Quando ouvimos “vaidade”, geralmente pensamos em alguém preocupado demais com a aparência ou consigo mesmo. Mas não é isso que o Pregador quer dizer em Eclesiastes 12:8. A palavra hebraica usada ali lembra um sopro ou vapor: algo que existe, mas passa depressa e não pode ser segurado. Por isso, “tudo é vaidade” não quer dizer simplesmente que nada tem valor. É uma maneira forte de dizer que a vida é breve e que muitas coisas nas quais buscamos segurança não conseguem nos dar uma resposta definitiva.
O Pregador olha para o que acontece “debaixo do sol”, isto é, para a vida como nós a vemos aqui na terra. Ele observa que uma pessoa pode trabalhar muito, juntar bens e, no fim, deixar tudo para outra que não participou daquele esforço (Eclesiastes 2:18-19). Pode agir com sabedoria, mas não consegue evitar a morte; nesse aspecto, sábios e tolos chegam ao mesmo fim (2:14-16). E pode fazer o que é certo e ainda assim sofrer, enquanto alguém que pratica o mal parece se dar bem (8:14). Diante disso, é difícil dizer que esforço, riqueza ou sabedoria, por si só, explicam a vida ou garantem que tudo terminará como esperamos.
É por isso que a frase não deve ser lida como se o Pregador estivesse dizendo: “Não vale a pena viver”. Ele mesmo fala da alegria de comer, beber, trabalhar e desfrutar os dias que Deus dá (3:12-13; 5:18-20). Essas coisas são boas. O problema é exigir delas mais do que podem oferecer. O trabalho é importante, mas não vence a morte. O dinheiro pode ajudar, mas não conserta toda injustiça. A sabedoria ajuda a viver melhor, mas não nos dá controle sobre tudo.
O fim do livro ajuda a entender a conclusão. Depois de dizer novamente que tudo é vaidade, Eclesiastes chama o leitor a temer a Deus e a obedecer aos seus mandamentos, lembrando que Deus julgará o que fazemos (12:13-14). Portanto, a resposta do livro não é desistir da vida, mas vivê-la diante de Deus. Mesmo quando não entendemos por que certas coisas acontecem, nossas escolhas importam para ele.
“Tudo é vaidade”, então, é um alerta contra tentar encontrar segurança definitiva em coisas passageiras. Eclesiastes nos ensina a receber as coisas boas com gratidão, sem tratá-las como se fossem capazes de preencher todas as nossas necessidades. À luz do Novo Testamento, o cristão também encontra esperança em Jesus Cristo: sua ressurreição mostra que a morte não terá a última palavra e que o trabalho feito para o Senhor não é inútil (1 Coríntios 15:20-22, 58).