O salmista não está dizendo que toda pessoa mente o tempo todo, nem que nunca devemos confiar em ninguém. Ele está contando como falou num momento de grande aflição, quando sentiu que não podia contar com as pessoas. A frase mostra a força do que ele sentia, mas também chama atenção pra uma diferença real: pessoas podem falhar; Deus permaneceu fiel a ele.
O próprio salmo explica por que ele falou assim. O autor tinha passado por uma situação em que temeu morrer. Em meio à angústia, pediu ajuda ao Senhor, e o Senhor o livrou (Salmo 116:3-8). Ao lembrar daquele período, ele conta que disse, em sua perturbação, que todos eram mentirosos (versículos 10-11).
É parecido com alguém que, depois de várias decepções, diz: “Não dá pra confiar em ninguém.” A pessoa está expressando uma dor verdadeira, mesmo que a frase seja mais ampla do que os fatos permitem afirmar. O salmo não conta quem decepcionou seu autor, nem diz que alguém lhe prometeu ajuda e mentiu. Por isso, não precisamos preencher esses detalhes. O que sabemos é que, naquele sofrimento, ele sentiu a fragilidade da ajuda humana e experimentou a fidelidade de Deus.
Isso também não quer dizer que suas palavras não tenham nada a nos ensinar. A Bíblia reconhece que nós falhamos, inclusive no que dizemos. Mas o Salmo 116 não nos dá motivo pra acusar cada pessoa de ser mentirosa em tudo o que fala. O ponto principal aparece quando lemos a frase junto com o restante do salmo: na hora em que o salmista mais precisava, foi o Senhor quem ouviu seu pedido e o socorreu (Salmo 116:1-2, 8).
Então, se você já se sentiu decepcionado por pessoas, pode entender por que ele falou daquele jeito. O salmo não pede que você desconfie de todo mundo. Ele mostra que, mesmo quando a ajuda humana é incerta ou insuficiente, você pode levar sua aflição a Deus, como o salmista fez.