Pastor Antônio Junior

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Como um cristão deve lidar com o transtorno de personalidade borderline?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O transtorno de personalidade borderline, ou TPB, é uma condição de saúde mental. Não é sinal de que a pessoa tenha pouca fé, nem algo que se resolva apenas com uma ordem pra “controlar as emoções”. Quem vive com TPB pode sentir emoções muito intensas, ter grande medo de ser abandonado, agir por impulso e encontrar dificuldade pra manter uma imagem estável de si mesmo e dos seus relacionamentos. Isso pode causar muito sofrimento, tanto pra pessoa quanto pra quem está perto dela.

Por isso, o primeiro passo é levar esse sofrimento a sério. Um cristão pode orar, buscar apoio da igreja e procurar atendimento de saúde mental. Essas coisas não competem entre si. Deus nos chama a cuidar uns dos outros, e receber ajuda profissional pode fazer parte desse cuidado. A psicoterapia é uma parte importante do tratamento; uma das abordagens usadas é a terapia comportamental dialética, que ajuda a pessoa a lidar com emoções intensas, impulsos e conflitos nos relacionamentos. Em alguns casos, medicamentos também podem ser indicados pra tratar problemas associados, como depressão ou ansiedade. O tratamento deve ser acompanhado por profissionais qualificados.

Também é importante não tirar conclusões apressadas sobre a causa do TPB. Experiências difíceis, fatores familiares e características individuais podem estar envolvidos, mas não dá pra presumir que toda pessoa com esse diagnóstico sofreu abandono ou teve pais negligentes. E ninguém deve usar o diagnóstico pra definir tudo o que ela é.

A fé cristã oferece uma verdade preciosa a quem sofre: o que você sente é real, mas nem sempre diz a verdade sobre o seu valor ou sobre o que os outros pensam de você. Uma pessoa pode sentir que não é amada sem que isso signifique que foi abandonada. A Bíblia ensina que o amor de Deus por quem está em Cristo não depende de um dia emocionalmente estável (Romanos 8:38–39). A salvação também não depende de conseguir administrar perfeitamente os próprios sentimentos; ela é recebida pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo (Efésios 2:8–9).

Isso não quer dizer que toda reação esteja certa. Uma dor intensa pode ajudar a explicar uma explosão de raiva, mas não torna aceitável ferir ou ameaçar alguém. Ao mesmo tempo, chamar a pessoa de “manipuladora” ou tratar todos os seus sintomas como pecado não a ajuda a mudar. O caminho mais honesto é reconhecer o sofrimento, assumir a responsabilidade pelos próprios atos e buscar ajuda pra aprender outras maneiras de reagir. A orientação bíblica de ouvir antes de falar e ser lento pra se irar continua valiosa (Tiago 1:19), mas não substitui tratamento.

Se você convive com alguém que tem TPB, procure escutar sem confirmar automaticamente toda interpretação da situação. É possível dizer “entendo que isso te machucou” e, depois, conversar com calma sobre o que aconteceu. Mantenha limites claros e respeitosos: amar alguém não exige estar disponível a qualquer hora nem aceitar agressões. Familiares e amigos também podem precisar de orientação e apoio.

Por fim, o TPB pode ser tratado. A melhora nem sempre é rápida, mas há ajuda. A igreja pode contribuir com amizade, oração e apoio constante, sem tentar ocupar o lugar dos profissionais de saúde. Se houver automutilação, ameaça de suicídio ou risco imediato, a prioridade é buscar atendimento de urgência e não deixar a pessoa sozinha com essa situação. No Brasil, é possível ligar para o SAMU pelo 192; o CVV, pelo 188, oferece apoio emocional.

Encarar o TPB de maneira cristã é, portanto, unir verdade e compaixão: não reduzir a pessoa ao diagnóstico, não negar suas responsabilidades e não exigir que ela enfrente tudo sem ajuda.