Em Babel, um grupo de pessoas começou a construir uma cidade e uma torre. Elas queriam ficar juntas e tornar seu nome conhecido, em vez de se espalhar pela terra. Segundo Gênesis 11:1-9, Deus confundiu a língua delas, de modo que já não conseguiam se entender, e elas deixaram a construção. Depois, foram espalhadas pela terra.
O detalhe mais importante da história é por que decidiram construir. Depois do dilúvio, Deus havia dito à família de Noé que se multiplicasse e enchesse a terra (Gênesis 9:1). Mas os construtores de Babel disseram que queriam evitar justamente isso: ser espalhados. A torre, que pretendiam fazer muito alta, também fazia parte do desejo de tornar seu nome conhecido (Gênesis 11:4). O texto não diz que eles conseguiriam chegar literalmente ao céu. Ele chama atenção pra decisão de se unirem em torno dos próprios planos, contrariando o que Deus havia dito.
Deus não destruiu a torre nem eliminou aquelas pessoas. Ele confundiu a língua delas. Sem conseguir se entender, elas pararam de construir a cidade e se dispersaram (Gênesis 11:7-9). Assim, aconteceu o que elas tentavam impedir: a humanidade se espalhou.
Pode surgir uma dúvida ao ler o capítulo anterior. Gênesis 10 já fala de povos com línguas diferentes, enquanto Gênesis 11 começa dizendo que todos falavam a mesma língua. Isso não precisa ser entendido como se os acontecimentos estivessem sendo contados em ordem do começo ao fim. O capítulo 10 apresenta os povos já distribuídos pela terra; o começo do capítulo 11 volta a um acontecimento que ajuda a explicar como essa dispersão ocorreu.
Por isso, a lição de Babel não é que construir uma cidade ou uma torre seja errado. O problema estava na atitude expressa pelos construtores: queriam fazer um nome pra si mesmos e permanecer juntos apesar da direção dada por Deus. A Bíblia também não diz que Deus criou diferentes raças naquele momento. O que Gênesis 11 afirma é que ele confundiu a língua das pessoas e as espalhou pela terra.