Amós repete essa frase pra dizer que os povos de quem ele fala não cometeram apenas um erro isolado. Eles continuaram praticando o mal, e Deus não deixaria aquilo sem resposta. “Três… e até quatro” é uma maneira de dar ênfase, não uma conta que Amós espera que a gente faça.
Dá pra perceber isso lendo as mensagens. Amós não apresenta sempre três ou quatro pecados depois da frase. Ao falar de Damasco, por exemplo, ele destaca a violência cometida contra outro povo (Amós 1:3). Ao falar de Israel, menciona várias injustiças, como vender pessoas por dinheiro e maltratar os pobres (Amós 2:6-8). A expressão anuncia que há pecados graves a serem julgados; os exemplos seguintes mostram como aquela culpa aparecia na prática.
Amós usa a frase oito vezes. Primeiro, fala de povos vizinhos de Israel. Depois, de Judá. Por último, chega a Israel, que recebe a mensagem mais longa (Amós 1:3–2:16). Essa sequência importa: quem ouvisse as condenações contra os outros povos talvez concordasse facilmente com elas. Mas Amós mostra que o próprio povo de Deus também teria de responder pelo que fazia. Conhecer a vontade de Deus não tornava a injustiça menos grave.
Então, a repetição tem duas funções: dá força à denúncia e prepara o leitor pra mensagem principal desses capítulos. Deus vê a violência e a injustiça entre todos os povos — inclusive entre aqueles que dizem pertencer a ele.