos são necessários e como fazer com que suas decisões tenham validade.