A história de Efraim nos ensina duas coisas que precisam andar juntas: é possível receber muito de Deus e ainda assim desobedecer a ele; e, quando seu povo erra, Deus o chama ao arrependimento em vez de deixar de se importar com ele.
Efraim era filho de José e neto de Jacó. Quando José lhe deu esse nome, reconheceu que Deus o havia ajudado a prosperar mesmo depois de tantos anos difíceis no Egito (Gênesis 41:52). Mais tarde, Jacó abençoou Efraim e seu irmão Manassés. Embora Efraim fosse o mais novo, Jacó anunciou que seus descendentes se tornariam mais numerosos que os de Manassés (Gênesis 48:13-20). A tribo de Efraim ganhou bastante importância em Israel. Por isso, em alguns livros dos profetas, “Efraim” é até usado como nome para o reino do norte, formado por várias tribos, e não apenas para a tribo de Efraim.
Mas receber uma bênção não tornou os efraimitas automaticamente fiéis. Quando se estabeleceram na terra prometida, eles não expulsaram os cananeus de Gezer, como deveriam ter feito (Josué 16:10; Juízes 1:29). Essa é uma primeira lição: não basta reconhecer o que Deus fez por nós; precisamos levar a sério o que ele nos pede.
Outro episódio mostra como o orgulho pode causar problemas. Depois que Gideão lutou contra os midianitas, homens de Efraim reclamaram porque não tinham sido chamados no começo da batalha. Gideão respondeu com calma, reconhecendo a ajuda que eles haviam dado, e a discussão terminou ali (Juízes 8:1-3). Anos depois, houve uma reclamação parecida, dessa vez contra Jefté, após sua vitória sobre os amonitas. Jefté disse que havia pedido ajuda a Efraim, mas não tinha sido atendido. A briga terminou em guerra entre israelitas e na morte de milhares de efraimitas (Juízes 12:1-6).
Esses relatos não dizem que todo efraimita era orgulhoso. Mostram, porém, o perigo de transformar uma pergunta como “por que não nos chamaram?” numa disputa por reconhecimento. No caso de Gideão, uma resposta cuidadosa evitou o conflito. No caso de Jefté, a situação terminou de forma trágica. Vale pensar nisso quando o desejo de ser visto ou elogiado começa a importar mais do que o bem das pessoas.
A história também não é feita só de erros. Quando soldados do reino do norte levaram prisioneiros de Judá, alguns líderes de Efraim ajudaram a impedir que aquelas pessoas fossem tratadas como escravas. Os prisioneiros receberam roupas, alimento e cuidados antes de voltar pra casa (2 Crônicas 28:8-15). Mesmo num período de grave pecado, houve gente disposta a ouvir uma repreensão e fazer o que era certo.
Por fim, Deus falou de Efraim por meio do profeta Jeremias como um filho que precisava ser corrigido, mas por quem ele ainda tinha compaixão (Jeremias 31:18-20). Isso não diminui a gravidade da desobediência. Mostra que a correção de Deus também é um chamado pra voltar a ele.
Então, o que aprendemos com Efraim? A agradecer pelas bênçãos sem achar que elas nos colocam acima da obediência; a tomar cuidado com o orgulho, que pode destruir até relações entre irmãos; e a ouvir a correção de Deus. A história de Efraim é cheia de falhas, mas não termina com a ideia de que um povo que errou já não pode se arrepender.