Porque a autorização de Ciro abriu a possibilidade de voltar, mas não obrigou todos os judeus a fazer a viagem. Esdras conta que partiram líderes de famílias, sacerdotes, levitas e outros que Deus motivou a ir reconstruir o templo em Jerusalém (Esdras 1:5). O texto, porém, não explica por que cada pessoa que ficou tomou essa decisão.
Havia razões compreensíveis para a volta ser difícil. Muitas décadas tinham se passado desde que os babilônios destruíram Jerusalém. Nesse tempo, famílias inteiras haviam crescido fora de Judá. Para muitos, sair significaria deixar a vida que conheciam e fazer uma viagem longa até uma cidade que precisava ser reconstruída. A idade, a saúde e as responsabilidades com a família também podem ter influenciado algumas decisões. São possibilidades, não motivos que Esdras atribui a pessoas específicas.
A viagem trazia riscos reais. Anos depois, quando Esdras conduziu outro grupo a Jerusalém, ele convocou um jejum para pedir a proteção de Deus no caminho. Ao chegar, reconheceu que Deus os havia livrado de inimigos e de emboscadas (Esdras 8:21-23, 31). Isso ajuda a entender por que partir podia ser uma decisão difícil, embora não prove que o medo tenha sido o motivo de todos os que ficaram.
Esdras 1:6 acrescenta que pessoas ao redor dos que partiram os ajudaram com prata, ouro, bens e animais. O versículo não diz que todos esses ajudantes eram judeus que decidiram permanecer. Por isso, não dá pra separar os judeus em dois grupos simples — os que obedeceram voltando e os que desobedeceram ficando. A Bíblia não faz esse julgamento ali.
O ponto principal do relato é outro: Deus cumpriu sua promessa de permitir que seu povo voltasse depois do exílio (Jeremias 29:10). Ele motivou um grupo a ir, e esse grupo começou a reconstruir o templo. Outros não foram naquela ocasião. Podemos entender algumas dificuldades que talvez tenham pesado nessa escolha, mas não afirmar que sabemos o motivo de cada um.