Ser chamado de intolerante não significa, por si só, que você esteja errado. Mas também não significa que você esteja certo. O primeiro passo é olhar com honestidade pra sua convicção e pra maneira como você a expressa.
A Bíblia não pede que o cristão aprove tudo o que as pessoas fazem. Ela também não permite que ele despreze quem pensa ou vive de outro jeito. Jesus nos chama a amar até quem se opõe a nós (Mateus 5:44). Portanto, respeitar uma pessoa não exige concordar com todas as suas escolhas. E discordar dela não dá ao cristão o direito de humilhá-la.
Antes de tomar uma posição, pergunte: *Isso é mesmo um ensinamento bíblico ou é uma preferência minha?* A Bíblia trata claramente de algumas atitudes, como a embriaguez (Efésios 5:18). Já gostos culturais e costumes pessoais não devem ser impostos aos outros como se fossem mandamentos de Deus. Também vale perguntar se você entendeu bem a situação. Às vezes, o conflito nasce menos da convicção em si e mais de uma palavra dura ou de uma conclusão apressada.
Quando houver uma discordância real, fale a verdade com respeito. Você pode explicar o que crê sem transformar a conversa num ataque. Pedro orienta os cristãos a estarem prontos pra explicar sua esperança, mas a fazer isso com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15-16). Isso inclui ouvir, não atribuir más intenções sem motivo e tratar a outra pessoa com a mesma dignidade que você gostaria de receber.
E se pedirem que você faça algo que entende ser contrário à vontade de Deus? Nesse caso, não abandone sua consciência apenas pra evitar críticas. Quando as autoridades proibiram os apóstolos de anunciar Jesus, eles afirmaram que precisavam obedecer a Deus (Atos 5:27-29). Mas essa passagem não transforma toda discordância social numa perseguição, nem dispensa o cristão de respeitar as leis. Se a situação envolver trabalho, contratos ou direitos legais, procure entender os fatos e buscar orientação adequada antes de agir.
Ore por sabedoria e coragem (Tiago 1:5). Sabedoria pra distinguir o que a Bíblia ensina daquilo que é preferência pessoal; coragem pra permanecer fiel quando houver pressão. E, em tudo, preserve o amor. O cristão não precisa escolher entre falar a verdade e tratar bem as pessoas. Sua convicção deve aparecer tanto no que ele se recusa a aprovar quanto na maneira respeitosa e bondosa com que trata quem discorda dele.