Porque pegar o que pertence a outra pessoa é mais do que tirar um objeto dela. É desrespeitar seu trabalho, suas necessidades e a confiança que torna possível viver em comunidade. Deus deu esse mandamento a Israel em Êxodo 20:15, mas o ensinamento também aparece no Novo Testamento: Jesus o reafirmou, e Paulo o relacionou ao amor ao próximo (Mateus 19:18; Romanos 13:9).
O caso mais fácil de reconhecer é levar algo sem a permissão do dono. Mas o princípio vai além disso. A lei dada a Israel também proibia enganar alguém numa negociação e usar medidas desonestas (Levítico 19:11, 35-36). Hoje, isso nos ajuda a perceber que furtar também pode envolver cobrar por algo que não foi entregue, esconder um erro pra ficar com dinheiro a mais ou receber pelo trabalho enquanto, de propósito, deixamos de cumprir o que combinamos. É claro que uma falha ou um atraso involuntário não é a mesma coisa que agir com desonestidade. A intenção e o que foi combinado importam.
Esse mandamento protege pessoas reais. Quem sofre um furto pode perder algo de que precisa, algo pelo qual trabalhou muito ou até uma lembrança que não pode ser substituída. Por isso, Paulo não se limitou a dizer que o ladrão deveria parar de furtar. Ele ensinou que deveria trabalhar honestamente e ter condições de repartir com quem precisa (Efésios 4:28). O caminho que a Bíblia apresenta não é apenas deixar de prejudicar o outro, mas aprender a fazer o bem a ele.
E quando alguém já roubou? O arrependimento não deve ficar só nas palavras. Zaqueu, ao mudar de atitude, se dispôs a devolver o que havia tirado injustamente (Lucas 19:8). Nem sempre é possível reparar tudo, mas quem reconhece o erro deve procurar corrigir o prejuízo quando puder.
Assim, “Não furtarás” está nos Dez Mandamentos porque Deus se importa com a maneira como tratamos o próximo, inclusive com o que lhe pertence. Respeitar o que é dos outros é uma forma concreta de amá-los.