O túmulo vazio importa porque Jesus não apenas ensinou sobre a vida eterna: os Evangelhos dizem que ele morreu, foi sepultado e depois ressuscitou. Se o corpo dele ainda estivesse no túmulo, a mensagem dos apóstolos sobre a ressurreição não poderia ser verdadeira.
Mas é importante entender uma diferença: um túmulo vazio, sozinho, não prova que alguém ressuscitou. Um corpo poderia ter sido levado dali. A fé cristã se apoia no conjunto do que os primeiros seguidores de Jesus anunciaram: o túmulo foi encontrado vazio, e Jesus vivo apareceu a eles depois de sua morte (Lucas 24:1-12, 36-43; 1 Coríntios 15:3-8).
Os quatro Evangelhos contam que mulheres foram ao lugar onde Jesus havia sido sepultado e não encontraram seu corpo (Mateus 28:1-6; Marcos 16:1-7; Lucas 24:1-12; João 20:1-12). Isso não foi apresentado como um detalhe sem importância. Era o mesmo Jesus que tinha sido crucificado que agora estava vivo. A ressurreição, portanto, não significava apenas que sua lembrança continuava entre os discípulos ou que seu espírito vivia de alguma forma. Eles anunciavam que Deus o havia levantado da morte.
Essa mensagem aparece bem cedo nos escritos cristãos. Em 1 Coríntios 15:3-5, Paulo transmite o que havia recebido: Cristo morreu, foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia e apareceu a testemunhas. Paulo não menciona ali, de modo explícito, a visita ao túmulo. Ainda assim, sepultamento e ressurreição fazem parte da mesma notícia. Ele também deixa claro o quanto isso era essencial: se Cristo não ressuscitou, a fé cristã perde seu fundamento (1 Coríntios 15:14-19).
Há razões históricas pra levar o relato do túmulo vazio a sério. Os Evangelhos identificam José de Arimateia como o homem que sepultou Jesus e apresentam mulheres como as primeiras pessoas a encontrar o túmulo vazio (Marcos 15:43-47; 16:1-7). Numa época em que o testemunho de mulheres muitas vezes recebia menos consideração pública, esse não seria o modo mais óbvio de criar uma história pra convencer os outros. Mateus também registra a acusação de que os discípulos teriam levado o corpo (Mateus 28:11-15). Essa acusação pressupõe um corpo ausente, embora o relato de Mateus, por si só, não permita afirmar o que todos os opositores de Jesus sabiam ou diziam. Esses pontos ajudam a avaliar o relato, mas nenhum deles deve ser tratado como prova isolada da ressurreição.
A importância maior do túmulo vazio é o que ele significa junto com as aparições de Jesus. Para os apóstolos, Deus confirmou Jesus ao ressuscitá-lo. Por isso, sua morte não foi o fim de sua missão. Paulo liga a ressurreição tanto à nossa relação com Deus quanto à esperança de também ressuscitarmos (Romanos 4:25; 1 Coríntios 15:20-23).
Em outras palavras, o túmulo vazio não é só uma curiosidade sobre o que aconteceu naquele domingo. Ele faz parte da notícia que está no centro da fé cristã: Jesus realmente morreu, mas não permaneceu morto.