Paulo estava respondendo a pessoas que proibiam o casamento e certos alimentos, como se deixar essas coisas de lado tornasse alguém mais santo. Ele diz a Timóteo que Deus criou essas coisas pra serem recebidas com gratidão, não tratadas como algo ruim em si mesmas (1 Timóteo 4:3-5).
A ideia começa em Gênesis: Deus olhou pra sua criação e a chamou de boa (Gênesis 1). Por isso, a comida não afasta uma pessoa de Deus só por ser comida. Da mesma forma, o casamento não é menos santo que a vida de solteiro. A Bíblia reconhece valor tanto no casamento quanto na solteirice; o erro era transformar uma dessas condições em regra pra todos ou em medida de santidade (Mateus 19:10-12; 1 Coríntios 7:7).
Isso não significa que podemos fazer qualquer coisa e chamá-la de boa. Uma coisa pode ser boa como criação de Deus e, ainda assim, ser usada de maneira errada. A comida pode ser recebida com gratidão ou consumida sem cuidado com os outros. O casamento é bom, mas isso não torna boas todas as atitudes dentro dele. Além disso, Paulo não está dizendo que o pecado e suas consequências são coisas boas criadas por Deus. Ele está corrigindo a ideia de que devemos rejeitar os dons de Deus pra conseguir sua aprovação.
Quando Paulo diz que o alimento é recebido com gratidão e é santificado pela palavra de Deus e pela oração, ele não está ensinando que uma oração torna correto qualquer uso que façamos dele. Sua explicação é mais simples: a palavra de Deus nos permite reconhecer esse alimento como uma dádiva, e a oração é a maneira de agradecer a quem o deu (1 Timóteo 4:4-5).
Então, o sentido do versículo é este: não precisamos desprezar o que Deus criou pra agradar a ele. Podemos receber seus dons com gratidão e usá-los de acordo com a vontade dele. Nossa aceitação diante de Deus não vem de regras inventadas sobre o que comer ou se devemos casar; vem da fé em Jesus Cristo (Romanos 3:28).