Tofete era um lugar no vale de Ben-Hinom, perto de Jerusalém, onde pessoas chegaram a queimar seus filhos em sacrifício. Por isso, quando a Bíblia fala de Tofete, não está falando apenas de um local: está lembrando uma prática que Deus condenou com firmeza.
Jeremias diz que ali foram construídos lugares de culto pra queimar meninos e meninas como oferta (Jeremias 7:31). A Bíblia também associa essa prática ao culto a Moloque (2 Reis 23:10). Deus já havia proibido seu povo de oferecer crianças dessa maneira e rejeitado o costume de queimá-las em honra a outros deuses (Levítico 18:21; Deuteronômio 12:31).
O rei Josias tentou acabar com isso. Ele profanou Tofete, ou seja, tornou aquele lugar impróprio pra continuar sendo usado nos sacrifícios (2 Reis 23:10). Jeremias, por sua vez, anunciou que o mesmo lugar onde crianças haviam sido mortas se tornaria cenário de uma grande tragédia quando viesse o julgamento sobre Jerusalém. Por isso, disse que seria chamado de “vale da Matança” (Jeremias 7:32-33).
O significado exato da palavra *Tofete* é incerto. Existem sugestões de que ela esteja ligada a palavras antigas para “forno” ou “tambor”, mas não há segurança suficiente pra afirmar uma delas como certa. O que podemos afirmar pela Bíblia é o que o nome designava: aquele lugar de sacrifícios no vale de Ben-Hinom. Em Isaías 30:33, o nome também aparece numa imagem de fogo usada pra falar do julgamento de Deus.
Talvez você já tenha ouvido relacionar esse vale ao inferno. A relação existe, mas precisa ser entendida com cuidado. No Novo Testamento, Jesus usa o nome *Geena*, ligado ao vale de Hinom, ao advertir sobre o julgamento de Deus (Marcos 9:47). Isso não significa que Tofete fosse literalmente o inferno. Significa que a história terrível daquele vale ajudava a mostrar a seriedade da advertência.
Assim, Tofete nos lembra de duas coisas que a Bíblia deixa claras: até onde o ser humano pode chegar quando abandona os caminhos de Deus, e que Deus não trata a crueldade contra crianças como algo sem importância.