Jacó mandou fazer a túnica porque amava José mais do que seus outros filhos. Gênesis 37:3 diz que José era filho de sua velhice. A roupa tornou essa preferência visível pra família toda — e os irmãos perceberam. Segundo o versículo seguinte, eles passaram a odiar José e já não conseguiam falar com ele em paz.
Costumamos ouvir que era uma “túnica de várias cores”, mas a descrição da roupa também pode ser entendida como uma túnica longa, talvez com mangas. O texto não explica exatamente como ela era. O importante pra história é que se tratava de uma roupa especial, dada a José e não aos demais.
Às vezes se diz que, com esse presente, Jacó estava escolhendo José pra ser o futuro chefe da família. Isso é possível, mas Gênesis não afirma que essa era a intenção dele. O que a passagem deixa claro é o favoritismo. Os irmãos viam naquela túnica mais uma prova de que o pai tratava José de maneira diferente. Mais tarde, eles a tiraram dele antes de vendê-lo como escravo (Gênesis 37:23-28).
Há um detalhe triste nessa história: Jacó também tinha crescido numa família em que os pais tinham filhos preferidos. Isaque preferia Esaú, e Rebeca preferia Jacó (Gênesis 25:28). Mesmo conhecendo de perto esse tipo de divisão, Jacó repetiu o erro com seus próprios filhos.
Isso não tira dos irmãos a responsabilidade pelo que fizeram. O ciúme não justificava a crueldade deles. Mas ajuda a entender como a situação começou: Jacó amava José de um jeito que deixava os outros filhos de lado, e a túnica fez essa diferença ficar ainda mais evidente.