Isaías não está dizendo que ajudar alguém, agir com honestidade ou cuidar de quem precisa não tem valor. Ele está dizendo que não podemos apresentar nossas boas ações a Deus como prova de que somos justos e merecemos sua aceitação. Esse é o ponto da comparação forte que aparece em Isaías 64:6.
Nesse capítulo, Isaías faz uma oração em nome do seu povo. Ele reconhece que o povo havia pecado e se afastado de Deus. Por isso, não faria sentido dizer: “Mas nós também fizemos coisas certas; então está tudo bem.” Os atos que pareciam justos não apagavam a desobediência nem tornavam o povo puro diante de Deus. Ao chamá-los de trapos sujos, Isaías mostra como era inútil confiar neles pra encobrir aquela situação.
Isso também esclarece uma dúvida importante: a Bíblia não ensina que toda boa ação é ruim. Deus manda seu povo praticar o bem. O problema é confiar no bem que fazemos como se ele pudesse compensar nossos pecados. Pense numa pessoa que trata alguém com generosidade, mas, ao mesmo tempo, se recusa a reconhecer que mentiu e prejudicou outra pessoa. A generosidade é boa, mas não torna a mentira certa. Do mesmo modo, nossas boas ações não resolvem, por si mesmas, o problema do pecado diante de Deus.
É por isso que o Novo Testamento diz que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não como recompensa pelas nossas obras (Efésios 2:8-9). Logo em seguida, porém, diz que fomos criados em Cristo Jesus para fazer boas obras (Efésios 2:10). A ordem é importante: não fazemos o bem pra comprar a salvação; fazemos o bem porque Deus nos alcançou e está transformando nossa vida.
Então, a resposta é esta: nossos atos de justiça são como trapos sujos quando tentamos usá-los pra nos declarar justos diante de Deus, apesar dos nossos pecados. Mas as boas obras feitas por quem confia em Cristo não são inúteis. Elas são parte da vida que Deus deseja produzir em nós.