A transfiguração mostrou aos discípulos quem Jesus era num momento em que eles precisavam entender melhor o que estava por vir. Pouco antes, Jesus tinha dito que sofreria, seria morto e ressuscitaria (Lucas 9:22). Isso era difícil de aceitar para quem esperava vê-lo reinar. No monte, Pedro, Tiago e João viram sua aparência mudar e suas roupas se tornarem brilhantes. Eles tiveram uma visão da glória daquele que havia acabado de lhes falar sobre sua morte.
Lucas conta que a mudança aconteceu enquanto Jesus orava. Moisés e Elias apareceram e conversaram com ele sobre sua partida, que se cumpriria em Jerusalém (Lucas 9:28-31). Ou seja, não foi uma aparição separada do que Jesus tinha anunciado. A conversa apontava justamente para o sofrimento que o aguardava. A transfiguração ajudava os discípulos a perceber que a morte de Jesus não seria o fim de sua missão. Ela fazia parte do que Deus estava realizando.
A presença de Moisés e Elias também é importante. Moisés está ligado à Lei dada a Israel, e Elias foi um dos grandes profetas. Por isso, muitos entendem que os dois representam a Lei e os Profetas, que apontavam para a obra de Jesus. O texto não diz expressamente que essa era a razão de ambos estarem ali, mas mostra que eles não aparecem como iguais a Jesus. Quando Pedro propõe fazer três abrigos, uma voz vinda da nuvem identifica Jesus como o Filho de Deus e manda os discípulos ouvi-lo. Depois, eles veem apenas Jesus (Mateus 17:1-8; Lucas 9:32-36).
Esse é o ponto principal da cena: os discípulos deviam ouvir Jesus, mesmo quando ele falava de sofrimento e morte. Mais tarde, Pedro lembrou que tinha visto a majestade de Cristo naquele monte e ouvido a voz de Deus a respeito dele (2 Pedro 1:16-18). A experiência não tirou as dificuldades que viriam, mas deixou claro que aquele que iria sofrer era o Filho de Deus.