Voltar ao começo. A pessoa usa, no fim das contas, a própria afirmação que queria provar. Seria como dizer: “Este relato é confiável porque diz a verdade; sei que diz a verdade porque é confiável.”
3. Parar em algum ponto. A pessoa aceita um ponto de partida sem apresentar outra razão que o sustente. Nesse caso, alguém ainda pode perguntar por que deveria aceitá-lo.
Esse argumento é associado a Agripa, um pensador cético da Antiguidade. Ele não é nenhum dos homens chamados Herodes Agripa no Novo Testamento.
O trilema não mostra que ninguém sabe nada, nem que toda crença é falsa. Ele põe em dúvida uma exigência mais específica: a ideia de que podemos provar todas as nossas crenças por uma sequência de razões que não deixe nenhuma pergunta em aberto. Na vida comum, temos boas razões pra acreditar em muitas coisas, mesmo sem conseguir demonstrá-las dessa maneira absoluta.
E o que isso tem a ver com a Bíblia? A fé cristã afirma que Deus é verdadeiro e que sua palavra é verdade (Isaías 65:16; João 17:17). Por isso, o cristão não entende a verdade como algo que depende de conseguirmos provar cada afirmação a partir de uma razão anterior. Ele confia no que Deus revelou. Ao mesmo tempo, dizer “Deus revelou” não obriga, por si só, uma pessoa que ainda não crê a aceitar essa afirmação. Por isso, faz sentido conversar sobre as razões pra confiar nas Escrituras, em vez de usar a fé como desculpa pra não responder perguntas.
Também não é correto dizer que o trilema se destrói simplesmente porque pode ser aplicado a ele mesmo. Quem apresenta o trilema pode reconhecer que seu próprio argumento está sujeito a questionamentos. Isso é coerente com o problema que ele está apontando.
Em resumo, o trilema de Agripa nos ajuda a perceber que dar boas razões pra uma crença não é o mesmo que provar tudo sem depender de nenhum ponto de partida. A Bíblia não promete esse tipo de prova absoluta. Ela nos chama a conhecer a verdade que Deus revelou, centrada em Jesus Cristo, que se apresenta como o caminho, a verdade e a vida (João 14:6).