A Bíblia fala, sim, de três dias de escuridão, mas esse acontecimento foi no Egito, na época de Moisés. Ela não anuncia que haverá outros três dias de escuridão no mundo inteiro antes da volta de Jesus.
Em Êxodo 10:21–23, Deus trouxe uma escuridão intensa sobre o Egito como uma das pragas enviadas contra aquele país. Por três dias, os egípcios não conseguiam ver uns aos outros nem sair de onde estavam. Os israelitas, porém, tinham luz onde moravam. A passagem conta algo que aconteceu naquele momento da história; não diz que a mesma praga acontecerá de novo no fim dos tempos.
A dúvida costuma surgir por causa de uma previsão atribuída a Anna Maria Taigi, uma católica italiana que viveu nos séculos 18 e 19. Segundo relatos associados a ela, o mundo passaria por três dias de escuridão, durante os quais as pessoas deveriam ficar em casa e usar velas abençoadas. Essas instruções não aparecem na Bíblia. Por isso, não devemos apresentá-las como algo que Deus ordenou aos cristãos.
É verdade que outras passagens bíblicas falam de escuridão ligada ao julgamento de Deus. Joel 2:31 menciona o sol escurecendo antes do dia do Senhor. Apocalipse 6:12 fala do sol se tornando escuro, e Apocalipse 16:10 descreve trevas sobre o reino da besta. Mas nenhuma dessas passagens diz que a escuridão durará três dias. Juntar esses textos à praga do Egito não basta pra concluir que a previsão vai acontecer.
Isso não significa que Deus seja incapaz de fazer algo assim. Significa apenas que não podemos afirmar como profecia bíblica aquilo que a Bíblia não afirma. O conselho de 1 João 4:1 é examinar as mensagens que dizem vir de Deus, em vez de aceitá-las sem cuidado.
Então, como devemos reagir? Sem medo de não ter uma vela especial ou de olhar pela janela num suposto dia de escuridão. Jesus chamou seus seguidores a permanecer atentos e preparados pra sua volta (Mateus 24:42–44). Essa preparação não depende de conhecer uma previsão sobre três dias; depende de confiar nele e viver de acordo com sua palavra.