Tribalismo é quando a ligação com um grupo se torna uma parte muito forte da maneira como pensamos e agimos. Esse grupo pode ser a família, um povo, uma igreja, uma denominação, um partido ou até uma torcida. Pertencer a um grupo não é errado. Ter pessoas com quem podemos contar, compartilhar costumes e cuidar uns dos outros é algo bom. O problema começa quando a lealdade ao grupo fica acima da verdade e do amor ao próximo.
Isso acontece, por exemplo, quando defendemos alguém só porque ele é “dos nossos”, mesmo sabendo que agiu mal. Ou quando deixamos de ouvir uma pessoa só porque ela pertence a outro grupo. Nesse ponto, a união que poderia ajudar as pessoas passa a alimentar orgulho, injustiça e divisão.
A Bíblia não ensina que as diferenças entre povos precisam desaparecer. Em Gênesis 11:1-9, lemos que Deus confundiu a língua das pessoas em Babel; mais tarde, a Bíblia fala de muitos povos e nações. Mas o relato de Babel não diz que Deus queria que esses povos se desprezassem ou se considerassem superiores uns aos outros. Depois, Deus escolheu Israel e lhe deu uma missão especial. Por meio desse povo viria Jesus, por quem Deus oferece salvação ao mundo (Gênesis 12:3; Romanos 9:4-5). Portanto, ser escolhido para uma missão não dava a Israel licença pra tratar os outros povos com arrogância.
Entre os cristãos, esse cuidado também é necessário. Uma igreja pode ter seus costumes, e cristãos podem discordar sobre assuntos importantes. Mas nenhuma dessas diferenças justifica tratar outros seguidores de Jesus como se fossem dispensáveis. Paulo comparou a igreja a um corpo: seus membros são diferentes, mas pertencem uns aos outros e precisam cuidar uns dos outros (1 Coríntios 12:12-27). Ele também repreendeu os cristãos de Corinto quando a preferência por determinados líderes criou divisões entre eles (1 Coríntios 1:10-13).
Isso não significa fingir que toda crença está certa ou abandonar convicções bíblicas pra evitar conflitos. Significa que nossa lealdade a Cristo deve ser maior que nossa lealdade a qualquer grupo. Podemos amar nossa família, nosso povo e nossa igreja sem fechar os olhos pros erros deles nem desprezar quem está de fora.
Em resumo, o tribalismo é saudável enquanto fortalece o cuidado e o senso de responsabilidade entre as pessoas. Torna-se um problema quando o grupo passa a decidir, por nós, quem merece ser ouvido, amado ou tratado com justiça.