Deus estava avisando Noé de que o dilúvio acabaria com a vida fora da arca. Em Gênesis 7:4, a expressão “todos os seres vivos” se refere, nesse contexto, às pessoas e aos animais que viviam sobre a terra e seriam atingidos pelas águas. Não quer dizer que Noé, sua família e os animais levados pra arca também morreriam. Deus havia dado instruções justamente pra preservá-los (Gênesis 7:1-3).
O próprio relato ajuda a entender o alcance da expressão. Gênesis 7:21-23 menciona pessoas, aves e animais terrestres entre os que morreram. Depois, especifica que morreram os seres que tinham fôlego de vida e viviam em terra seca. Assim, embora a expressão “todos os seres vivos” pareça incluir qualquer forma de vida, o texto está falando dos seres vivos atingidos por aquele julgamento.
Por isso, ela não significa que todos os peixes e outros animais aquáticos morreram. O relato não diz que a vida aquática acabou, nem que esses animais foram levados pra arca. Isso também não exige afirmar que nenhum animal aquático tenha morrido durante o dilúvio; a Bíblia simplesmente não faz essa afirmação.
Quanto à palavra “todos”, ela mostra a abrangência do julgamento entre os seres de que o texto está falando, não uma ausência absoluta de exceções. O próprio capítulo apresenta a exceção: Noé, sua família e os animais que estavam com eles na arca sobreviveram (Gênesis 7:23).
Portanto, a ideia de Gênesis 7:4 é esta: Deus avisou que o dilúvio destruiria os seres humanos e os animais terrestres fora da arca, enquanto preservaria os que havia mandado Noé levar pra dentro dela.