A história da tribo de Manassés mostra que pertencer ao povo de Deus não torna ninguém incapaz de errar. Entre seus descendentes, encontramos gente que confiou em Deus em situações difíceis e gente que deixou de obedecer quando essa obediência exigiu esforço. Também encontramos uma família que levou uma questão de justiça a Moisés e recebeu uma resposta do próprio Deus.
Manassés era o filho mais velho de José e neto de Jacó. José lhe deu esse nome depois de anos de sofrimento, porque reconhecia que Deus o tinha ajudado a seguir em frente apesar de tudo o que havia passado (Gênesis 41:50-51). Mais tarde, Jacó passou a contar Manassés e seu irmão Efraim como seus próprios filhos. Por isso, os descendentes dos dois se tornaram tribos de Israel (Gênesis 48:5).
Uma parte da tribo de Manassés recebeu terras a leste do rio Jordão; outra parte recebeu terras a oeste, na região de Canaã (Números 32:33; Josué 13:29-31; 17:1-11). Essa divisão não deve ser tratada, por si só, como desobediência. Moisés permitiu que algumas famílias se estabelecessem a leste, com uma condição: seus homens deveriam atravessar o Jordão e ajudar as outras tribos a conquistar suas terras. Eles assumiram esse compromisso (Números 32:20-27). A lição aqui é simples: uma escolha que atende às necessidades da nossa família não nos dispensa de cumprir nossas responsabilidades com os outros.
Já no território a oeste do Jordão, aparece uma falha mais clara. Os manassitas não expulsaram os cananeus de algumas cidades. Mesmo quando se tornaram fortes o bastante para submetê-los a trabalhos forçados, não os expulsaram dali (Josué 17:12-13). O texto não explica tudo o que se passava na cabeça deles, então não dá pra afirmar que foi apenas medo ou ganância. Mas dá pra afirmar que não cumpriram completamente o que Deus havia ordenado. Isso nos lembra que fazer parte do que Deus pede não é a mesma coisa que obedecer de fato.
A história de Gideão mostra outro lado da tribo. Ele era de Manassés e se achava pequeno demais pra libertar Israel dos midianitas. Deus, porém, o chamou e prometeu estar com ele (Juízes 6:14-16). Gideão precisou de confirmação antes de agir, mas acabou seguindo as instruções de Deus. Quando reuniu um exército, Deus reduziu o número de homens até restarem apenas trezentos. A vitória que veio depois deixou claro que Israel não tinha sido salvo pela força do seu exército (Juízes 7). Gideão nos ensina que sentir medo ou reconhecer nossas limitações não precisa nos impedir de obedecer a Deus.
Há ainda a história das cinco filhas de Zelofeade, um homem da tribo de Manassés. Ele morreu sem deixar filhos homens. Naquele contexto, isso significava que sua família poderia ficar sem a parte de terra que lhe cabia. As filhas apresentaram o caso a Moisés, e Deus declarou que o pedido delas era justo. Elas receberam o direito à herança, e essa decisão passou a orientar casos semelhantes em Israel (Números 27:1-11). Deus não ignorou a situação delas só porque o costume favorecia os homens.
Essas histórias não apresentam Manassés como uma tribo inteiramente fiel ou inteiramente infiel. Elas mostram pessoas diante de escolhas reais. Algumas deixaram a obediência incompleta; outras confiaram em Deus apesar do medo; outras buscaram justiça e foram ouvidas. Ao olhar pra tribo de Manassés, vale perguntar: quando sei o que Deus quer, estou disposto a fazer isso por completo? E, quando me sinto incapaz, lembro que posso depender dele?